ESTRAGO DA NAÇÃO

3/31/2008

É lince espanhol, caramba!

O Público continua a insitir em dar eco dos nascimentos de crias de Lynx pardinus (vd. aqui), mas cometendo sempre o «erro» de usar como, nome comum, lince ibérico. A menos que Portugal venha a ser anexado por Espanha, estes linces são tudo menos ibéricos, são apenas espanhóis, porque deste lado de cá já não há nem será bom que, caso se mantenha a política (ou ausência dela) de protecção ambiental, prossiga a ideia de trazer animais desta espécie de Espanha para o nosso país.

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3/11/2008

Universidade de Coimbra a património mundial

Coloquei no Reportagens Ambientais um meu artigo publicado na última edição da revista Notícias Sábado. É sobre a candidatura da Universidade de Coimbra a Patrimónia Mundial. Quem quiser saber um pouco de história, pode ir aqui.

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O Inferno vai ficar mais cheio

O Vaticano passou a considerar que causar poluição é um pecado. Por certo que esta era a medida necessária para salvar o Planeta. Tremei, pecadores.

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3/08/2008

Ele não se conteve ou os tiques do despotismo

O ministro Augusto Santos Silva tinha obrigação de saber umas coisas de política. Devia saber que quase 4 milhões de portugueses nem sequer eram nascidos aquando da Revolução dos Cravos, pelo que devem tanto aos «históricos do PS» pela liberdade como todos nós, e as gerações anteriores, a D. Afonso Hernriques ou, digamos assim para abreviar, à padeira da Aljubarrota.
Além disso, alegar como fez Augusto Santos Silva que quem lutou contra a ditadura tem uma postura ética diferente dos demais - presumo que daqueles que não eram nascidos ou que tinham tenra idade em 1974 - é, convenhamos, atitude pouco democrática.
Aquilo que, porém, ficámos a saber é que Augusto Santos Silva, e acredito muitos militantes do PS, pensa mesmo que temos todos uma dívida com os «históricos do PS». E tanta é a dívida que eles pensam que nós temos que nos vimos obrigados a ouvir os seus dislates. E, pior do que isso, as suas atitudes muito pouco democráticas.

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3/06/2008

Hot Topic

Chegou-me hoje, amável oferta da Dom Quixote, este livro: Hot Topic, que faz uma abordagem que, à primeira vista, me parece interessante e construtiva em torno das alterações climáticas.Irei lê-lo quando puder para dar uma opinião mais avalizada.


Sinopse:
As alterações climáticas são, indubitavelmente, um tema quente. Após anos de cepticismo, o mundo despertou para o perigo e começa a procurar informar-se sobre o assunto.

Ao longo dos últimos dois anos, novas descobertas científicas provaram finalmente que os seres humanos são responsáveis pelo aquecimento a que assistimos agora. A primeira onda de reacção ao aquecimento global, que ainda está a decorrer, foi o despontar da consciência popular de que existe um problema.

Contudo, a nossa visão não é excessivamente dramática. Acreditamos piamente que poderemos resolver o problema das alterações climáticas, ao mesmo tempo que mantemos um bom estilo de vida e permitimos que as economias cresçam.

Hot Topic é um relato inteligente de todo o repto das alterações climáticas – científico, tecnológico, político e social –, numa abordagem global: como todos nos metemos nesta confusão e o que todos temos de fazer para a resolver.

Claro que vamos ter problemas independentemente das acções que tomarmos agora.
É demasiado tarde para impedir pelo menos algumas mudanças perigosas e, se queremos proteger-nos, teremos de começar a construir defesas agora.

Hot Topic será o guia indispensável, abrangente e conclusivo das alterações climáticas.

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Isto vai sair bem caro aos nossos bolsos

Poucos ainda se aperceberam que estes 12 mil milhões de euros de investimento no sector energético que o ufano ministro da Economia não pára de anunciar nos vais sair bem caro nas finanças domésticas sem que isso represente qualquer diminuição nas emissões de dióxido de carbono.


A coisa explica-se de forma mais ou menos fácil. Neste momento, conjunturalmente, é uma óptimo altura para investimentos na produção de centrais electroprodutoras, porque como os diversos países da União Europeia concederam às indústrias generosas quotas de emissão de CO2, as cotações do mercado de carbono sofreram quedas abruptas, donde os custos futuros serão menores do que seria de esperar para os investidores de novas centrais.


Por outro lado, Portugal concede preços exageradamente altos pela energia eólica produzida (98 euros por MWh, contra 77 euros em Espanha e 76 euros em França). Ou seja as empresas produtoras recebem mais do que depois a EDP nos cobra (as empresas recebem 0,098 euros por KWh, enquanto num tarifário bi-horário paga-se 0,092 euros). Isto é, o mercado está aparentemente em défice, e apenas não está porque no final são os nossos impostos que pagam o diferencial.


Ora, a questão é que se os preços da eólica pagos aos empresários se mantiverem e se aumentar muito a produção (no ano passado a eólica chegou aos 8% do total da electridade distribuída), toda a gente quer investir em parques cá na terrinha, mas o contribuinte ou o consumidor português é que vai pagar os lucros dessas empresas. Por isso, se aumentar muito mais o parque eólico instalado mantendo-se estes preços, os encargos no preço da electricidade (ou nos impostos) vai doer. Paga-se porque se faz eólica, o que é um contra-senso e apenas justificável porque o cento se tornou um mero investimento financeiro cá no burgo.


Sou, por natureza, adepto das energias renováveis. Mas estão-me a custar muito duas coisas nisto: que os parques eólicos estejam a ser uma mera negociata e que o país esteja a ficar inundado de moinhos (em parques eólicos temos já cerca de metade da potência instalada que Espanha, embora este país tenha quase seis vezes o nosso território). Ou seja, daqui a nada voamos.


Nota: Há uma coisa que me causa estranheza: há pouco tempo divulgou-se que, pela primeira vez nos últimos cinco anos, o aumento do consumo eléctrico tinha sido inferior ao aumento do PIB (1,8% vs. 1,9%). No entanto, no relatório anual da EDP, esta empresa diz que a distribuição de electricidade em Portugal cresceu 3% (sem correcção das temperaturas). Em que ficamos, afinal?

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3/04/2008

O namoro perigoso ou a nova eucaliptização

Uma das razões para a criação da Reserva Ecológica Nacional, em 1983, foi travar a eucaliptização que ameaçava inundar tudo o que era zonas agrícolas ou áreas sensíveis. Mesmo assim, muito se plantou. E, nos últimos anos, muito ardeu.

Porém, os tempos são diferentes agora, com um Governo que se abre ao mais leve pedido dos empresários que acenem com milhões de investimento. Hoje, Queiroz Pereira, presidente da Portucel, na colocação da primeira pedra de uma nova unidade de papel, prometeu ao primeiro-ministro José Sócrates que faria uma segunda fábrica. Com uma pequena condição: basta que «os eucaliptos possam ser plantados em zonas de melhor rendimento». Ou seja, em zonas agrícolas, de vale, de bons solos de Reserva Agrícola ou Ecológica Nacionais (REN e RAN). A eucaliptização vem aí em força.

Isto vai acabar mal: ou porque arderão esses povoamentos ou então, depois da «safra» de uns quantos anos, ficam os solos depauperados e os accionistas da Portucel com boa disposição. Tenham medo, tenham muito medo.

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E tudo o negócio levou...

Qual potencial de vento, qual energia renovável, qual redução das emissões de dióxido de carbono... o Governo e os empresários das eólicas estão é mais interessados em negócio. Em bons negócios, com bons apoios públicos. Ou seja, connosco a pagar (vd. aqui)

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3/03/2008

Os abusos das fontes anónimas dão mau resultado

Nos últimos anos, no meio jornalístico, fez «escola» o uso (e abuso) de fontes anónimas (ou que pedem o anonimato) para a maioria das notícias de casos mais escaldantes. Começou na Casa Pia, prolongou-se no caso Maddie, sempre existiu no jornalismo político e desportivo, está agora por todo o lado.
Mais do que como jornalista, como leitor detesto fontes anónimas. Eu sei que dá um certo ar cinematográfico (que quase nada tem, quase sempre é por telefone), mas sempre fugi a usar fontes anónimas em trabalhos jornalísticos. Explico-me melhor: usei-as como fonte de informação; porém, somente como pistas ou para referir aspectos que não eram controversos. Quando se estava perante casos mais bicudos, aquilo que «exigia» à fonte (mesmo que fosse credível para mim) era que me apresentasse uma prova (preferencialmente documental) ou pistas para as obter.
E qual a razão por que fazia isto, msmo correndo o risco de a fonte fugir ou eu nada publicar? Porque sempre defendi que um jornalista não deve fazer acusações escudando-se depois numa fonte anónima (que ele sabe que nunca pode/deve revelar). Porque essa fonte pode nunca ter existido e o jornalista quer mostrar serviço (sim, isso existe...). Porque, também, pode o jornalista ter problemas com a Justiça - como neste caso da decisão do Tribunal da Relação sobre´o caso Casa Pia -, pois não basta que o jornalista diga que usou uma fonte que considerava idónea. Tem sobretudo que provar que essa fonte lhe dizia a verdade. E a verdade só se consegue com provas, com trabalho de investigação jornalística, que não se circunscreve a ter bons contactos e um telemóvel.

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3/01/2008

Assim, sim!

Isaltino Morais vai responder em tribunal por crimes de difamação sobre jornalistas do semanário Sol ter publicado notícias sobre o seu processo das contas bancárias na Suiça. «Toda a gente sabe que aquela gente [jornalistas do Sol] é paga pelo doutor Marques Mendes. É gente que foi paga por ele durante muitos anos», disse ele então à Rádio Renascença. O juiz de instrução decidiu pronunciá-lo para julgamento.

Mas há outro aspecto que nos alivia a todos. O semanário Sol pretendia também que Isaltino Morais respondesse pelo crime de ofensa a entidade colectiva por ter chamado «pasquim» ao jornal. O juiz escreve que «designar um jornal, qualquer que ele seja, de pasquim, objectivamente tem uma carga depreciativa, mas ainda assim não criminalmente ilícita, visto que impedir o público em geral de tecer a sua opinião sobre determinado jornal (que considere pasquim, seja ele alegadamente sério ou de carácter mais populista), viola de forma flagrante a liberdade de opinião constitucionalmente consagrada». Ou seja, podemos continuar a chamar pasquins ao jornais, quando se portam mal.

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