ESTRAGO DA NAÇÃO

8/25/2008

Lá caiu mais um argumento

Coleccionando gaffes e tiradas desastrosas sempre que fala de aeroportos, o ministro das Obras Públicas veio, na semana passada, a pretexto do acidente no aeroporto de Barajas em Madrid, argumentar que tinha sido também para evitar maiores estragos em Lisboa, no caso de acidente aéreo, que o novo aeroporto ia para Alcochete.

Ora, ficando Barajas a 12 quilómetros de Madrid, e Alcochete a 30 quilómetros de Lisboa, parece que a razão estaria do lado de Mário Lino. Porém, azar dos azares, quando cai um avião nem sempre sucede logo nas imediações do aeroporto. Este de hoje, por exemplo, caiu exactamente a 30 quilómetros do aeroporto. Ou seja, se um acidente similiar suceder com um avião que descole do futuro aeroporto de Alcochete, então cairá... em Lisboa.

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8/19/2008

Saudades dos anos 90

Surge a notícia que a EDP suspendeu os estudos arqueológicos da barragem do Sabor, alegadamente para não atrasar o projecto e, portanto, apresentar as coisas como facto consumado. Que uma empresa privada faça isto, compreende-se - ninguém, a não ser o mercado a obriga a ter uma postura ética nem há padrões para isso.

Grave sim, é a postura do Governo, ainda mais, neste caso, de um Governo socialista. Quem tem memória, sabe que a barragem do Sabor é a alternativa à barragem de Foz Côa, suspensa logo a seguir à vitória do primeiro Governo de António Guterres, cujo secretário de Estado-adjunto do Ambiente era José Sócrates. Ora, Foz Côa foi suspenso por razões arqueológicas. E sabia-se já, nessa altura, que na zona do Sabor era provável possuir também riqueza arqueológica, além de uma maior riqueza ambiental.

Pois bem, já este Governo socialista, liderado por um antigo ministro do Ambiente, fez tábua rasa das questões ambientais e prepara-se para assobiar para o ar em relação à preservação arqueológica. Estamos na fase do vale-tudo, portanto.

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8/07/2008

Até agora, tudo bem

A entrar na segunda semana de Agosto, o país não anda a arder. A prova de fogo, de que falava há umas semanas, está a ser ultrapassada com sucesso. No entanto, convém destacar dois aspectos essenciais para este sucesso e nem se refere à questão meteorológica.

Por um lado, as ignições estão anormalmente baixas. Raros têm sido os dias com mais de 100 ignições, mesmo em dias de algum calor, o que pode induzir a que se conclua estarem os portugueses, felizmente, a portarem-se bem, não cometendo actividades de risco. De facto, em anos anteriores, era quase incontornável que, em dias como os da última semana, tivessemos mais de 200 ou até mais de 300 ignições - embora, algumas fictícias.

Por outro, perante o reduzido número de ignições, o excessivo número de meios aéreos conseguem atenuar as deficiências do combate - que não muda de um ano para o outro - e a má gestão dos espaços florestais. Com efeito, ainda hoje, num incêndio em Oleiro - extinto em poucas horas - estiveram em acção 12-doze-12 meios aéreos (sete helicópteros e cinco aviões). Uma coisa inusitada, bastante onerosa e que poderá, aliás, ter um perigo subjacente. Tanto aptetrecho não é possível de usar se houver mais ignições e constitui um «convite» aquela pequena franja de pirómanos que gostam de ver as aeronaves a laborar. E, de facto, olhar 12-doze-12 aviões e helicópteros a deitar água num fogo deve ser um espectáculo lindo de se ver... mas não é a solução para proteger a floresta.

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As saudades do Santo Ofício


Enojado que ando do jornalismo, eis aqui mais uma pérola em volta do incontornável caso Maddie. Titula o Jornal de Notícias de ontem (dia 6): «McCann perderam oportunidade de provar a inocência», com subtítulo «Ministério Público acusa casal de ter inviabilizado reconstituição da noite do desaparecimento de Maddie».

Nos tempos da Inquisição, também era assim: tinha de se provar a inocência e qualquer negação à vontade dos juizes do Santo Ofício era vista como forma de esconder a verdade, ou seja, em assumir a culpa. O problema está sobretudo que, por um lado, nem me parece que o Ministério Público tenha acusado o casal de coisa alguma - quanto muito poderá ter lamentado que não tenham colaborado, sendo este um direito que lhe assistia e nem deveria merecer censura, em si mesmo. E, por outro, mais grave, os jornalistas continuam candida e irreponsavelmente a especular.

Se é certo que a história do desaparecimento da menina está mal contada, isto não deveria significar que os jornalistas tivessem o direito de apostar numa história que, por agora, não poderão saber se está a ser bem contada.

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