À Margem Ambiental XCVII
Na votação final dos livros do ano de 2005, dinamizado pelo Programa Livro Aberto, com a colaboração do suplemento cultural Mil Folhas do jornal Público, o meu (agora vosso) O Profeta do Castigo Divino ficou num honroso sexto lugar, com 134 votos, atrás das obras de Fernando Campos, Agustina Bessa-Luís, José Saramago, Rodrigo Guedes de Carvalho e Francisco José Viegas. Para mim é uma honra - que jamais imaginaria há uns anos - estar numa lista onde pontificam alguns dos «nomes grandes» da nossa literatura. Permitam-me este meu pequeno e saboroso orgulho...
1/16/2006
Farpas Verdes CDXLVIII
Por favor, alguém me diga que palavras deverei usar para comentar estas declarações do secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, numa entrevista publicada no Diário de Notícias do passado sábado. É que temo usar termos menos próprios, caso me conceda liberdade para dizer tudo aquilo que me apetece...
Diário de Notícias - Foi um ano difícil para as áreas protegidas, que foram muito afectadas pelo fogo. Como avalia a prevenção feita nessas áreas?
Humberto Rosa - Fiquei agradavelmente surpreendido com o trabalho de casa de prevenção feito pelo Instituto Conservação da Natureza (ICN). Havia um plano interno muito completo. Quando tive notícia dos fogos nos parques, pedi uma avaliação para saber se tinha sido fracasso do plano ou contingência das condições atmosféricas. Não detectei nenhum caso de falta de meios, planeamento ou actuação. Atribuo esse contexto ao que se viveu no resto do País.
Por favor, alguém me diga que palavras deverei usar para comentar estas declarações do secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, numa entrevista publicada no Diário de Notícias do passado sábado. É que temo usar termos menos próprios, caso me conceda liberdade para dizer tudo aquilo que me apetece...
Diário de Notícias - Foi um ano difícil para as áreas protegidas, que foram muito afectadas pelo fogo. Como avalia a prevenção feita nessas áreas?
Humberto Rosa - Fiquei agradavelmente surpreendido com o trabalho de casa de prevenção feito pelo Instituto Conservação da Natureza (ICN). Havia um plano interno muito completo. Quando tive notícia dos fogos nos parques, pedi uma avaliação para saber se tinha sido fracasso do plano ou contingência das condições atmosféricas. Não detectei nenhum caso de falta de meios, planeamento ou actuação. Atribuo esse contexto ao que se viveu no resto do País.
1/14/2006
Farpas Verdes CDXLVII
A pretexto de um comentário do leitor Adolfo Rocha sobre a necessidade de criar emprego e, por isso, sacrificar áreas ambientais, tenho a dizer que esse a um dos maiores mitos para justificar empreendimentos - embora o argumento mais utilizado por políticos. Nem preciso de apontar os resultados/consequências da betonização do Algarve. Basta ver o impacte económico e social dos empreendimentos turísticos já existentes em Grândola. A Torralta deu no que sabemos; e a Soltróia não representa qualquer emprego. Se analisarem os resultados dos Censos ver-se-á que o desemprego daquela zona manteve-se entre 1991 e 2001; nem sequer a população residente fixa; apenas cresceu o sector imobiliário.
Por outro lado, os projectos que agora são aprovados são apenas os primeiros; outros aguardam, numa zona que, como não tem tecido económico sustentado, acaba por tudo «importar»: pedreiros para a construção civil (trabalho sempre temporário) e, no fim, dos poucos trabalhadores (esqueçam os 2 mil que são apontados no projecto...), quase todos serão de fora...
A pretexto de um comentário do leitor Adolfo Rocha sobre a necessidade de criar emprego e, por isso, sacrificar áreas ambientais, tenho a dizer que esse a um dos maiores mitos para justificar empreendimentos - embora o argumento mais utilizado por políticos. Nem preciso de apontar os resultados/consequências da betonização do Algarve. Basta ver o impacte económico e social dos empreendimentos turísticos já existentes em Grândola. A Torralta deu no que sabemos; e a Soltróia não representa qualquer emprego. Se analisarem os resultados dos Censos ver-se-á que o desemprego daquela zona manteve-se entre 1991 e 2001; nem sequer a população residente fixa; apenas cresceu o sector imobiliário.
Por outro lado, os projectos que agora são aprovados são apenas os primeiros; outros aguardam, numa zona que, como não tem tecido económico sustentado, acaba por tudo «importar»: pedreiros para a construção civil (trabalho sempre temporário) e, no fim, dos poucos trabalhadores (esqueçam os 2 mil que são apontados no projecto...), quase todos serão de fora...
1/13/2006
Farpas Verdes CDXLVI
Este Governo e este Ministério do Ambiente arriscam-se a ficar na História como os carrascos finais do ambiente em Portugal. Hoje foi reconhecido o interesse público de dois empreendimentos turísticos no litoral alentejano em pleno Rede Natura.
Aquilo que jamais alguém teve a coragem de aceitar, vem este Governo - constituído por um ex-ministro do Ambiente (José Sócrates), por um ex-secretário de Estado do Ordenamento (Pedro Silva Pereira), por um professor catedrático do Instituto Superior Técnico da área do ambiente (Nunes Correia), por um professor da Faculdade de Ciências de Lisboa e antigo presidente da Associação Portuguesa de Biólogos (Humberto Rosa), por um investigador do Instituto de Ciências Sociais especializado em ordenamento (João Ferrão) e por um antigo presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos e consultor da área ambiental (Mário Lino) - dar a sua aprovação. É vergonhoso, sinto-me defraudado...
E pior ainda: não apenas «vendem» o direito de devassa àquele território a troco de uns míseros cobres de um Fundo de Conservação para a gestão do Sítio da Comporta-Galé (rico precedente que se cria... quem for rico, faz o que quer desde que dê «esmolas» ao Governo) como José Sócrates e Nunes Correia ainda têm o desplante de irem assistir à cerimónia de apresentação dos empreendimentos na próxima segunda-feira, em Melides.
Quem nos salva deste país?
Este Governo e este Ministério do Ambiente arriscam-se a ficar na História como os carrascos finais do ambiente em Portugal. Hoje foi reconhecido o interesse público de dois empreendimentos turísticos no litoral alentejano em pleno Rede Natura.
Aquilo que jamais alguém teve a coragem de aceitar, vem este Governo - constituído por um ex-ministro do Ambiente (José Sócrates), por um ex-secretário de Estado do Ordenamento (Pedro Silva Pereira), por um professor catedrático do Instituto Superior Técnico da área do ambiente (Nunes Correia), por um professor da Faculdade de Ciências de Lisboa e antigo presidente da Associação Portuguesa de Biólogos (Humberto Rosa), por um investigador do Instituto de Ciências Sociais especializado em ordenamento (João Ferrão) e por um antigo presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos e consultor da área ambiental (Mário Lino) - dar a sua aprovação. É vergonhoso, sinto-me defraudado...
E pior ainda: não apenas «vendem» o direito de devassa àquele território a troco de uns míseros cobres de um Fundo de Conservação para a gestão do Sítio da Comporta-Galé (rico precedente que se cria... quem for rico, faz o que quer desde que dê «esmolas» ao Governo) como José Sócrates e Nunes Correia ainda têm o desplante de irem assistir à cerimónia de apresentação dos empreendimentos na próxima segunda-feira, em Melides.
Quem nos salva deste país?
À Margem Ambiental XCVI
Muito inteligente - e, neste caso, investimento que será proveitoso - a utilização do treinador José Mourinho numa campanha publicitária no Reino Unido a favor das rolhas de cortiça, numa iniciativa da APCOR e com algum apoio governamental. As rolhas de cortiça estão, cada vez mais, a sofrer a concorrência de substitutos de pástico e no Reino Unido cerca de 10% das garrafas de vinho já não usam rolhas de cortiça.
Muito inteligente - e, neste caso, investimento que será proveitoso - a utilização do treinador José Mourinho numa campanha publicitária no Reino Unido a favor das rolhas de cortiça, numa iniciativa da APCOR e com algum apoio governamental. As rolhas de cortiça estão, cada vez mais, a sofrer a concorrência de substitutos de pástico e no Reino Unido cerca de 10% das garrafas de vinho já não usam rolhas de cortiça.
1/12/2006
À Margem Ambiental XCV
Aparentemente, tenho mais sucesso literário do que ambiental. Tenho uma ténue frustração por O Estrago da Nação (o livro) não ter esgotado a primeira edição. Ao invés, o meu primeiro romance, Nove Mil Passos, está em segunda edição, e ontem soube que o novo, O Profeta do Castigo Divino, entrou também em segunda edição...
Mas, pronto, mesmo assim, ainda continuarei a insistir a escrever livros sobre ambiente...
Aparentemente, tenho mais sucesso literário do que ambiental. Tenho uma ténue frustração por O Estrago da Nação (o livro) não ter esgotado a primeira edição. Ao invés, o meu primeiro romance, Nove Mil Passos, está em segunda edição, e ontem soube que o novo, O Profeta do Castigo Divino, entrou também em segunda edição...
Mas, pronto, mesmo assim, ainda continuarei a insistir a escrever livros sobre ambiente...
1/11/2006
Floresta III
O fogo sempre existiu em Portugal, as leis contra os incendiários também. A título de exemplo, vejam estas duras, mas pouco democráticas, penas previstas nas Ordenaçãoes Filipinas (início so século XVI) e que, grosso modo, vigoraram até meados do século XIX.
«E se se achar culpado no pôr do fogo, de que se seguir dano, algum scravo, seja açoutado publicamente, e ficará na vontade de seu Senhor pagar o dano, que o fogo fez, ou dar o scravo para se vender, e do preço se pagar o dito dano.
E se o culpado for fôr homem livre, sendo peão, seja prezo, e da Cadêa pague o dano, e mais seja degradado com baraço e pregão pela Villa per dous annos, para Africa.
E sendo Scudeiro, será degradado por dous annos para Africa com pregão na audiencia, e pagará o dano a seus donos.
E se fôr Cavalleiro ou Fidalgo, per seus bens farão as Justiças pagar o dano às partes, e mais no-lo farão saber, para lhe darmos castigo, que nos bem parecer, segundo o dano fôr.»
O fogo sempre existiu em Portugal, as leis contra os incendiários também. A título de exemplo, vejam estas duras, mas pouco democráticas, penas previstas nas Ordenaçãoes Filipinas (início so século XVI) e que, grosso modo, vigoraram até meados do século XIX.
«E se se achar culpado no pôr do fogo, de que se seguir dano, algum scravo, seja açoutado publicamente, e ficará na vontade de seu Senhor pagar o dano, que o fogo fez, ou dar o scravo para se vender, e do preço se pagar o dito dano.
E se o culpado for fôr homem livre, sendo peão, seja prezo, e da Cadêa pague o dano, e mais seja degradado com baraço e pregão pela Villa per dous annos, para Africa.
E sendo Scudeiro, será degradado por dous annos para Africa com pregão na audiencia, e pagará o dano a seus donos.
E se fôr Cavalleiro ou Fidalgo, per seus bens farão as Justiças pagar o dano às partes, e mais no-lo farão saber, para lhe darmos castigo, que nos bem parecer, segundo o dano fôr.»
1/09/2006
Floresta II
Nem de propósito, hoje o Público tem uma interessante manchete: «Metade dos incêndios de 2005 foi fogo posto». O título é algo enviesado, pois na verdade o que a notícia aborda é a causa dos incêndios em função da área ardida total. Ou seja, cerca de 47% da área ardida teve na sua origem actos de incendiarismo (o incendiarismo não é apenas fogo posto...). Ora, uma coisa é a percentagem de área ardida; outra, a percentagem do número de ocorrências fogos.
Infelizmente, estas notícias - mesmo se bem intencionadas, como acredito que é o caso da notícia do jornalista do Público, Ricardo Garcia - têm efeitos contraproducentes, pois de certa forma desculpam as falhas do sistema de prevenção, vigilância e combate dos incêndios florestais. Diabolizando os causadores, está a transmitir-se a ideia de que existem «forças malignas» que estão na base das catástrofes dos incêndios florestais.
Julgo interessante ver que, por exemplo, na Espanha o incendiarismo é «mato» - ou seja, os incêndios, neste caso o número, e não a área afectada, representam a maioria das causas. Num estudo feito no ano passado, pegando nos dados do decénio 1994-2003, chegou-se à conclusão que 62% dos incêndios foram intencionais, valores que, aliás, se mantiveram quase sempre estáveis ao longo dos anos. Contudo, esta parecentagem elevada de incendiarismo - tão grande ou maior do que em Portugal - não tem correspondência com a extensão da área ardida.
Também me parece algo falacioso que se destaque o aumento do número de detenções de suspeitos incendiários, referindo que se passou de 80 em 2004 para 147 em 2005. As variações de um ano para o outro não têm a ver com um aumento da criminalidade, mas antes com o aumento das acções de inspecção e investigação pela GNR e PJ. Não estou com isto a dizer que não há incendiários; pelo contrário. Existem mais, mas onde eles existem em maior número são nas regiões onde quase nunca são feitas investigações das causas: por exemplo, em alguns concelhos dos distritos do Porto e Braga onde existe uma enormidade de incêndios, mas de pequena dimensão. Aliás, sobre esta matéria é interessante analisar o tal estudo espanhol, pois revela a existência de causas sociais entre as distintas regiões que «justificam» o incendiarismo.
Nem de propósito, hoje o Público tem uma interessante manchete: «Metade dos incêndios de 2005 foi fogo posto». O título é algo enviesado, pois na verdade o que a notícia aborda é a causa dos incêndios em função da área ardida total. Ou seja, cerca de 47% da área ardida teve na sua origem actos de incendiarismo (o incendiarismo não é apenas fogo posto...). Ora, uma coisa é a percentagem de área ardida; outra, a percentagem do número de ocorrências fogos.
Infelizmente, estas notícias - mesmo se bem intencionadas, como acredito que é o caso da notícia do jornalista do Público, Ricardo Garcia - têm efeitos contraproducentes, pois de certa forma desculpam as falhas do sistema de prevenção, vigilância e combate dos incêndios florestais. Diabolizando os causadores, está a transmitir-se a ideia de que existem «forças malignas» que estão na base das catástrofes dos incêndios florestais.
Julgo interessante ver que, por exemplo, na Espanha o incendiarismo é «mato» - ou seja, os incêndios, neste caso o número, e não a área afectada, representam a maioria das causas. Num estudo feito no ano passado, pegando nos dados do decénio 1994-2003, chegou-se à conclusão que 62% dos incêndios foram intencionais, valores que, aliás, se mantiveram quase sempre estáveis ao longo dos anos. Contudo, esta parecentagem elevada de incendiarismo - tão grande ou maior do que em Portugal - não tem correspondência com a extensão da área ardida.
Também me parece algo falacioso que se destaque o aumento do número de detenções de suspeitos incendiários, referindo que se passou de 80 em 2004 para 147 em 2005. As variações de um ano para o outro não têm a ver com um aumento da criminalidade, mas antes com o aumento das acções de inspecção e investigação pela GNR e PJ. Não estou com isto a dizer que não há incendiários; pelo contrário. Existem mais, mas onde eles existem em maior número são nas regiões onde quase nunca são feitas investigações das causas: por exemplo, em alguns concelhos dos distritos do Porto e Braga onde existe uma enormidade de incêndios, mas de pequena dimensão. Aliás, sobre esta matéria é interessante analisar o tal estudo espanhol, pois revela a existência de causas sociais entre as distintas regiões que «justificam» o incendiarismo.
À Margem Ambiental XCIV
Na série de entrevistas informais que a SIC Notícias fez aos candidatos presidenciais, Cavaco Silva terá dito que gosta de ler romances históricos e que o último livro que leu foi sobre o terramoto. Ele acrescentou que não iria dizer o nome do autor para não melindrar os outros. Claro está que, mesmo assim, tenho recebido, de várias pessoas, os parabéns por o meu O Profeta do Castigo Divino ter sido lido por Cavaco Silva. Mas tenho-lhes dito que apenas sou um dos cinco candidatos, tendo em conta que outros também abordaram o tema, a saber: Luís Rosa (O Terramoto de Lisboa e a Invenção do Mundo), Júlia Nery (O Segredo Perdido), Miguel Real (A Voz da Terra) e, embora seja um ensaio, Rui Tavares (O Pequeno Livro do Grande Terramoto). Estamos, portanto, perante mais um famoso tabu do professor Cavaco Silva...
P.S. Mas mais gratificante do que a eventualidade de Cavaco Silva ter lido ou não o meu livro (de qualquer modo, o meu voto será concedido ao candidato que divulgar o meu livro... eh eh eh), é o facto de estar entre os 10 finalistas de livros de ficção portuguesa do Programa Livro Aberto, dinamizado pelo Francisco José Viegas. É uma honra, um orgulho e uma responsabilidade, por esta exacta ordem...
Na série de entrevistas informais que a SIC Notícias fez aos candidatos presidenciais, Cavaco Silva terá dito que gosta de ler romances históricos e que o último livro que leu foi sobre o terramoto. Ele acrescentou que não iria dizer o nome do autor para não melindrar os outros. Claro está que, mesmo assim, tenho recebido, de várias pessoas, os parabéns por o meu O Profeta do Castigo Divino ter sido lido por Cavaco Silva. Mas tenho-lhes dito que apenas sou um dos cinco candidatos, tendo em conta que outros também abordaram o tema, a saber: Luís Rosa (O Terramoto de Lisboa e a Invenção do Mundo), Júlia Nery (O Segredo Perdido), Miguel Real (A Voz da Terra) e, embora seja um ensaio, Rui Tavares (O Pequeno Livro do Grande Terramoto). Estamos, portanto, perante mais um famoso tabu do professor Cavaco Silva...
P.S. Mas mais gratificante do que a eventualidade de Cavaco Silva ter lido ou não o meu livro (de qualquer modo, o meu voto será concedido ao candidato que divulgar o meu livro... eh eh eh), é o facto de estar entre os 10 finalistas de livros de ficção portuguesa do Programa Livro Aberto, dinamizado pelo Francisco José Viegas. É uma honra, um orgulho e uma responsabilidade, por esta exacta ordem...
Floresta I
Uma das causas para uma menor frequência de posts desde o início do ano prende-se com a minha próxima tarefa: a escrita de um novo livro. Desta vez, contudo, regresso aos temas ambientais. Estou a escrever um ensaio/análise sobre a floresta e os incêndios florestais, que será publicado antes de Maio pela Dom Quixote. Como terei que concluir a primeira versão até princípios de Março, peço que compreendam esta menor actividade.
Em todo o caso, para «compensar», prometo ir apresentando alguns factos curiosos (aguçar o apetite) sobre o que estou escrevendo ao longo das próximas semanas...
E já agora, todas as sugestões, ideias e outras coisas que tais sobre esta temática serão bem vindas...
Uma das causas para uma menor frequência de posts desde o início do ano prende-se com a minha próxima tarefa: a escrita de um novo livro. Desta vez, contudo, regresso aos temas ambientais. Estou a escrever um ensaio/análise sobre a floresta e os incêndios florestais, que será publicado antes de Maio pela Dom Quixote. Como terei que concluir a primeira versão até princípios de Março, peço que compreendam esta menor actividade.
Em todo o caso, para «compensar», prometo ir apresentando alguns factos curiosos (aguçar o apetite) sobre o que estou escrevendo ao longo das próximas semanas...
E já agora, todas as sugestões, ideias e outras coisas que tais sobre esta temática serão bem vindas...
1/06/2006
Farpas Verdes CDXLV
Anteontem foi aprovado pelo Parlamento um diploma que prevê o agravamento das coimas ambientais. O máximo é de 2,5 milhões de euros (500 mil contos), podendo ser duplicado em caso de grande gravidade para a saúde pública.
Ah, grande Governo e grande Assembleia da República: o ambiente está salvaguardado. O nosso problema estava afinal nos montantes das coimas! E eu que pensava que estava na falta de meios de fiscalização e inspecção ou na ausência de aplicação, com rigor, das normas legais...
Anteontem foi aprovado pelo Parlamento um diploma que prevê o agravamento das coimas ambientais. O máximo é de 2,5 milhões de euros (500 mil contos), podendo ser duplicado em caso de grande gravidade para a saúde pública.
Ah, grande Governo e grande Assembleia da República: o ambiente está salvaguardado. O nosso problema estava afinal nos montantes das coimas! E eu que pensava que estava na falta de meios de fiscalização e inspecção ou na ausência de aplicação, com rigor, das normas legais...
12/31/2005
À Margem Ambiental XCII
Caso tenha oportunidade, nos próximos dias farei o balanço ambiental de 2005. Não será famoso, infelizmente. Grande expectativos foram criadas com o novo Governo, mas até agora aquilo que se tem visto é pouco e o pouco não é nada bom. A crise, dizem, é a culpada; mas de que crise estamos nós a falar? Na crise de mentalidade?
Em todo o caso, um Bom Ano Novo, pois a esperança, diz a tradição, é a última a morrer.
Caso tenha oportunidade, nos próximos dias farei o balanço ambiental de 2005. Não será famoso, infelizmente. Grande expectativos foram criadas com o novo Governo, mas até agora aquilo que se tem visto é pouco e o pouco não é nada bom. A crise, dizem, é a culpada; mas de que crise estamos nós a falar? Na crise de mentalidade?
Em todo o caso, um Bom Ano Novo, pois a esperança, diz a tradição, é a última a morrer.
À Margem Ambiental XCI
Colocado no Reportagens Ambientais, o meu último (literalmente, pois para a semana acaba) trabalho para a revista Grande Reportagem, que abordou questões relacionadas com água para consumo humano e abastecimento doméstico (donde se conclui que, também aqui, viver no interior do país é cada vez mais difícil).
Sinto uma certa tristeza por ver «morrer» a Grande Reportagem (colaborava desde 1998), uma revista que marcou um período onde o jornalismo de investigação e de causas teve o seu período de ouro.
Colocado no Reportagens Ambientais, o meu último (literalmente, pois para a semana acaba) trabalho para a revista Grande Reportagem, que abordou questões relacionadas com água para consumo humano e abastecimento doméstico (donde se conclui que, também aqui, viver no interior do país é cada vez mais difícil).
Sinto uma certa tristeza por ver «morrer» a Grande Reportagem (colaborava desde 1998), uma revista que marcou um período onde o jornalismo de investigação e de causas teve o seu período de ouro.
12/28/2005
Farpas Verdes CDXLIVAtravés do Origem das Espécies , tomei conhecimento de um oportuno blog que mostra um dos lados negros da nossa civilidade: chama-se simplesmente Lixo e apresenta um conjunto de fotografias elucidativas das nossas belas paisagens.
A foto aqui ao lado, que de lá retirei, foi tirada numa praia entre Figueira da Foz e Aveiro. Mas há mais, como a de ecopontos a abarrotar, porque as autarquias não se dão ao trabalho de fazer recolhas periódicas (em Lisboa, os ecopontos estão a transformar-se em pequenas lixeiras, nauseabundas, que dão uma péssima imagem da recolha selectiva e da reciclagem).
Farpas Verdes CDXLIII
O folhetim do CP Valour, encalhado no Faial desde o dia 9, mostra bem o actual nível de eficácia
do combate aos acidentes marítimos em Portugal. Hoje, por exemplo, o Público refere que avariou o helicóptero que iria tentar retirar os contentores. Enfim, felizmente que este foi um pequeno acidente...
O folhetim do CP Valour, encalhado no Faial desde o dia 9, mostra bem o actual nível de eficácia
do combate aos acidentes marítimos em Portugal. Hoje, por exemplo, o Público refere que avariou o helicóptero que iria tentar retirar os contentores. Enfim, felizmente que este foi um pequeno acidente...
12/23/2005
Farpas Verdes CDXLII
Por estas (barragem do Sabor) e por outras, numa escala de 1 a 20, o actual Ministério do Ambiente merece uma nota abaixo de 0 (zero). No início do ano tinha boas expectativas em relação à equipa ministerial e mesmo aos vários membros do Governo de outros ministérios. Contudo, não consigo encontrar uma medida de jeito, um golpe de asa, absolutamente nada que corresponda aquilo que o país necessita para um desenvolvimento sustentável. Nos anteriores Governos sempre se poderia argumentar que «coitados, não sabem o que fazem, porque não têm sensbilidade ambiental». No actual Governo, tal não se verifica, o que, para mim, é de maior gravidade. É indesculpável, pois não há aqui negligência na defesa do ambiente; há sim dolo contra o ambiente.
Por estas (barragem do Sabor) e por outras, numa escala de 1 a 20, o actual Ministério do Ambiente merece uma nota abaixo de 0 (zero). No início do ano tinha boas expectativas em relação à equipa ministerial e mesmo aos vários membros do Governo de outros ministérios. Contudo, não consigo encontrar uma medida de jeito, um golpe de asa, absolutamente nada que corresponda aquilo que o país necessita para um desenvolvimento sustentável. Nos anteriores Governos sempre se poderia argumentar que «coitados, não sabem o que fazem, porque não têm sensbilidade ambiental». No actual Governo, tal não se verifica, o que, para mim, é de maior gravidade. É indesculpável, pois não há aqui negligência na defesa do ambiente; há sim dolo contra o ambiente.
Farpas Verdes CDXLI
A vergonha, decididamente, é uma expressão que não consta do léxico governamental. O argumento de José Sócrates para a aprovação da barragem do Baixo Sabor - quando o então porta-voz socialista na oposição e actual ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, estava contra no ano passado por esta obra ser «claramente contra o ambiente» - é tão esfarrapado que nem merece comentários. Claro está que a União Europeia não vai achar grande piada a esta decisão e vem aí, por certo, um processo judicial. Mas o grande problema é que a acção de Bruxelas acabará por ser duplamente penalizadora para os contribuintes portugueses: primeiro, porque, na verdade, não poderá proibir a construção, quanto muito não fornece apoios financeiros (e acabaremos nós por pagar as obras todas), e segundo, poderá vir a aplicar multas ao Estado português, o que significa que quem pagará são sempre os contribuintes (ou seja, nós).
A vergonha, decididamente, é uma expressão que não consta do léxico governamental. O argumento de José Sócrates para a aprovação da barragem do Baixo Sabor - quando o então porta-voz socialista na oposição e actual ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, estava contra no ano passado por esta obra ser «claramente contra o ambiente» - é tão esfarrapado que nem merece comentários. Claro está que a União Europeia não vai achar grande piada a esta decisão e vem aí, por certo, um processo judicial. Mas o grande problema é que a acção de Bruxelas acabará por ser duplamente penalizadora para os contribuintes portugueses: primeiro, porque, na verdade, não poderá proibir a construção, quanto muito não fornece apoios financeiros (e acabaremos nós por pagar as obras todas), e segundo, poderá vir a aplicar multas ao Estado português, o que significa que quem pagará são sempre os contribuintes (ou seja, nós).
12/18/2005
Farpas Verdes CDXL
O Ministério do Ambiente está a preparar uma revisão do regime da Reserva Ecológica Nacional (REN). Ora, olhando para o documento a que tive acesso, na maioria dos casos, as autorizações ao sacrifício de áreas de REN parecem-se de pequeno pormenor, uma vez que se destinam sobretudo a explorações agrícolas ou de apoios ao turismo que não me parecem demasiado «impactantes».
Contudo, por normas, no rol de boas intenções surgem sempre uma «porta de oportunidades» para negociatas. E, neste caso, a ser aprovado o novo regime de REN permite criar um negócio bem lucrativo: a construção em zonas rurais integradas em REN para posterior venda passados cinco anos sob a forma de «quintinha». A portaria refere que apenas será autorizada «a habitação para fixação em regime de residência própria e permanente dos agricultores, desde que expressamente previsto e regulamentado em plano municipal de ordenamento do território» e que «a sua autorização deverá cumprir os seguintes requisitos:
- Inexistência de alternativas de localização, a comprovar, devendo para o efeito ser apresentada certidão da Conservatória do Registo Predial e Parcelário com a descrição dos prédios rústicos e urbanos que o requerente possui em seu nome e respectiva implantação em carta militar à escala 1:25.000.
- O requerente ser agricultor a título principal, comprometendo-se a manter a exploração agrícola durante, no mínimo 5 anos, não podendo alienar a habitação desligada da exploração agrícola, constituindo esta inalienabilidade um ónus registável obrigatoriamente no registo predial do prédio em causa.
- A pretensão estar integrada e servir exploração agrícola sustentável, justificada e comprovada com declaração passada pela Direcção Regional de Agricultura respectiva. A aplicação deste requisito carece de definição por parte do MADRP, de Exploração Agrícola Sustentável.
- A área mínima do prédio (unidade matricial) onde se pretende instalar a habitação ser pelo menos o dobro da unidade mínima de cultura definida nos termos da legislação aplicável.
-Obter previamente autorização da Comissão Regional da Reserva Agrícola para ocupação não agrícola de solos da RAN, caso a instalação se insira em solos de RAN, e do Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica, caso a área se encontre abrangida por aproveitamento hidroagrícola e projectos de emparcelamento rural.»
Ora, um agricultor com olho para o negócio imobiliário faz o seguinte:
A) Se tiver uma pequena parcela, constrói uma vivenda na REN, obtém a chancela de «Exploração Agrícola Sustentável» (como se define, não se diz), planta umas couves durante cinco ano e vende a sua «quintinha».
B) Se tiver uma área substancial, faz primeiro um fraccionamento de prédio rústico (com o cuidado de colocar as parcelas com o dobro da unidade mínima de cultura), distribui cada parcela por familiares obviamente agricultores, em cada parcela se constrói uma vivenda, e depois segue o referido em A).
Tudo isto em sítios como cabeceiras de linhas de água, áreas de máxima infiltração e áreas com risco de erosão. E, claro, tudo isto vai implicar o aumento da dispersão urbanística e o aumento dos custos de saneamento básico, pagos por todos nós. Há, por certo, muita gente já a esfregar as mãos de contente...
O Ministério do Ambiente está a preparar uma revisão do regime da Reserva Ecológica Nacional (REN). Ora, olhando para o documento a que tive acesso, na maioria dos casos, as autorizações ao sacrifício de áreas de REN parecem-se de pequeno pormenor, uma vez que se destinam sobretudo a explorações agrícolas ou de apoios ao turismo que não me parecem demasiado «impactantes».
Contudo, por normas, no rol de boas intenções surgem sempre uma «porta de oportunidades» para negociatas. E, neste caso, a ser aprovado o novo regime de REN permite criar um negócio bem lucrativo: a construção em zonas rurais integradas em REN para posterior venda passados cinco anos sob a forma de «quintinha». A portaria refere que apenas será autorizada «a habitação para fixação em regime de residência própria e permanente dos agricultores, desde que expressamente previsto e regulamentado em plano municipal de ordenamento do território» e que «a sua autorização deverá cumprir os seguintes requisitos:
- Inexistência de alternativas de localização, a comprovar, devendo para o efeito ser apresentada certidão da Conservatória do Registo Predial e Parcelário com a descrição dos prédios rústicos e urbanos que o requerente possui em seu nome e respectiva implantação em carta militar à escala 1:25.000.
- O requerente ser agricultor a título principal, comprometendo-se a manter a exploração agrícola durante, no mínimo 5 anos, não podendo alienar a habitação desligada da exploração agrícola, constituindo esta inalienabilidade um ónus registável obrigatoriamente no registo predial do prédio em causa.
- A pretensão estar integrada e servir exploração agrícola sustentável, justificada e comprovada com declaração passada pela Direcção Regional de Agricultura respectiva. A aplicação deste requisito carece de definição por parte do MADRP, de Exploração Agrícola Sustentável.
- A área mínima do prédio (unidade matricial) onde se pretende instalar a habitação ser pelo menos o dobro da unidade mínima de cultura definida nos termos da legislação aplicável.
-Obter previamente autorização da Comissão Regional da Reserva Agrícola para ocupação não agrícola de solos da RAN, caso a instalação se insira em solos de RAN, e do Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica, caso a área se encontre abrangida por aproveitamento hidroagrícola e projectos de emparcelamento rural.»
Ora, um agricultor com olho para o negócio imobiliário faz o seguinte:
A) Se tiver uma pequena parcela, constrói uma vivenda na REN, obtém a chancela de «Exploração Agrícola Sustentável» (como se define, não se diz), planta umas couves durante cinco ano e vende a sua «quintinha».
B) Se tiver uma área substancial, faz primeiro um fraccionamento de prédio rústico (com o cuidado de colocar as parcelas com o dobro da unidade mínima de cultura), distribui cada parcela por familiares obviamente agricultores, em cada parcela se constrói uma vivenda, e depois segue o referido em A).
Tudo isto em sítios como cabeceiras de linhas de água, áreas de máxima infiltração e áreas com risco de erosão. E, claro, tudo isto vai implicar o aumento da dispersão urbanística e o aumento dos custos de saneamento básico, pagos por todos nós. Há, por certo, muita gente já a esfregar as mãos de contente...
12/15/2005
Farpas Verdes CDXXXIX
Eis como se mostra faceta social do actual Governo socialista:
a) a semana passada, divulgou-se a intenção de fechar durante a noite as emergências das unidades de saúde que não tenham mais de 20 atendimentos diários. Onde ficam essas unidades? No interior, claro! E quem mais lá vive? Os idosos, claro, aquele que mais cuidados de saúde necessitam.
b) esta semana, anunciou-se o futuro encerramento de alguns hospitais em Lisboa, com especial destaque para o de São José. Onde fica esta unidade? Na zona mais antiga de Lisboa? E quem mais lá vive? Os idosos, claro, muitos dos quais vivendo sozinhos. Aliás, já tenho dito e escrito: coração de Lisboa é semelhante aos concelhos do interior mais carenciados. Em ponto grande, mas com os mesmos problemas sociais.
Nesta senda de cortes de despesas sem um pingo de humanidade, cada vez se me torna mais díficil aguentar as voltas do estômago enquanto ouço o Governo a fazer-nos de parvos, em loas ao TGV e ao aeroporto da Ota, obras que não são prioridades neste país.
Eis como se mostra faceta social do actual Governo socialista:
a) a semana passada, divulgou-se a intenção de fechar durante a noite as emergências das unidades de saúde que não tenham mais de 20 atendimentos diários. Onde ficam essas unidades? No interior, claro! E quem mais lá vive? Os idosos, claro, aquele que mais cuidados de saúde necessitam.
b) esta semana, anunciou-se o futuro encerramento de alguns hospitais em Lisboa, com especial destaque para o de São José. Onde fica esta unidade? Na zona mais antiga de Lisboa? E quem mais lá vive? Os idosos, claro, muitos dos quais vivendo sozinhos. Aliás, já tenho dito e escrito: coração de Lisboa é semelhante aos concelhos do interior mais carenciados. Em ponto grande, mas com os mesmos problemas sociais.
Nesta senda de cortes de despesas sem um pingo de humanidade, cada vez se me torna mais díficil aguentar as voltas do estômago enquanto ouço o Governo a fazer-nos de parvos, em loas ao TGV e ao aeroporto da Ota, obras que não são prioridades neste país.
12/13/2005
À Margem Ambiental LXXXVIII
O professor Jorge Paiva, professor da Universidade de Coimbra e biólogo incansável na defesa da causa ambiental, tem o duradouro costume de presentear os seus amigos, nos quais honrosamente me incluo, com um postal de Natal sempre de cariz ecológico que nos faz sempre reflectir.
Desta vez, recorda-nos o drama dos incêndios que nem sequer pouparam a cidade de Coimbra. Deixo aqui a frente do postal com duas fotografias do incêndio daquela cidade de Agosto passado.
O professor Jorge Paiva, professor da Universidade de Coimbra e biólogo incansável na defesa da causa ambiental, tem o duradouro costume de presentear os seus amigos, nos quais honrosamente me incluo, com um postal de Natal sempre de cariz ecológico que nos faz sempre reflectir.
Desta vez, recorda-nos o drama dos incêndios que nem sequer pouparam a cidade de Coimbra. Deixo aqui a frente do postal com duas fotografias do incêndio daquela cidade de Agosto passado.
12/09/2005
Farpas Verdes CDXXXVIII
Mais uma vez estamos a colocar o carro à frente dos bois. Hoje, a comunicação social anuncia a assinatura de um memorando de entendimento entre um grupo de empresário, liderado por Patrick Monteiro de Barros, e o Governo para a construção de uma refinaria em Sines. A informação é escassa, mas existem aqui algumas questões que me assustam. Por exemplo, diz-se que as obras se inciam daqui a seis meses, coisa que me parece pouco crível, tendo em conta que não existe, que se saiba, qualquer estudo de impacte ambiental. Depois, surge a informação que grande parte do combustível será exportado para os Estados Unidos, o que a ser verdade me cheira a uma clara estratégia de «dumping ambiental». Falta, por outro lado, saber se a construção de uma nova refinaria implicará o encerramento da central da Petrogal de Matosinhos e se é sensato, justo e ambientalmente correcto que Sines fique com duas refinarias (sempre poluentes). E, por fim, preocupa-me o facto de a Quercus, na voz do seu presidente, afirmar que «encaramos isto [construção da nova refinaria] como uma inevitabilidade».
Mais uma vez estamos a colocar o carro à frente dos bois. Hoje, a comunicação social anuncia a assinatura de um memorando de entendimento entre um grupo de empresário, liderado por Patrick Monteiro de Barros, e o Governo para a construção de uma refinaria em Sines. A informação é escassa, mas existem aqui algumas questões que me assustam. Por exemplo, diz-se que as obras se inciam daqui a seis meses, coisa que me parece pouco crível, tendo em conta que não existe, que se saiba, qualquer estudo de impacte ambiental. Depois, surge a informação que grande parte do combustível será exportado para os Estados Unidos, o que a ser verdade me cheira a uma clara estratégia de «dumping ambiental». Falta, por outro lado, saber se a construção de uma nova refinaria implicará o encerramento da central da Petrogal de Matosinhos e se é sensato, justo e ambientalmente correcto que Sines fique com duas refinarias (sempre poluentes). E, por fim, preocupa-me o facto de a Quercus, na voz do seu presidente, afirmar que «encaramos isto [construção da nova refinaria] como uma inevitabilidade».
12/07/2005
Farpas Verdes CDXXXVII
Não vale a pena chover no molhado, mas continuo a lamentar que o site do Instituto da Água não seja semelhante ao do Ministério do Ambiente de Espanha, quer na facilidade de consulta (muito simples e informativo, com o essencial) quer na actualização (semanal, em Espanha; apenas mensal, em Portugal).
Serve isto para dizer que consultei hoje o site espanhol e verifico aquilo que já desconfiava: em Portugal estão a lançar os foguetes antes da festa, ou seja, a anunciar o fim da seca antes de tempo. Julgo que a precipitação deste Outono em Espanha não tem sido muito diferente da de Portugal; ou seja, um período normalmente chuvoso. Ora, se formos analisar a situação actual e evolução do armazenamento de água no presente ano hidrológico (iniciado em Setembro) na parte espanhola das bacias do Douro, Tejo e de uma parte da bacia do Guadiana (vd. gráficos em baixo), reparamos que os níveis, quanto muito são idênticos aos do período homólogo de 2004 (Douro e Guadiana) ou inferiores (Tejo) [comparar linha vermelha com a linha verde]. Em todos os casos, contudo, são níveis muito abaixo da média dos últimos 5 anos (linha amarela) e 10 anos (linha azul). Em conclusão: o espectro da seca mantém-se...


Não vale a pena chover no molhado, mas continuo a lamentar que o site do Instituto da Água não seja semelhante ao do Ministério do Ambiente de Espanha, quer na facilidade de consulta (muito simples e informativo, com o essencial) quer na actualização (semanal, em Espanha; apenas mensal, em Portugal).
Serve isto para dizer que consultei hoje o site espanhol e verifico aquilo que já desconfiava: em Portugal estão a lançar os foguetes antes da festa, ou seja, a anunciar o fim da seca antes de tempo. Julgo que a precipitação deste Outono em Espanha não tem sido muito diferente da de Portugal; ou seja, um período normalmente chuvoso. Ora, se formos analisar a situação actual e evolução do armazenamento de água no presente ano hidrológico (iniciado em Setembro) na parte espanhola das bacias do Douro, Tejo e de uma parte da bacia do Guadiana (vd. gráficos em baixo), reparamos que os níveis, quanto muito são idênticos aos do período homólogo de 2004 (Douro e Guadiana) ou inferiores (Tejo) [comparar linha vermelha com a linha verde]. Em todos os casos, contudo, são níveis muito abaixo da média dos últimos 5 anos (linha amarela) e 10 anos (linha azul). Em conclusão: o espectro da seca mantém-se...


À Margem Ambiental LXXXVII
O Diário de Notícias revela hoje que Portugal foi o país da União Europeia que mais cortes aplicou à investigação e desenvolvimento (I&D) entre 2001 e 2004. Vejam aqui a notícia, embora seja um daqueles tristes casos de artigo escrito com os pés (cadê os editores ou revisores, meu Deus, já que os jornalistas estão a desaprender a escrever), cada vez mais habitual nos jornais ditos de referência..
P.S. Eu sei que dou erros aqui no blog - e mesmo em artigos (ou nos livros), mas caramba, esta notícia do DN está mesmo mal escritinha, benza-o Deus!
O Diário de Notícias revela hoje que Portugal foi o país da União Europeia que mais cortes aplicou à investigação e desenvolvimento (I&D) entre 2001 e 2004. Vejam aqui a notícia, embora seja um daqueles tristes casos de artigo escrito com os pés (cadê os editores ou revisores, meu Deus, já que os jornalistas estão a desaprender a escrever), cada vez mais habitual nos jornais ditos de referência..
P.S. Eu sei que dou erros aqui no blog - e mesmo em artigos (ou nos livros), mas caramba, esta notícia do DN está mesmo mal escritinha, benza-o Deus!
12/05/2005
Farpas Verdes CDXXXVI
O Tribunal de Contas anunciou hoje que numa análise à CP que a empresa ferroviária está em falência técnica. Não me admira, porque jamais uma empresa de transportes públicos que desincentiva o seu uso pode dar lucro. Vejam os horários dos percursos que não sejam os da Linha do Norte. Vejam os preços dos bilhetes das viagens... mais caros do que os do transporte rodoviário.
Há cerca de uma semana tive uma experiência (má) com a CP que irritaria qualquer um. Decidi viajar de comboio até Pombal, a partir de Lisboa, e optei por comprar o bilhete através da Internet, beneficiando de um desconto de 10%. Por vicissitudes várias (entre as quais uma viagem de metro entre a Baixa e a Gare do Oriente demorar 35 minutos...) perdi o comboio. Numa situação normal, ou seja, comprando o bilhete na estação, poderia ter trocado o bilhete. Mas como o bilhete fora adquirido na Internet, não podia, disseram-me. Tinha que comprar outro! Reclamei na bilheteira; reclamei no gabinete de apoio ao cliente. Foi uma discussão linguística. Eles diziam que o bilhete comprado na Internet não era revalidável - ou seja, trocar ou anular. Eu dizia-lhes que entendia revalidável era no sentido de que não necessitava de ir à bilheteira com a impressão do bilhete feita através da Internet. Acrescentei que, em caso de não se poder fazer troca de comboio (o que num bilhete normal se pode fazer), quanto muito deveriam escrever que o bilhete não era sujeito a convalidação.
Nada disto surtiu efeito. «Aconselharam-me» que comprasse outro bilhete e depois reclamasse para a administração da CP. Irritado com este tratamento, optei por entrar no comboio... com o bilhete comprado na Internet. Felizmente, o revisor teve o bom senso de não me multar. Mas irritado com a CP, ai isso fiquei...
O Tribunal de Contas anunciou hoje que numa análise à CP que a empresa ferroviária está em falência técnica. Não me admira, porque jamais uma empresa de transportes públicos que desincentiva o seu uso pode dar lucro. Vejam os horários dos percursos que não sejam os da Linha do Norte. Vejam os preços dos bilhetes das viagens... mais caros do que os do transporte rodoviário.
Há cerca de uma semana tive uma experiência (má) com a CP que irritaria qualquer um. Decidi viajar de comboio até Pombal, a partir de Lisboa, e optei por comprar o bilhete através da Internet, beneficiando de um desconto de 10%. Por vicissitudes várias (entre as quais uma viagem de metro entre a Baixa e a Gare do Oriente demorar 35 minutos...) perdi o comboio. Numa situação normal, ou seja, comprando o bilhete na estação, poderia ter trocado o bilhete. Mas como o bilhete fora adquirido na Internet, não podia, disseram-me. Tinha que comprar outro! Reclamei na bilheteira; reclamei no gabinete de apoio ao cliente. Foi uma discussão linguística. Eles diziam que o bilhete comprado na Internet não era revalidável - ou seja, trocar ou anular. Eu dizia-lhes que entendia revalidável era no sentido de que não necessitava de ir à bilheteira com a impressão do bilhete feita através da Internet. Acrescentei que, em caso de não se poder fazer troca de comboio (o que num bilhete normal se pode fazer), quanto muito deveriam escrever que o bilhete não era sujeito a convalidação.
Nada disto surtiu efeito. «Aconselharam-me» que comprasse outro bilhete e depois reclamasse para a administração da CP. Irritado com este tratamento, optei por entrar no comboio... com o bilhete comprado na Internet. Felizmente, o revisor teve o bom senso de não me multar. Mas irritado com a CP, ai isso fiquei...
Farpas Verdes CDXXXV
O Ministério do Ambiente anunciou hoje que, definitivamente, as autarquias da região centro não irão construir qualquer central de incineração dos lixos urbanos. Julgo não me enganar, mas ainda no anterior Governo, esta decisão tinha sido tomada, pelo que esta decisão do ministro Nunes Correia significa que os autarcas e os administradores da ERSUC continuaram as pressões para levar os seus «negócios» avante. Em todo o caso, esta decisão do Ministério do Ambiente merece aplauso (embora eu seja sempre parco em aplausos aos «chumbos» de propostas estapafúrdias).
O Ministério do Ambiente anunciou hoje que, definitivamente, as autarquias da região centro não irão construir qualquer central de incineração dos lixos urbanos. Julgo não me enganar, mas ainda no anterior Governo, esta decisão tinha sido tomada, pelo que esta decisão do ministro Nunes Correia significa que os autarcas e os administradores da ERSUC continuaram as pressões para levar os seus «negócios» avante. Em todo o caso, esta decisão do Ministério do Ambiente merece aplauso (embora eu seja sempre parco em aplausos aos «chumbos» de propostas estapafúrdias).
12/01/2005
À Margem Ambiental LXXXVI
Finalmente! O objectivo de ultrapassar as 5.000 visitas num mês foi atingido em Novembro. Apesar de umas quantas intermitências na frequência dos posts (e, confesso, na profundidade das análises...), tenho sido bafejado por um aumento sustentado de visitantes, aos quais agradeço. Para quem no primeiro ano de existência (2004) jamais tinha ultrapassado as 2.000 visitas por mês, esta perfomance é um ânimo para continuar. Obrigado a todos.
Finalmente! O objectivo de ultrapassar as 5.000 visitas num mês foi atingido em Novembro. Apesar de umas quantas intermitências na frequência dos posts (e, confesso, na profundidade das análises...), tenho sido bafejado por um aumento sustentado de visitantes, aos quais agradeço. Para quem no primeiro ano de existência (2004) jamais tinha ultrapassado as 2.000 visitas por mês, esta perfomance é um ânimo para continuar. Obrigado a todos.
Farpas Verdes CDXXXIV
Desde o último Verão, tenho tido a oportunidade de viajar pelo interior do país. É uma dor de alma ver o negro como cor dominante. Ontem passei de carro pelas famosas Venda da Gaita e Picha, no concelho de Pedrógão Grande, que também foram passadas pelos fogos deste ano. O país está mesmo f*****.
Desde o último Verão, tenho tido a oportunidade de viajar pelo interior do país. É uma dor de alma ver o negro como cor dominante. Ontem passei de carro pelas famosas Venda da Gaita e Picha, no concelho de Pedrógão Grande, que também foram passadas pelos fogos deste ano. O país está mesmo f*****.
Farpas Verdes CDXXXIII
Em reportagem, estive em Galafura. É terrinha transmontana famosa, com um miradouro estupendo sobre o vale do Douro, no qual Miguel Torga escreveu que é «uma quilha de barco no meio do vale, com água por todos os lados». Pois bem, avistar água, avista-se, mas somente agora estão em execução as obras de abastecimento público a uma freguesia da Régua, com cerca de mil habitantes. Uma parte das pessoas tem furos; a maior parte vai ao fontanário. Estamos em 2005, recordem-se...
Ah, e já agora, em 23 de Novembro esteve lá uma camioneta da Fundação Portugal Telecom em «peregrinação» para mostrar as novas tecnologias da comunicação. Estranho sinal dos tempos: em Galafura, a Internet chegou antes da água nas torneiras...
Em reportagem, estive em Galafura. É terrinha transmontana famosa, com um miradouro estupendo sobre o vale do Douro, no qual Miguel Torga escreveu que é «uma quilha de barco no meio do vale, com água por todos os lados». Pois bem, avistar água, avista-se, mas somente agora estão em execução as obras de abastecimento público a uma freguesia da Régua, com cerca de mil habitantes. Uma parte das pessoas tem furos; a maior parte vai ao fontanário. Estamos em 2005, recordem-se...
Ah, e já agora, em 23 de Novembro esteve lá uma camioneta da Fundação Portugal Telecom em «peregrinação» para mostrar as novas tecnologias da comunicação. Estranho sinal dos tempos: em Galafura, a Internet chegou antes da água nas torneiras...
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