Farpas Verdes CXIX
Pela leitura do Diário de Notícias soube que a gestão da extracção de inertes no rio Douro passou para a tutela da Secretaria de Estados dos Assuntos do Mar, integrado no Ministério da Defesa. Que os assuntos do mar sejam integrados na pasta da Defesa, já é esquisito; que a gestão de uma componente ambiental e de recursos hídricos esteja numa pasta dos Assuntos do Mar é quase anedótico, não fosse o caso de ser grave.
Nas últimas décadas, a gestão dos inertes nas zonas portuárias têm sido uma das principais causas para a erosão das praias. Sem qualquer sensibilidade, as juntas e administrações portuárias sempre viram as areias como uma espécie de mealheiro para irem sacando receitas - por vezes de forma algo nebulosa - sem se importarem com os danos ambientais e sociais, e cujas facturas são pagas pelos contribuintes e com a degradação.
Não encontro qualquer lógica para esta decisão do Governo, mas também já nada me surpreende. Continuamos no belo caminho para o desastre.
8/26/2004
8/21/2004
Farpas Verdes CXVIII
Chegado a Portugal, eis que vejo o candidato à liderança socialista, José Sócrates, dizer que é importante desligar as finanças das autarquias da dependência das licenças de construção. Se este for o seu cavalo de batalha e conseguir um famoso «pacto de regime» para alterar essa dependência merece todo o meu aplauso.
Chegado a Portugal, eis que vejo o candidato à liderança socialista, José Sócrates, dizer que é importante desligar as finanças das autarquias da dependência das licenças de construção. Se este for o seu cavalo de batalha e conseguir um famoso «pacto de regime» para alterar essa dependência merece todo o meu aplauso.
Farpas Verdes CXVII
Estive nos últimos dias na Andaluzia para preparar uma reportagem sobre a estratégia de incêndios naquela região espanhola. Fazer a comparação com a realidade portuguesa dá vontade de chorar. Eles não têm heróis, mas têm floresta. O sistema é profissional e bem feito. Em breve as minhas impressões e comparações serão feitas.
Estive nos últimos dias na Andaluzia para preparar uma reportagem sobre a estratégia de incêndios naquela região espanhola. Fazer a comparação com a realidade portuguesa dá vontade de chorar. Eles não têm heróis, mas têm floresta. O sistema é profissional e bem feito. Em breve as minhas impressões e comparações serão feitas.
8/12/2004
Farpas CXVI
É com imensa pena que vejo que a até agora comissária de Ambiente da Comissão Europeia, a sueca Margot Wallstrom, não se vai manter numa pasta onde exerceu uma postura bastante positiva ao longo do mandato. Em sua substituição, surge o grego Stavros Dimas. Por princípio, preferia um comissário de Ambiente de um país nórdico, devido à maior sensibilidade que têm para as questões ambientais. Ao invés, os países mediterrânicos nunca foram muito vocacionados para este sector, mais ainda Grécia e Portugal - de longe os dois países da Europa-15 com pior «perfomance» ambiental. Além disso, pelo que vejo do currículo de Stavros Dimas, não me parece que tenha uma preparação para estas áreas: é um economista e jurista que passou pelo Governo grego em três ocasiões nas décadas de 80 e início de 90, com passagens pelas pastas do Comércio, depois Agricultura e mais tarde da Indústria, Energia e Tecnologia.
É com imensa pena que vejo que a até agora comissária de Ambiente da Comissão Europeia, a sueca Margot Wallstrom, não se vai manter numa pasta onde exerceu uma postura bastante positiva ao longo do mandato. Em sua substituição, surge o grego Stavros Dimas. Por princípio, preferia um comissário de Ambiente de um país nórdico, devido à maior sensibilidade que têm para as questões ambientais. Ao invés, os países mediterrânicos nunca foram muito vocacionados para este sector, mais ainda Grécia e Portugal - de longe os dois países da Europa-15 com pior «perfomance» ambiental. Além disso, pelo que vejo do currículo de Stavros Dimas, não me parece que tenha uma preparação para estas áreas: é um economista e jurista que passou pelo Governo grego em três ocasiões nas décadas de 80 e início de 90, com passagens pelas pastas do Comércio, depois Agricultura e mais tarde da Indústria, Energia e Tecnologia.
8/10/2004
Farpas Verdes CXV
O concelho da Amadora é um dos que possui maior densidade urbana e , por isso mesmo, foi o único município da Grande Lisboa (com a capital) que apresentou na última década um saldo migratório negativo. Compreende-se: com tamanha massificação e falta de qualidade de vida, quem pode, vai embora.
Eis que chega o momento da revisão do PDM. E quais são as linhas estratégicas da autarquia? Segundo o Público, o presidente da autarquia, Joaquim Raposo, diz que «ao contrário do que se passa normalmente nestas revisões, que só servem para que se permita construção em áreas em que anteriormente não era permitido, isso não se vai passar na Amadora». Pudera, quase já não há espaço.
Depois faz a apologia da construção de arranha-céus, com o argumento de que «a ideia é sim construir edifícios mais altos para que seja possível libertar terreno e utilizá-lo para a construção de infra-estruturas necessárias, como jardins e parques de estacionamento". Não devo estar a compreender isto: então se tenho um terreno sem construção, tenho que construir para libertar terreno para jardins e parques de estacionamento?
O concelho da Amadora é um dos que possui maior densidade urbana e , por isso mesmo, foi o único município da Grande Lisboa (com a capital) que apresentou na última década um saldo migratório negativo. Compreende-se: com tamanha massificação e falta de qualidade de vida, quem pode, vai embora.
Eis que chega o momento da revisão do PDM. E quais são as linhas estratégicas da autarquia? Segundo o Público, o presidente da autarquia, Joaquim Raposo, diz que «ao contrário do que se passa normalmente nestas revisões, que só servem para que se permita construção em áreas em que anteriormente não era permitido, isso não se vai passar na Amadora». Pudera, quase já não há espaço.
Depois faz a apologia da construção de arranha-céus, com o argumento de que «a ideia é sim construir edifícios mais altos para que seja possível libertar terreno e utilizá-lo para a construção de infra-estruturas necessárias, como jardins e parques de estacionamento". Não devo estar a compreender isto: então se tenho um terreno sem construção, tenho que construir para libertar terreno para jardins e parques de estacionamento?
8/04/2004
Farpas Verdes CXIV
Triste país o nosso como diz Pacheco Pereira: os dados provisórios da Direcção-Geral dos Recursos Florestais estimam que este ano tenham ardido já cerca de 108 mil hectares. Continuamos com os olhos postos no ano passado - seria quase impossível repetir o drama de 2003 -, mas devagar, devagar lá estamos a ultrapassar, mais uma vez, a fasquia dos 100 mil hectares.
Desde 1998 - ou seja, nos últimos sete anos - apenas houve um em que não ultrapassamos os 100 mil hectares (em 1999, com cerca de 70 mil). Antes daquele ano apenas existem registos de cinco anos acima desse valor (1985, 1989, 1990, 1991 e 1995). O somatório da área ardida dos últimos sete anos - contando com os de 2004 - já atinge a cifra de 1,167 milhões de hectares - isto é, um terço da propalada área florestal do país. Conclusão (que não é uma hipótese académica nem insensata): em menos de duas décadas a floresta (como a conhecemos no passado) terá desaparecido!
Triste país o nosso como diz Pacheco Pereira: os dados provisórios da Direcção-Geral dos Recursos Florestais estimam que este ano tenham ardido já cerca de 108 mil hectares. Continuamos com os olhos postos no ano passado - seria quase impossível repetir o drama de 2003 -, mas devagar, devagar lá estamos a ultrapassar, mais uma vez, a fasquia dos 100 mil hectares.
Desde 1998 - ou seja, nos últimos sete anos - apenas houve um em que não ultrapassamos os 100 mil hectares (em 1999, com cerca de 70 mil). Antes daquele ano apenas existem registos de cinco anos acima desse valor (1985, 1989, 1990, 1991 e 1995). O somatório da área ardida dos últimos sete anos - contando com os de 2004 - já atinge a cifra de 1,167 milhões de hectares - isto é, um terço da propalada área florestal do país. Conclusão (que não é uma hipótese académica nem insensata): em menos de duas décadas a floresta (como a conhecemos no passado) terá desaparecido!
8/03/2004
Farpas Verdes CXIII
Parece que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa conseguiu apurar que a mortes de peixes na semana passada no rio Alviela teve causa indeterminada. Já estamos habituados a estas conclusões. Conviria saber que tipo de parâmetros são usados nessas análises. Se me doer o peito e me medirem a febre, de certeza que não me vão apurar complicações cardíacas, não é?
Parece que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa conseguiu apurar que a mortes de peixes na semana passada no rio Alviela teve causa indeterminada. Já estamos habituados a estas conclusões. Conviria saber que tipo de parâmetros são usados nessas análises. Se me doer o peito e me medirem a febre, de certeza que não me vão apurar complicações cardíacas, não é?
8/02/2004
À Margem Ambiente LXVI
No âmbito da cadeira «Ambiente e Energia», do terceiro ano do curso de Engenharia do Ambiente do Instituto Superior Técnico, da responsabilidade do Prof. Delgado Domingos e da Eng. Margarida Coelho, o livro «Estrago da Nação» foi «escalpelizado» e analisados pelos alunos.
Alguns dos trabalhos de grupo apresentados podem ser consultados e «descarregados» no Extractos do Estrago da Nação.
No âmbito da cadeira «Ambiente e Energia», do terceiro ano do curso de Engenharia do Ambiente do Instituto Superior Técnico, da responsabilidade do Prof. Delgado Domingos e da Eng. Margarida Coelho, o livro «Estrago da Nação» foi «escalpelizado» e analisados pelos alunos.
Alguns dos trabalhos de grupo apresentados podem ser consultados e «descarregados» no Extractos do Estrago da Nação.
8/01/2004
Farpas Verdes CXII
Na nova orgânica do Governo, o futuro do litoral e do mar decide-se no Largo do Caldas, ou seja, por um partido que jamais mostrou um pingo de sensibilidade ambiental. Assim, temos o ministro Nobre Guedes a gerir grande parte do litoral; as franjas restantes (os portos), a serem geridos pela Secretaria de Estado dos Assuntos do Mar; o turismo (que em Portugal quase sempre significa a delapidar o litoral) a ser tutelado pelo ministro Telmo Correia; e a segurança marítima e a gestão da ZEE pelo ministro Paulo Portas. Nós é que temos de começar a rezar à Nossa Senhora de Fátima.
Na nova orgânica do Governo, o futuro do litoral e do mar decide-se no Largo do Caldas, ou seja, por um partido que jamais mostrou um pingo de sensibilidade ambiental. Assim, temos o ministro Nobre Guedes a gerir grande parte do litoral; as franjas restantes (os portos), a serem geridos pela Secretaria de Estado dos Assuntos do Mar; o turismo (que em Portugal quase sempre significa a delapidar o litoral) a ser tutelado pelo ministro Telmo Correia; e a segurança marítima e a gestão da ZEE pelo ministro Paulo Portas. Nós é que temos de começar a rezar à Nossa Senhora de Fátima.
Farpas Verdes CXI
Lembro-me que há cerca de cinco anos, numa operação inaugural de trasfega no terminal da Petrogal houve uma explosão que causou dois mortos. A probabilidade de ocorrência era de uma por um mihão, sendo que essa operação só se fazia uma vez. Desta vez não houve mortos, mas cada vez são maiores os incidentes envolvendo a Petrogal: há cerca de um mês foi em Sines, ainda na semana passada tinha havido um outro mais pequeno também em Leixões. Estamos mesmo à espera de uma tragédia. E em Portugal as tragédias costumam ser repentinas, mas não inesperadas.
Lembro-me que há cerca de cinco anos, numa operação inaugural de trasfega no terminal da Petrogal houve uma explosão que causou dois mortos. A probabilidade de ocorrência era de uma por um mihão, sendo que essa operação só se fazia uma vez. Desta vez não houve mortos, mas cada vez são maiores os incidentes envolvendo a Petrogal: há cerca de um mês foi em Sines, ainda na semana passada tinha havido um outro mais pequeno também em Leixões. Estamos mesmo à espera de uma tragédia. E em Portugal as tragédias costumam ser repentinas, mas não inesperadas.
7/29/2004
Farpas Verdes CX
Há uns anos, a Comissão Europeia forneceu um apoio de 1,25 milhões de euros para a recuperação de um palacete na Lapa para a instalação da Casa do Ambiente e do Cidadão. Aquele espaço deveria ser o local, por excelência, para a promoção da participação pública e a sensibilização ambiental. Nunca o foi.
Mesmo quando existia o Instituto de Promoção Ambiental, ali pouco mais se realizava do que consultas dos estudos de impacte ambiental. Hoje, nem isso. Entretanto, aproveitou-se para aí colocar o Conselho Nacional da Água e o Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimentoi Sustentável. Mais tarde, ainda o Programa Finisterra. De Ambiente e de Cidadão, o edifício só tem agora a denominação. E arrisca-se agora a se tranformar em gabinete ministerial - pelo menos quatro governantes já andam ou andaram a cobiçar as instalações -, a menos que o receio da obrigatoriedade de devolução do apoio comunitário os faça recuar. Mas mesmo que essa ideia seja abandonada, ali temos, um investimento vazio no seu conteúdo e objectivos - o que é lamentável.
Há uns anos, a Comissão Europeia forneceu um apoio de 1,25 milhões de euros para a recuperação de um palacete na Lapa para a instalação da Casa do Ambiente e do Cidadão. Aquele espaço deveria ser o local, por excelência, para a promoção da participação pública e a sensibilização ambiental. Nunca o foi.
Mesmo quando existia o Instituto de Promoção Ambiental, ali pouco mais se realizava do que consultas dos estudos de impacte ambiental. Hoje, nem isso. Entretanto, aproveitou-se para aí colocar o Conselho Nacional da Água e o Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimentoi Sustentável. Mais tarde, ainda o Programa Finisterra. De Ambiente e de Cidadão, o edifício só tem agora a denominação. E arrisca-se agora a se tranformar em gabinete ministerial - pelo menos quatro governantes já andam ou andaram a cobiçar as instalações -, a menos que o receio da obrigatoriedade de devolução do apoio comunitário os faça recuar. Mas mesmo que essa ideia seja abandonada, ali temos, um investimento vazio no seu conteúdo e objectivos - o que é lamentável.
7/28/2004
À Margem Ambiental LXV
O advogado José Sá Fernandes vai receber hoje o Prémio Nacional de Ambiente «Fernando Pereira», galardão da Confederação Portuguesas das Associações de Defesa do Ambiente. É mais do que merecido, pois este advogado, de forma solitária e abnegada, tem vencido lutas com uma estratégia que. para mim, é a solução para os tempos perigosos em que vivemos: o recursos aos tribunais. É pena que, na advocacia, não tenhamos, pelo menos, mais meia-dúzia de «Sá Fernandes».
O advogado José Sá Fernandes vai receber hoje o Prémio Nacional de Ambiente «Fernando Pereira», galardão da Confederação Portuguesas das Associações de Defesa do Ambiente. É mais do que merecido, pois este advogado, de forma solitária e abnegada, tem vencido lutas com uma estratégia que. para mim, é a solução para os tempos perigosos em que vivemos: o recursos aos tribunais. É pena que, na advocacia, não tenhamos, pelo menos, mais meia-dúzia de «Sá Fernandes».
Farpas Verdes CIX
Hoje é o Dia da Conservação da Natureza - que deveria ser de luto, independentemente dos fogos que trespassam as áreas protegidas. Nos últimos dias, quer em fora de discussão, quer na comunicação social, tem havido várias tentativas de relativizar os efeitos nefastos dos incêndios em áreas protegidas. Dizem, alguns, que os nossos ecossistemas mediterrânicos têm uma elevada resilência, que, em suma, recuperam e permitem mesmo a criação de «mosaicos» de evolução florística.
Do ponto de vista teórico, se isto pode ser verdade, é uma falácia e diria quase uma desonestidade intelectual. O fogo representa sempre um retrocesso ao ponto zero. Significa destruição, mesmo que a Natureza seja uma fénix. Só que na mitologia, a fénix renascia de imediato, o que não vai acontecer com as áreas ardidas. Demora anos, talvez décadas. E eu, por mim, queria ver hoje a Arrábida como estava na semana passada. Queria vê-la amanhã como estava na semana passada. Depois de amanhã, para a semana, para o próximo mês, para o próximo ano. E não vou ver. Vou somente ver uma serra ardida e a confirmação que, em Portugal, não se faz conservação e gestão das áreas protegidas.
Hoje é o Dia da Conservação da Natureza - que deveria ser de luto, independentemente dos fogos que trespassam as áreas protegidas. Nos últimos dias, quer em fora de discussão, quer na comunicação social, tem havido várias tentativas de relativizar os efeitos nefastos dos incêndios em áreas protegidas. Dizem, alguns, que os nossos ecossistemas mediterrânicos têm uma elevada resilência, que, em suma, recuperam e permitem mesmo a criação de «mosaicos» de evolução florística.
Do ponto de vista teórico, se isto pode ser verdade, é uma falácia e diria quase uma desonestidade intelectual. O fogo representa sempre um retrocesso ao ponto zero. Significa destruição, mesmo que a Natureza seja uma fénix. Só que na mitologia, a fénix renascia de imediato, o que não vai acontecer com as áreas ardidas. Demora anos, talvez décadas. E eu, por mim, queria ver hoje a Arrábida como estava na semana passada. Queria vê-la amanhã como estava na semana passada. Depois de amanhã, para a semana, para o próximo mês, para o próximo ano. E não vou ver. Vou somente ver uma serra ardida e a confirmação que, em Portugal, não se faz conservação e gestão das áreas protegidas.
7/27/2004
Farpas Verdes CVIII
Como receava, o pior aconteceu. Aumenta o calor e os incêndios incontroláveis surgem. E surgem também as culpas e desculpas habituais: o tempo quente, os difíceis acessos, as matas inacessíveis de matagais, as áreas protegidas absorvidas pelas chamas, os pedidos de socorro de meios aéreos ao estrangeiro, a descoordenação e aflição habituais, a ausência de cadastro para auxiliar os bombeiros. Enfim, o habitual. E depois temos também ainda Luís Pinheiro, o antigo presidente da Agência para a Prevenção dos Fogos Florestais, actual secretário de Estado das Florestas, a dizer que «Não era expectável que a agência funcionasse antes do período de incêndios». Não era expectável? Porquê?
Como receava, o pior aconteceu. Aumenta o calor e os incêndios incontroláveis surgem. E surgem também as culpas e desculpas habituais: o tempo quente, os difíceis acessos, as matas inacessíveis de matagais, as áreas protegidas absorvidas pelas chamas, os pedidos de socorro de meios aéreos ao estrangeiro, a descoordenação e aflição habituais, a ausência de cadastro para auxiliar os bombeiros. Enfim, o habitual. E depois temos também ainda Luís Pinheiro, o antigo presidente da Agência para a Prevenção dos Fogos Florestais, actual secretário de Estado das Florestas, a dizer que «Não era expectável que a agência funcionasse antes do período de incêndios». Não era expectável? Porquê?
7/25/2004
Farpas Verdes CVII
Os próximos dias, em que as previsões apontam para temperaturas elevadas e uma atmosfera seca, serão a «prova de fogo» deste Governo em matéria de incêndios florestais. Não estou, infelizmente, muito esperançado de que este ano tenhamos uma época calma. As medidas estruturais continuam sem se ver e nem se sabe ao certo onde se investiram os fundos que se vêm recolhendo da taxa dos combustíveis.
Já agora, uma outra nota. Santana Lopes pediu esta semana que lhe entregassem um relatório, no prazo de uma semana, sobre a situação dos fogos florestais. Então ninguém lhe disse que esses relatórios existem e são publicados todas as semanas pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais? E, mesmo que não lhe tenham dito, será que não lê os jornais, como o acontecia com Cavaco Silva?
Os próximos dias, em que as previsões apontam para temperaturas elevadas e uma atmosfera seca, serão a «prova de fogo» deste Governo em matéria de incêndios florestais. Não estou, infelizmente, muito esperançado de que este ano tenhamos uma época calma. As medidas estruturais continuam sem se ver e nem se sabe ao certo onde se investiram os fundos que se vêm recolhendo da taxa dos combustíveis.
Já agora, uma outra nota. Santana Lopes pediu esta semana que lhe entregassem um relatório, no prazo de uma semana, sobre a situação dos fogos florestais. Então ninguém lhe disse que esses relatórios existem e são publicados todas as semanas pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais? E, mesmo que não lhe tenham dito, será que não lê os jornais, como o acontecia com Cavaco Silva?
7/24/2004
Farpas Verdes CVI
O país real continua, apesar da confusão do país político. A Associação Bandeira Azul anunciou ontem que 22 praias que receberam este galardão não estão em condições para a hastear. A situação de zonas balneares que não conseguem, ano após ano, manter critérios de qualidade começa a ser crónico. Onde param afinal as verbas que se gastaram em ETARs e outras infra-estruturas de saneamento básico. De que vale um Ministério do Turismo se o cartão de visita que se fornece aos turistas é tão mau?
O país real continua, apesar da confusão do país político. A Associação Bandeira Azul anunciou ontem que 22 praias que receberam este galardão não estão em condições para a hastear. A situação de zonas balneares que não conseguem, ano após ano, manter critérios de qualidade começa a ser crónico. Onde param afinal as verbas que se gastaram em ETARs e outras infra-estruturas de saneamento básico. De que vale um Ministério do Turismo se o cartão de visita que se fornece aos turistas é tão mau?
7/22/2004
Farpas Verdes CV
A polémica das ligações profissionais de Luís Nobre Guedes como gestor e advogado de empresas na área do saneamento básico parece estar a desviar das questões essenciais o assunto da sua nomeação para ministro do Ambiente e Ordenamento do Território.
Não me choca particularmente essas ligações. No passado, recente, diga-se, houve casos muitíssimos mais graves, sobretudo na área das obras públicas e da floresta. A lei e a fiscalização da opinião pública (sobretudo comunicação social) têm aqui um papel determinante para que um governante não ponha pé em ramo verde.
O essencial é, sem dúvida, é a entrega desta pasta a uma pessoa sem conhecimentos nesta área - e depois de termos três ministros em dois anos, seria fundamental alguém com sensibilidade e conhecimento dos dossiers, o que claramente não é o caso de Nobre Guedes - e de um partido político que sempre se mostrou hostil à protecção ambiental.
O CDS-PP não tem, nem nunca teve, a mínima preocupação ambiental; nunca teve sequer um político que mostrasse um discurso ambientalista ou em prol do desenvolvimento sustentável. A frase de Paulo Portas de que «um partido que preserva a vida, preserva o ambiente» é de uma demagógica, porque vazia em si mesma. Aliás, quando o ministro da Defesa pode intervir em matéria ambiental, no caso do Prestige, optou por apelar à Nossa Senhora de Fátima.
Por fim, a importância da memória: em 10 de Janeiro de 1987, a Assembleia da República votou a Lei de Bases do Ambiente. Submetido à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD, do PS, do PRD, do PCP, do MDP/CDE e dos deputados independentes Maria Santos e Gonçalo Ribeiro Telles. E os votos contra do deputado independente Borge sde Carvalho e do CDS. Está tudo dito, não é?
A polémica das ligações profissionais de Luís Nobre Guedes como gestor e advogado de empresas na área do saneamento básico parece estar a desviar das questões essenciais o assunto da sua nomeação para ministro do Ambiente e Ordenamento do Território.
Não me choca particularmente essas ligações. No passado, recente, diga-se, houve casos muitíssimos mais graves, sobretudo na área das obras públicas e da floresta. A lei e a fiscalização da opinião pública (sobretudo comunicação social) têm aqui um papel determinante para que um governante não ponha pé em ramo verde.
O essencial é, sem dúvida, é a entrega desta pasta a uma pessoa sem conhecimentos nesta área - e depois de termos três ministros em dois anos, seria fundamental alguém com sensibilidade e conhecimento dos dossiers, o que claramente não é o caso de Nobre Guedes - e de um partido político que sempre se mostrou hostil à protecção ambiental.
O CDS-PP não tem, nem nunca teve, a mínima preocupação ambiental; nunca teve sequer um político que mostrasse um discurso ambientalista ou em prol do desenvolvimento sustentável. A frase de Paulo Portas de que «um partido que preserva a vida, preserva o ambiente» é de uma demagógica, porque vazia em si mesma. Aliás, quando o ministro da Defesa pode intervir em matéria ambiental, no caso do Prestige, optou por apelar à Nossa Senhora de Fátima.
Por fim, a importância da memória: em 10 de Janeiro de 1987, a Assembleia da República votou a Lei de Bases do Ambiente. Submetido à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD, do PS, do PRD, do PCP, do MDP/CDE e dos deputados independentes Maria Santos e Gonçalo Ribeiro Telles. E os votos contra do deputado independente Borge sde Carvalho e do CDS. Está tudo dito, não é?
7/21/2004
Farpas Verdes CIV
A história «macaca» de Arnaut ter ocupado à «socapa», logo no dia da sua nomeação, as instalações que sempre foram da tutela do Ambiente (independentemente da sua denominação), metendo os dossiers ambientais que deveriam ser entregues a Nobre Guedes, lembra-me uma brincadeira de crianças. Aquela em que os miúdos correm à volta de cadeiras e em que ao sinal sonoro todos tentam ocupar uma. O menos rápido vai saindo do jogo, porque há sempre uma cadeira a menos.
José Luís Arnaut deve ter-se lembrado desta brincadeira de meninice - e se calhar era aquele que logo perdia na primeira ronda - e decidiu antecipar-se, desalojando o Ministério do Ambiente sem contemplações. Nobre Guedes e Arnaut devem com este episódio ter reforçado, certamente, os laços de amizade. Curiosamente, vão ser eles que terão de decidir o que fazer às Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional que agora têm departamentos que pertencem a ambos os Ministérios - e que, ironicamente, foi uma decisão do Governo de Durão Barroso. Oh, tempo! passa depressa, por favor.
P.S. Sidónio Pardal não foi nomeado. Uffffa. Só referi essa hipótese, porque já ma ando a preparar psicologicamente para tudo...
A história «macaca» de Arnaut ter ocupado à «socapa», logo no dia da sua nomeação, as instalações que sempre foram da tutela do Ambiente (independentemente da sua denominação), metendo os dossiers ambientais que deveriam ser entregues a Nobre Guedes, lembra-me uma brincadeira de crianças. Aquela em que os miúdos correm à volta de cadeiras e em que ao sinal sonoro todos tentam ocupar uma. O menos rápido vai saindo do jogo, porque há sempre uma cadeira a menos.
José Luís Arnaut deve ter-se lembrado desta brincadeira de meninice - e se calhar era aquele que logo perdia na primeira ronda - e decidiu antecipar-se, desalojando o Ministério do Ambiente sem contemplações. Nobre Guedes e Arnaut devem com este episódio ter reforçado, certamente, os laços de amizade. Curiosamente, vão ser eles que terão de decidir o que fazer às Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional que agora têm departamentos que pertencem a ambos os Ministérios - e que, ironicamente, foi uma decisão do Governo de Durão Barroso. Oh, tempo! passa depressa, por favor.
P.S. Sidónio Pardal não foi nomeado. Uffffa. Só referi essa hipótese, porque já ma ando a preparar psicologicamente para tudo...
Farpas Verdes CIII
Parece que Jorge Moreira da Silva vai ser secretário de Estado do Ambiente. Tenho boa opinião dele e há quem o veja como um sucessor de Carlos Pimenta (a começar pelo próprio saudoso secretário de Estado dos longínquos anos 80). Se assim acontecer, Moreira da Silva fará mal em aceitar: liga o seu nome e actual prestígio a este Ministério do Ambiente. Se o «navio» naufragar, como temo, será como o crude: díficil de sair e mesmo quando sai deixa mazelas.
A outra notícia é que José Eduardo Martins também parece regressar ao Governo, desta vez para a secretaria de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional naquela «salgalhada» que é o Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional (ufa, que até a escrever cansa...). Cruzes, canhoto!
De qualquer modo, ainda continuo a rezar em relação ao Sidónio Pardal. Cruzes, credo!
Parece que Jorge Moreira da Silva vai ser secretário de Estado do Ambiente. Tenho boa opinião dele e há quem o veja como um sucessor de Carlos Pimenta (a começar pelo próprio saudoso secretário de Estado dos longínquos anos 80). Se assim acontecer, Moreira da Silva fará mal em aceitar: liga o seu nome e actual prestígio a este Ministério do Ambiente. Se o «navio» naufragar, como temo, será como o crude: díficil de sair e mesmo quando sai deixa mazelas.
A outra notícia é que José Eduardo Martins também parece regressar ao Governo, desta vez para a secretaria de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional naquela «salgalhada» que é o Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional (ufa, que até a escrever cansa...). Cruzes, canhoto!
De qualquer modo, ainda continuo a rezar em relação ao Sidónio Pardal. Cruzes, credo!
Farpas Verdes CII
No dia 30 de Junho, eclodiu um incêndio de grandes proporções em Tavira. Arderam cerca de 5.500 hectares. Causa principal apontada pela PJ: um curto-circuito de uma linha da EDP Distribuição. Curiosamente, no mesmo dia saiu em Diário da República as novas normas de protecção e prevenção aos incêndios florestais. Nova é como quem diz. Na verdade, quase tudo foi repescado de uma lei de 1981 do tempo do Governo de Pinto Balsemão que nunca foi cumprida.
Aliás, houve mesmo pequenas alterações a preceito. Para pior, diga-se. Foi exactamente o caso da limpeza das áreas adjacentes às linhas eléctricas. Na lei de 1981, todas as linhas eléctricas tinham que ter limpa uma faixa adjacente de 10 metros. A nova lei passa apenas a exigir isso para as linhas de muito alta tensão. Ou seja, retira grande parte da rede eléctrica da EDP. A empresa eléctrica poupa uns cobres, os accionistas agradecem e os fogos, como os de Tavira, ocorrem. Por esta e por outras tenho sempre medo das alterações legislativas. Cumpram é as antigas... já bastaria.
No dia 30 de Junho, eclodiu um incêndio de grandes proporções em Tavira. Arderam cerca de 5.500 hectares. Causa principal apontada pela PJ: um curto-circuito de uma linha da EDP Distribuição. Curiosamente, no mesmo dia saiu em Diário da República as novas normas de protecção e prevenção aos incêndios florestais. Nova é como quem diz. Na verdade, quase tudo foi repescado de uma lei de 1981 do tempo do Governo de Pinto Balsemão que nunca foi cumprida.
Aliás, houve mesmo pequenas alterações a preceito. Para pior, diga-se. Foi exactamente o caso da limpeza das áreas adjacentes às linhas eléctricas. Na lei de 1981, todas as linhas eléctricas tinham que ter limpa uma faixa adjacente de 10 metros. A nova lei passa apenas a exigir isso para as linhas de muito alta tensão. Ou seja, retira grande parte da rede eléctrica da EDP. A empresa eléctrica poupa uns cobres, os accionistas agradecem e os fogos, como os de Tavira, ocorrem. Por esta e por outras tenho sempre medo das alterações legislativas. Cumpram é as antigas... já bastaria.
7/20/2004
Farpas Verdes CI
São 18 horas. Estamos a pouco tempo do anúncio dos secretários de Estado do novo (des)Governo. Hoje a manchete do Público revela que a proposta final do relatório de Sidónio Pardal para alteração das normas da REN e RAN é semelhante aquele «aborto» que saiu há uns meses atrás. Estou com medo. Estou com muito medo... que Sidónio Pardal seja nomeado secretário de Estado do Ordenamento. Estou a ficar católico... Deus nos livre. Vou rezar um bocado.
São 18 horas. Estamos a pouco tempo do anúncio dos secretários de Estado do novo (des)Governo. Hoje a manchete do Público revela que a proposta final do relatório de Sidónio Pardal para alteração das normas da REN e RAN é semelhante aquele «aborto» que saiu há uns meses atrás. Estou com medo. Estou com muito medo... que Sidónio Pardal seja nomeado secretário de Estado do Ordenamento. Estou a ficar católico... Deus nos livre. Vou rezar um bocado.
7/17/2004
À Margem Ambiental LXIV
Na próxima terça-feira, dia 20 de Julho, realiza-se o lançamento do meu romance «Nove Mil Passos», pelas 19 horas, no Reservatório da Mãe d'Águas das Amoreiras (junto ao Largo do Rato, em Lisboa). A apresentação será feita pelo escritor Artur Portela e pela directora do Museu da Água da EPAL, Margarida Ruas. Para todos aqueles que aqui me visitam aqui no blog, fica o convite para estarem presentes (até porque, no final, haverá beberete).
Apresentação do romance «Nove Mil Passos»
O Aqueduto das Águas Livres é, actualmente, por via dos seus quase 60 quilómetros de comprimento, o mais extenso Monumento Nacional do país e a primeira grande obra pública do país à data da sua construção na primeira metade do século XVII, durante o reinado de D. João V.
Apesar de ser um ex-libris de Lisboa, a história do Aqueduto das Águas Livres é (ainda) pouco conhecida. Nove Mil Passos – ou nove milhas terrestres, referência à extensão original do troço principal desde Belas até Lisboa – é um romance que retrata as peripécias e desentendimentos que ocorreram durante a fase da construção da obra e todo o enquadramento histórico da época joanina: as intrigas da Corte, a libertinagem e o fausto do rei, o nascimento da Maçonaria e o quotidiano surrealista de uma sociedade que vacilava entre as crendices e o terror à Igreja.
Narrado pelo espírito omnipresente e omnisciente de Francisco d’Ollanda – humanista do século XVI que em vida tentou, sem sucesso, suprir a carestia de água em Lisboa, tendo falecido no dia 20 de Julho de 1584 –, o romance relata, em tom apaixonado, intimista e humorístico, uma das mais intensas e interessantes épocas da História de Portugal, onde a ficção e a realidade histórica se (con)fundem. Um livro que desvenda a história de uma obra pública nacional que poderá, em breve, vir a candidatar-se a Património Natural da Humanidade, mesmo se, actualmente, está ameaçada pela conclusão da CRIL, que prevê a demolição parcial de um troço do aqueduto.
Na próxima terça-feira, dia 20 de Julho, realiza-se o lançamento do meu romance «Nove Mil Passos», pelas 19 horas, no Reservatório da Mãe d'Águas das Amoreiras (junto ao Largo do Rato, em Lisboa). A apresentação será feita pelo escritor Artur Portela e pela directora do Museu da Água da EPAL, Margarida Ruas. Para todos aqueles que aqui me visitam aqui no blog, fica o convite para estarem presentes (até porque, no final, haverá beberete).
Apresentação do romance «Nove Mil Passos»
O Aqueduto das Águas Livres é, actualmente, por via dos seus quase 60 quilómetros de comprimento, o mais extenso Monumento Nacional do país e a primeira grande obra pública do país à data da sua construção na primeira metade do século XVII, durante o reinado de D. João V.
Apesar de ser um ex-libris de Lisboa, a história do Aqueduto das Águas Livres é (ainda) pouco conhecida. Nove Mil Passos – ou nove milhas terrestres, referência à extensão original do troço principal desde Belas até Lisboa – é um romance que retrata as peripécias e desentendimentos que ocorreram durante a fase da construção da obra e todo o enquadramento histórico da época joanina: as intrigas da Corte, a libertinagem e o fausto do rei, o nascimento da Maçonaria e o quotidiano surrealista de uma sociedade que vacilava entre as crendices e o terror à Igreja.
Narrado pelo espírito omnipresente e omnisciente de Francisco d’Ollanda – humanista do século XVI que em vida tentou, sem sucesso, suprir a carestia de água em Lisboa, tendo falecido no dia 20 de Julho de 1584 –, o romance relata, em tom apaixonado, intimista e humorístico, uma das mais intensas e interessantes épocas da História de Portugal, onde a ficção e a realidade histórica se (con)fundem. Um livro que desvenda a história de uma obra pública nacional que poderá, em breve, vir a candidatar-se a Património Natural da Humanidade, mesmo se, actualmente, está ameaçada pela conclusão da CRIL, que prevê a demolição parcial de um troço do aqueduto.
Farpas Verdes C
Eu já nem quero saber da ideia obtusa de termos um Governo com um Ministro da, entre outras coisas, Criança (então e o Ministro dos Velhos, dos Adultos e já agora das Mulheres, não se cria?) ou um Ministro das Actividades Económicas e outro do Turismo.
Aquilo que eu gostaria de saber é que carga d'água é isto de Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional em paralelo com um Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. Ainda mais com os dois ministros em causa. Isto é tão anedótico e surrealista que se não fosse grave dava vontade de rir. Alguém sabe como acelerar o tempo para que os próximos dois anos passem num ápice?
Eu já nem quero saber da ideia obtusa de termos um Governo com um Ministro da, entre outras coisas, Criança (então e o Ministro dos Velhos, dos Adultos e já agora das Mulheres, não se cria?) ou um Ministro das Actividades Económicas e outro do Turismo.
Aquilo que eu gostaria de saber é que carga d'água é isto de Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional em paralelo com um Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. Ainda mais com os dois ministros em causa. Isto é tão anedótico e surrealista que se não fosse grave dava vontade de rir. Alguém sabe como acelerar o tempo para que os próximos dois anos passem num ápice?
7/16/2004
Farpas Verdes XCIX
A nomeação de Luís Nobre Guedes para o cargo de Ministro do Ambiente nem no dia 1 de Abril seria motivo para ser anunciada. É o grau zero da política de ambiente. Estamos no meio de um lamaçal, de areias movediças negras que nos levam bem fundo e sem esperanças de nos reerguermos. É altura de ir à luta...
A nomeação de Luís Nobre Guedes para o cargo de Ministro do Ambiente nem no dia 1 de Abril seria motivo para ser anunciada. É o grau zero da política de ambiente. Estamos no meio de um lamaçal, de areias movediças negras que nos levam bem fundo e sem esperanças de nos reerguermos. É altura de ir à luta...
Farpas Verdes XCVIII
«Portugal tem de fazer mais para proteger o ambiente e a beleza das suas áreas naturais. As directivas não são correctamente transpostas para o direito português, ou, nalguns casos, não são objecto de um acompanhamento adequado. Tal facto implica não só a degradação do ambiente, como também uma menor protecção da natureza e a degradação da qualidade de vida dos cidadãos. Sempre que os Estados-Membros aprovem legislação com o objectivo de proteger o ambiente, deverão cumpri-la».
Se repararam, as frases acima estão entre aspas. Não são, por isso, da minha autoria, embora há anos que sejam evidências e os políticos portugueses e o Ministério do Ambiente insista em tentar tapar o sol com a peneira. Estas frases são, na verdade, de alguém insuspeito. Foram ditas ontem pela comissária do Ambiente, Margot Walstrom, na altura em que anunciava sete processos contra Portugal por questões ambientais.
«Portugal tem de fazer mais para proteger o ambiente e a beleza das suas áreas naturais. As directivas não são correctamente transpostas para o direito português, ou, nalguns casos, não são objecto de um acompanhamento adequado. Tal facto implica não só a degradação do ambiente, como também uma menor protecção da natureza e a degradação da qualidade de vida dos cidadãos. Sempre que os Estados-Membros aprovem legislação com o objectivo de proteger o ambiente, deverão cumpri-la».
Se repararam, as frases acima estão entre aspas. Não são, por isso, da minha autoria, embora há anos que sejam evidências e os políticos portugueses e o Ministério do Ambiente insista em tentar tapar o sol com a peneira. Estas frases são, na verdade, de alguém insuspeito. Foram ditas ontem pela comissária do Ambiente, Margot Walstrom, na altura em que anunciava sete processos contra Portugal por questões ambientais.
7/15/2004
Farpas Verdes XCVII
José Sócrates é, como Pedro Santana Lopes, o produto da ascensão política baseada no apoio do poder mediático que se vai inculcando na opinião público de uma forma estrategicamente concertada. O hoje anunciado candidato a secretário-geral do PS vencerá, sem margem para quaisquer dúvidas, o pssto de líder da oposição e, portanto, será um sério candidato a primeiro-ministro dentro de dois anos. É, aliás, curioso que neste percurso de promoção pública, Santana Lopes e José Sócrates tenham tido mesmo um percurso paralelo, porque ambos se tornaram adversários mediáticos na comunicação social; primeiro na RTP, até há pouco tempo na revista Sábado.
Conheço bem o percurso político de José Sócrates, desde os tempos em que era deputado na Assembleia da República no início dos anos 90. Quem tem memória recordar-se-á de um «porta-voz» de ambente da oposição que era levado pouco a sério. Ele era tão fraco que com a vitória do PS nas eleições de 1995 lhe deram o lugar de secretário de Estado e mesmo assim foi muito.
Sócrates foi, contudo, neste aspecto bastante inteligente nas suas novas funções: soube criar «guerras» e consensos que surpreenderam, sobretudo porque ninguém acreditava nele. Mas além disse cultivou, nos seus primeiros tempos de governantes, duas características que, infelizmente, foi perdendo com os anos: humildade e vontade de aprender e ouvir. Recordar-se-ão muitos da «guerra» contra a indústria para revitalizar a reutilização das embalagens (que depois deu em quase nada) e na forma participativa como foi elaborado o Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos. Tenho, confesso, algumas saudades desse tempo de um Sócrates com vontade de mostrar serviço, mas fazendo-o bem.
A sua saída da secretaria de Estado do Ambiente para Ministro-Adjunto foi, na minha opinião, o período em que Sócrates se terá transfigurado. A promoção tê-lo-á feito ver que afinal até ter-lhe-iam nascido asas para voar mais longe. O seu discurso mudou literalmente - hão-de reparar que até o tom de voz e o estilo oral se alterou profundamente - e a partir daí a sua conduta tinha sobretudo um cariz mais politiqueiro e mediático. Foi a patir desse momento que alguma comunicação social «apostou» literalmente na sua imagem, sobretudo quando Portugal ganhou a organização do Euro 2004. Muitos jornalistas e directores dos «media» que não saberiam sequer dizer em 1995 quem era o secretário de Estado do Ambiente, passaram anos mais tarde a criar sobre José Sócrates a imagem de político dinâmico e resoluto.
O seu regresso ao Ministério do Ambiente em 1999 foi sobretudo uma excelente estratégia pessoal. Sócrates - que conseguiu satisfazer uma antiga reclamação dos ambientalistas: a fusão do Ambiente com o ordenamento do território - sabia que tinha disponível imenso dinheiro dos fundos comunitários e criou o megalómano Programa Polis (não tanto na obra feita, mas nas verbas gastas), tinha ainda imensas inaugurações a fazer (sobretudo com os aterros sanitários) e tinha uma batalha que desejava conquistar (a co-incineração). Mesmo se nesta última guerra tivesse, como sabia, uma bateria de críticas, Sócrates sabia que os «opinion-makers» não lhe poupariam elogios por a sua abnegação ser o oposto daquilo que criticavam em António Guterres.
A saída de cena do Governo socialista em 2002 não o chamuscou em nada. Pelo contrário, José Sócrates foi talvez o ex-governante que melhor saiu na fotografia do desastre que foi os últimos anos do guterrismo. A comunicação social, mais uma vez, garantiu-lhe um palco especial, dando-lhe a possibilidade de dissertar sobre os mais variados assuntos. Tprnou-se, portanto, um político no auge do mediatismo, o que
nos tempos que correm é meio caminho andado para o sucesso.
Posto isto, estou a imaginar José Sócrates como futuro primeiro-ministro. E, na verdade, não sei sinceramente o que diga. Vejo vantagens e desvantagens. É certo que, malgrado o facto de se se espremer aquilo que fez no Ambiente saía pouco sumo,as questões de ambiente e de ordenamento podem mesmo assim beneficiar bastantes. Sócrates, quer se queira quer não, tem a imagem colado ao ambiente e, portanto, num Governo por si liderado seria «obrigado» a não meter pé em ramo verde. A própria comunicação social, como sistema vampírico que por vezes é, não lhe admitiria determinadas medidas anti-ambientais. No entanto, do ponto de vista mais global, Sócrates não parece dar garantias de ser um político com ideias geniais e a sua ideologia é algo indefinida e vacilando mais para o lado mediático das suas acções. Pode ser que, como eventual líder da oposição, possa mostrar um novo élan, mas para isso terá de recuperar aquilo que melhor tinha nos seus primeiros anos: humildade e vontade de fazer mas fazer bem.
De resto, voltando à comparação entre o seu «colega» Santana, diria que como primeiro-ministro, venha o Diabo e escolha. Se eu fosse Diabo, talvez escolhesse José Sócrates, mas mais por preferir «do mal, o menos».
José Sócrates é, como Pedro Santana Lopes, o produto da ascensão política baseada no apoio do poder mediático que se vai inculcando na opinião público de uma forma estrategicamente concertada. O hoje anunciado candidato a secretário-geral do PS vencerá, sem margem para quaisquer dúvidas, o pssto de líder da oposição e, portanto, será um sério candidato a primeiro-ministro dentro de dois anos. É, aliás, curioso que neste percurso de promoção pública, Santana Lopes e José Sócrates tenham tido mesmo um percurso paralelo, porque ambos se tornaram adversários mediáticos na comunicação social; primeiro na RTP, até há pouco tempo na revista Sábado.
Conheço bem o percurso político de José Sócrates, desde os tempos em que era deputado na Assembleia da República no início dos anos 90. Quem tem memória recordar-se-á de um «porta-voz» de ambente da oposição que era levado pouco a sério. Ele era tão fraco que com a vitória do PS nas eleições de 1995 lhe deram o lugar de secretário de Estado e mesmo assim foi muito.
Sócrates foi, contudo, neste aspecto bastante inteligente nas suas novas funções: soube criar «guerras» e consensos que surpreenderam, sobretudo porque ninguém acreditava nele. Mas além disse cultivou, nos seus primeiros tempos de governantes, duas características que, infelizmente, foi perdendo com os anos: humildade e vontade de aprender e ouvir. Recordar-se-ão muitos da «guerra» contra a indústria para revitalizar a reutilização das embalagens (que depois deu em quase nada) e na forma participativa como foi elaborado o Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos. Tenho, confesso, algumas saudades desse tempo de um Sócrates com vontade de mostrar serviço, mas fazendo-o bem.
A sua saída da secretaria de Estado do Ambiente para Ministro-Adjunto foi, na minha opinião, o período em que Sócrates se terá transfigurado. A promoção tê-lo-á feito ver que afinal até ter-lhe-iam nascido asas para voar mais longe. O seu discurso mudou literalmente - hão-de reparar que até o tom de voz e o estilo oral se alterou profundamente - e a partir daí a sua conduta tinha sobretudo um cariz mais politiqueiro e mediático. Foi a patir desse momento que alguma comunicação social «apostou» literalmente na sua imagem, sobretudo quando Portugal ganhou a organização do Euro 2004. Muitos jornalistas e directores dos «media» que não saberiam sequer dizer em 1995 quem era o secretário de Estado do Ambiente, passaram anos mais tarde a criar sobre José Sócrates a imagem de político dinâmico e resoluto.
O seu regresso ao Ministério do Ambiente em 1999 foi sobretudo uma excelente estratégia pessoal. Sócrates - que conseguiu satisfazer uma antiga reclamação dos ambientalistas: a fusão do Ambiente com o ordenamento do território - sabia que tinha disponível imenso dinheiro dos fundos comunitários e criou o megalómano Programa Polis (não tanto na obra feita, mas nas verbas gastas), tinha ainda imensas inaugurações a fazer (sobretudo com os aterros sanitários) e tinha uma batalha que desejava conquistar (a co-incineração). Mesmo se nesta última guerra tivesse, como sabia, uma bateria de críticas, Sócrates sabia que os «opinion-makers» não lhe poupariam elogios por a sua abnegação ser o oposto daquilo que criticavam em António Guterres.
A saída de cena do Governo socialista em 2002 não o chamuscou em nada. Pelo contrário, José Sócrates foi talvez o ex-governante que melhor saiu na fotografia do desastre que foi os últimos anos do guterrismo. A comunicação social, mais uma vez, garantiu-lhe um palco especial, dando-lhe a possibilidade de dissertar sobre os mais variados assuntos. Tprnou-se, portanto, um político no auge do mediatismo, o que
nos tempos que correm é meio caminho andado para o sucesso.
Posto isto, estou a imaginar José Sócrates como futuro primeiro-ministro. E, na verdade, não sei sinceramente o que diga. Vejo vantagens e desvantagens. É certo que, malgrado o facto de se se espremer aquilo que fez no Ambiente saía pouco sumo,as questões de ambiente e de ordenamento podem mesmo assim beneficiar bastantes. Sócrates, quer se queira quer não, tem a imagem colado ao ambiente e, portanto, num Governo por si liderado seria «obrigado» a não meter pé em ramo verde. A própria comunicação social, como sistema vampírico que por vezes é, não lhe admitiria determinadas medidas anti-ambientais. No entanto, do ponto de vista mais global, Sócrates não parece dar garantias de ser um político com ideias geniais e a sua ideologia é algo indefinida e vacilando mais para o lado mediático das suas acções. Pode ser que, como eventual líder da oposição, possa mostrar um novo élan, mas para isso terá de recuperar aquilo que melhor tinha nos seus primeiros anos: humildade e vontade de fazer mas fazer bem.
De resto, voltando à comparação entre o seu «colega» Santana, diria que como primeiro-ministro, venha o Diabo e escolha. Se eu fosse Diabo, talvez escolhesse José Sócrates, mas mais por preferir «do mal, o menos».
7/12/2004
À Margem Ambiental LXIII
Enquanto desinfectava uma ferida na mão de um velho lavrador (ferido por um caco de vidro indevidamente deitado na terra), o médico e o doente começaram a conversar sobre o Santana Lopes. E o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe...o Santana é uma tartaruga num poste...
Sem saber o que o camponês quer dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste. A resposta foi:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste da vedação de arame farpado com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é uma tartaruga num poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e continuou com a explicação:
- Não entende como ela lá chegou;
- Não quer acreditar que ela lá esteja;
- Sabe que ela não subiu para lá sozinha;
- Sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto lá estiver;
- Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
Enquanto desinfectava uma ferida na mão de um velho lavrador (ferido por um caco de vidro indevidamente deitado na terra), o médico e o doente começaram a conversar sobre o Santana Lopes. E o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe...o Santana é uma tartaruga num poste...
Sem saber o que o camponês quer dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste. A resposta foi:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste da vedação de arame farpado com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é uma tartaruga num poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e continuou com a explicação:
- Não entende como ela lá chegou;
- Não quer acreditar que ela lá esteja;
- Sabe que ela não subiu para lá sozinha;
- Sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto lá estiver;
- Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
Farpas Verdes XCVI
Mantenho, como cidadão, aquilo que escrevi aqui há dias: envergonho-me de ser cidadão de um país que permite que um político como Pedro Santana Lopes alcance o lugar de primeiro-ministro, sobretudo pelo modo como isso foi alcançado.
Esta é, contudo, uma posição emocional, digamos que mais visceral e muito pouco de racional. De facto, racioanalmente, preocupa-me mais as políticas que serão seguidas e, em especial, na área do ambiente e ordenamento do território.
Aliás, surgem sinais de que o Governo de Santana Lopes se apresta para separar o Ambiente e o Ordenamento do Território - e, à boleia, a tutela das autarquias. A confirmar-se, este será um retrocesso político, embora, sejamos francos, desde que se verificou essa fusão, em 1999, poucas têm sido as vantagens práticas desse modelo.
E em grande medida, esse fracasso deve-se sobretudo ao facto do MAOT do Governo de António Guterres e do MCOTA do Governo de Durão Barroso terem tido dificuldades (ou não desejarem) em confrontar os autarcas, impondo-lhes mais restrições que evitassem o contínua dependência dos impostos do betão. Aliás, se o Ambiente tivesse um Ministério do Ambiente forte nem me importaria de que este não tivesse a tutela do ordenamento e das autarquias. Existem normas ambientais suficientes para, por si mesma, condicionar as políticas de ordenamento e o facto de não não tutelar, nessas circunstâncias as autarquias, até lhe permitiria ganhar independência. O problema está que aquilo que poderá ocorrer é um ainda maior esvaziamento político do Ambiente e um fortalecimento do poder das autarquias na área do ordenamento do território.
Enfim, esperemos que estes dois anos de mandato de Santana Lopes passem rápidos...
Mantenho, como cidadão, aquilo que escrevi aqui há dias: envergonho-me de ser cidadão de um país que permite que um político como Pedro Santana Lopes alcance o lugar de primeiro-ministro, sobretudo pelo modo como isso foi alcançado.
Esta é, contudo, uma posição emocional, digamos que mais visceral e muito pouco de racional. De facto, racioanalmente, preocupa-me mais as políticas que serão seguidas e, em especial, na área do ambiente e ordenamento do território.
Aliás, surgem sinais de que o Governo de Santana Lopes se apresta para separar o Ambiente e o Ordenamento do Território - e, à boleia, a tutela das autarquias. A confirmar-se, este será um retrocesso político, embora, sejamos francos, desde que se verificou essa fusão, em 1999, poucas têm sido as vantagens práticas desse modelo.
E em grande medida, esse fracasso deve-se sobretudo ao facto do MAOT do Governo de António Guterres e do MCOTA do Governo de Durão Barroso terem tido dificuldades (ou não desejarem) em confrontar os autarcas, impondo-lhes mais restrições que evitassem o contínua dependência dos impostos do betão. Aliás, se o Ambiente tivesse um Ministério do Ambiente forte nem me importaria de que este não tivesse a tutela do ordenamento e das autarquias. Existem normas ambientais suficientes para, por si mesma, condicionar as políticas de ordenamento e o facto de não não tutelar, nessas circunstâncias as autarquias, até lhe permitiria ganhar independência. O problema está que aquilo que poderá ocorrer é um ainda maior esvaziamento político do Ambiente e um fortalecimento do poder das autarquias na área do ordenamento do território.
Enfim, esperemos que estes dois anos de mandato de Santana Lopes passem rápidos...
7/08/2004
Farpas Verdes XCV
Ainda a procissão vai no adro. O relatório hoje divulgado pela Diurecção Geral dos Recursos Florestais aponta para uma área ardida até ao dia 4 de Julho de 18 mil hectares,m cerca de 250 hectares superior ao período homólogo do «annus horribilis» de 2003. É certo que este valor pouco indica sobre o futuro a breve prazo, mas é sintomático que quando surge um período de calor mais intenso, o país começa a arder. O incêndio da semana passada em Tavira fez arder uma área de 5700 hectares, embora a esmagadora maioiria tenha sido matos.
E nem se diga que a culpa é dos incendiários. Aliás, aparantemente há uma tendência para uma redução no número de ocorrências. Este ano, para o período em causa, ainda não se atingiu os 6000 fogos e fogachos, quando no quinquénio anterior a cifra ascendia quase sempre aos 7000 fogos ou mais.
Em suma, nada mudou de forma significativa no país para que tenhamos um ano mais calmo. Se a área ardida for muito menor do que no ano passado - ou mesmo que nos anos anteriores - não se pense que se deve a quaisquer medidas estruturais (que foram inexistentes), mas somente aos «caprichos do São Pedro».
Ainda a procissão vai no adro. O relatório hoje divulgado pela Diurecção Geral dos Recursos Florestais aponta para uma área ardida até ao dia 4 de Julho de 18 mil hectares,m cerca de 250 hectares superior ao período homólogo do «annus horribilis» de 2003. É certo que este valor pouco indica sobre o futuro a breve prazo, mas é sintomático que quando surge um período de calor mais intenso, o país começa a arder. O incêndio da semana passada em Tavira fez arder uma área de 5700 hectares, embora a esmagadora maioiria tenha sido matos.
E nem se diga que a culpa é dos incendiários. Aliás, aparantemente há uma tendência para uma redução no número de ocorrências. Este ano, para o período em causa, ainda não se atingiu os 6000 fogos e fogachos, quando no quinquénio anterior a cifra ascendia quase sempre aos 7000 fogos ou mais.
Em suma, nada mudou de forma significativa no país para que tenhamos um ano mais calmo. Se a área ardida for muito menor do que no ano passado - ou mesmo que nos anos anteriores - não se pense que se deve a quaisquer medidas estruturais (que foram inexistentes), mas somente aos «caprichos do São Pedro».
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