4/28/2007

Um servicinho bem feito, sim senhor

Sobre a decisão do Governo em deixar de ratificar os instrumentos de planeamento local e, portanto, deixar ao livre arbítrio dos autarcas o ordenamento urbanístico do território há muito para dizer - e direi a seu tempo -, mas quero, desde já, destacar algo que mostra bem o estado da informação manipulada pelo Estado. Para defender o indefensável (e tentar mostrar ao povo que estamos perante uma boa coisa), a Lusa fez um servicinho ao Governo: foi falar apenas - e repito, apenas - com Sidónio Pardal (e por será, hein, hein?!), sempre muito liberal nestas coisas, para defender a medida do Governo. A notícia da Lusa, que foi depois transmitida por outros órgãos de comunicação social (como o Público), é um must de parvoíces. Entre muitas, destaco as seguintes passagens:

«Para Sidónio Pardal, "é importante aumentar a responsabilidade política e limitar o poder burocrático de funcionários anónimos que actuam de forma quase arbitrária no planeamento do território". "Os técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional têm poder de decidir sobre a economia do território, quando são as autarquias, assembleias municipais e os governantes que são os órgãos de decisão", criticou».

(...)

«Outro caso é da Reserva Ecológica Nacional, que Sidónio Pardal considera "uma fraude" porque não identifica ecossistemas, impõe o estado de abandono e exerce o poder impróprio de dar e sonegar mais-valias. Ou a Reserva Agrícola Nacional, definida como "uma ilusão" porque "convence que ao serem demarcados retalhos de solos de alta fertilidade, o espaço agrícola fica ordenado"».

Voltarei ao assunto, claro. E também aos prazos de 60 a 120 dias para a aprovação dos famigerados Projectos de Interesse Nacional (PIN).

4/24/2007

A culpa que morre solteira

Li há dias - e esqueci-me entretanto de aqui referir - que o Ministério Público decidiu arquivar o processo aberto após o incêndio de Julho do ano passado na zona da Guarda que causou a morte de vários bombeiros, a maior parte dos quais chilenos. Neste caso, apurou-se a causa e o autor. Ficou, contudo, tudo em águas de bacalhau. Não houve intenção, logo foi um acidente, logo arquive-se. Eis o país dos brandos costumes e da morte que morre solteira. Depois queixem-se...

P.S. No caso dos incêndios, continuo a defender que alguns comportamentos de negligência grosseira - como seja andar com maquinaria sem protecção de faíscas em zonas de risco e com tempo quente e seco - sejam equiparados, para efeitos penais, ao dolo (intencionalidade).

4/22/2007

O nojo

Leio no site do Clube de Jornalistas, que João Morgado Fernandes, antigo director-adjunto do Diário de Notícias, entrou agora em funções de assessor de imprensa do ministro das Obras Públicas, Mário Lino. Eis o merecido prémio para quem, no seu consulado na direcção do Diário de Notícias, se empenhava afanosa e despudoradamente em loas ao Governo. E que não se importou em fazer a filhaputice de me tramar no caso Instituto da Água. Esta notícia acaba por não me surpreender - os amigos pagam e recebem favores -, mas chateia-me apenas por uma coisa: enquanto ele trabalhava no Diário de Notícias, o salário era pago pelo empresário Joaquim Oliveira; agora, é por nós, contribuintes.

4/21/2007

Investimentos a que custos?

Que investimentos, como os do IKEA em Paços de Ferreira, são importantes para o país, não merecem discussão - embora convenha relativizar a euforia do Governo, pois estamos a falar de investimento estrangeiro, pelo que a maioria das mais-valias não ficam em Portugal. Porém, já merece discussão - e crítica - e postura deste Governo quando autoriza um parque industrial ao arrepio dos instrumentos de ordenamento do território e do ambiente. A questão essencial não é - e não parece que seja essa a postura da Quercus - de uma qualquer oposição contra investimentos, mas sim saber se o Governo de Portugal terá capacidade de captar investimentos sem se comportar como um país do Terceiro Mundo - ou seja, sem arranjar expedientes de excepção para agradar aos empresários. É que, se assim for, abrem-se precedentes graves. Por um lado, o poder do dinheiro acaba por criar a sua própria lei; por outro, apenas começam a surgir investimentos em Portugal que não são aceites noutros países.

4/19/2007

Mais uma achega

Estou farto da questão da Universidade Independente. Por mim, José Sócrates sempre foi engenheiro - e assim sempre o tratei desde que o conheci em 1995. Por mim, José Sócrates acabou a licenciatura na Universidade Independente, independentemente do favorecimento e facilidades que lhe foram concedidas - e que, ninguém duvide, foram extensíveis a muitos outros. Por mim, o essencial neste assunto é aprofundar as ligações entre António Morais (seu professor) e os negócios associados ao Governo PS de António Guterres. E sobretudo as suas relações com o triângulo Sócrates-Vara-Edite Estrela. E quase só tenho visto o Público a fazer esse trabalho. O resto já é fait divers.

Os jotinhas

As juventudes partidárias não se entenderam para saber quem era o jovem que deveria discursar nas comemorações do 25 de Abril. As organizações ligadas ao PC boicotaram, dizem os jornais, a nome de Ricardo Araújo Pereira, por sinal ex-militante, e depois entraram em discussões pueris sem chegarem a consenso. Este caso não é apenas ridículo - é grave porque são estes jotinhas que vamos apanhar no futuro a (des)governarem-nos.
Os ricos anos da corrupção

Este caso, relatado aqui pelo DN, sobre a condenação por corrupção da máquina fiscal sabe a pouco. Sobretudo quando, no final do texto, se diz o seguinte: «O produto do suborno era repartido pelos funcionários dos fisco e outros agentes envolvidos na cadeia de corrupção. Em 2003, em entrevista ao Correio da Manhã, Rui Canas [condenado neste processo a 10 anos de prisão] afirmou: '80 por cento dos funcionários de Finanças que conheci até 2002 continuam a fazer corrupção. Estou a falar, essencialmente, de directores e liquidadores tributários que pagam a esses directores para fazerem corrupção.' Na mesma altura garantiu que só durante o período do cavaquismo terá ganho mais de dois milhões de euros».

4/13/2007

Uma questão nuclear

O Presidente da República teria feito melhor serviço ao pais se, em vez de dizer que o nuclear terá de ser debatido em Portugal (vd. aqui), propusesse - e promovesse - um debate para tentar compreender por que razão em Portugal os consumos energéticos continuam, há anos, sucessivamente a ser superiores aos crescimento económico...

Em Portugal, a energia nuclear é uma ideia obtusa em termos financeiros e energéticos - e nem meto aqui a questão da segurança e do ambiente -, pois Portugal tem potência instalada mais do que suficiente (e, portanto, a energia nuclear somente serviria para exportação... sem grande interesse público face às desvantagens). Além disso, não soluciona nada em termos energéticos, sabendo que somente produz electricidade. E a electricidade representa apenas cerca de 6% do total da energia consumida em Portugal.
Umas pequenas achegas

Assisto - meio divertido, meio desconsolado - à novela Unigate e às trapalhadas em torno do curso da Engenharia Civil do primeiro-ministro. Já muito se disse sobre o assunto, apenas acrescento duas questões:

a) Talvez seja dos jornalistas portugueses que melhor conheceu José Sócrates no seu início das suas lides governamentais. E posso assegurar que qualquer semelhança entre José Sócrates versão 1995 e José Sócrates versão 2007 é pura coincidência. Donde, provavelmente José Sócrates versão 2007 estará agora a lamentar-se das atitudes do José Sócrates versão 1995.

b) Sobre as pressões exercidas pelo gabinete do primeiro-ministro, pelo que leio parecem-me coisas de pormenor. Pressões de assessorias de imprensa conheço-as bem. Por exemplo, há anos, uma «exigiu-me» que lhe divulgasse uma fonte, caso contrário o ministro (quem seria?) não falaria mais comigo. A minha resposta, claro, imagina-se qual terá sido. Resultado: durante cerca de dois anos, o tal ministro (quem seria?) não me prestou quaisquer declarações sempre que as tentava obter...

4/03/2007

Diz o roto ao nu: por que não te vestes tu?

Isto dá-me uma certa vontade de rir. Mas um riso amarelo. Porque, na verdade, tanto um Governo PSD como um Governo PS se comporta da mesma forma. E actuam de maneira tentacular. Eu sofri - e convenhamos que ainda sofro - disso. Mas mais do que culpar as pressões das assessorias de imprensa dos ministros - que me parecem legítimas por funcionarem como um «lobby» -, a questão deve colocar-se ao nível dos próprios jornalistas e das direcções dos jornais. São os jornalistas que devem demonstrar seriedade, porque o seu «contrato» de seriedade não é com os patrões (como acontece com os assessores de imprensa governamentais), mas sim com os leitores. E já se sabe que, por vezes, a carne (de alguns) é fraca...

4/02/2007

Já não há paciência...

A novela da co-incineração iniciou-se, se se recordam, em 1996 logo no início do primeiro Governo de António Guterres. Nessa altura, José Sócrates era o secretário de Estado-adjunto do Ambiente e foi o responsável por revogar a decisão do anterior Governo de Cavaco Silva que tinha decidido construir em Estarreja uma central de incineração dedicada. Para quem se recorda - que devem ser poucos -, Sócrates alegava que o processo da co-incineração se instalaria mais rapidamente e era mais seguro.

Mais de 10 anos depois, estamos quase na estaca zero. A culpa tem sido da obstinação política de Sócrates sobre esta matéria. De facto, pode ele ter razão, pode até ser irrelevante a poluição causada pela co-incineração (e é, se comparada com as centrais de incineração de lixos da Valorsul e da Lipor, e também da «fornalha» do hospital Júlio de Matos), mas isso não deveria significar que um Governo imponha uma solução ao arrepio da legislação.

O actual Governo, em funções há dois anos, sabia que os estudos de impacte ambiental estavam legalmente caducados. Deveria, por isso, iniciar novos estudos e seguir os trâmites legais. Se assim se fizesse, há muito o processo estaria concluído. Teimoso, Sócrates não quis. Avanço com um já famoso «interesse público», expediente cada vez mais em voga pelo Governo sempre que deseja contornar a lei. Saiu-lhe, contudo, o tiro pela culatra, vendo os tribunais sucessivamente a negar-lhe razão (mais uma derrota, como se vê aqui). E como mau perdedor - o que num Governo democrático é mau princípio - insiste via jurídica. Quando, na verdade, deveria era gastar os seus esforços e o nosso dinheiro a estudar e a implementar um sistema que, efectivamente, desse garantias de segurança às populações. Isso, sim, é interesse público.

3/29/2007

Eles tratam-nos da saúde

A fornalha do hospital Júlio de Matos, que anda há anos impunemente a queimar lixos e a mandar dioxinas e furanos para o ar em pleno centro de Lisboa foi mandada encerrar pelo Inspecção-Geral do Ambiente. «Só» estava a emitir 30 vezes mais do que o permitido. O Ministério do Ambiente (como entidade) não merece elogios, neste caso: foi a responsável por permitir a manutenção de uma incineradora deste género no meio de uma cidade. E, além disso, convém não esquecer que os SUCH é uma empresa estatal...
Um passo de demagogia

Eufórico, como é seu timbre, o ministro da Economia, Manuel Pinho, embandeirou em arco ontem durante a inauguração da central fotovoltaica em Brinches. Não esteve com meias palavras: disse que «estamos na linha da frente, na União Europeia e mesmo a nível mundial, no que diz respeito às energias renováveis», acrescentando ainda que é «um passo importante» para se atingir as metas portuguesas de, em 2020, produzir «45 por cento da energia nacional» através de energias renováveis.

Ora, o ministro só pode estar a brincar, por certo, pois se considerarmos toda a energia consumida em Portugal por fonte, temos o seguinte, respeitante a 2004:
  • Carvão: 12,8%
  • Petróleo: 58,3%
  • Gás natural: 12,5%
  • Electricidade: 5,7%
  • Biocombustíveis: 10,7%
Considerando que, sendo benevolente, 1/3 da electricidade foi produzida por fontes renováveis, temos então que uns míseros 12,6% da energia consumida em Portugal naquele ano foi recorrendo a fontes renováveis. Estamos à frente do quê????

Por outro lado, a central fotovoltaica, sem pretender menosprezá-la, é completamente irrelevante. Pode ser a maior do Mundo, mas é-o porque do ponto de vista da produção de electricidade, a energia solar é ainda pouco atractiva. A central de Brinches - a tal que é a maior do Mundo - tem 11 MW de potência, ou seja, representa em Portugal apenas 0,11% da potência total instalada!!! Na verdade, a energia solar deveria ser mais incentivada - e com muito maiores vantagens económicas e ambientais - como aquecimento e disseminado pelas habitações. Claro que, obviamente, apostar nesta linha não daria oportunidade ao ministro da Economia para fazer inaugurações e mandar uns bitates.

3/27/2007

Causas & efeitos

Organizado pela Livraria Almedina, com moderação de Filipa Melo, realiza-se na próxima quinta-feira, dia 29 de Março, pelas 19:00, na livraria do Atrium Saldanha, em Lisboa, um debate que discutirá e se fará um balanço de como, hoje e no passado, se organizam e
estruturam em Portugal as acções de cidadania em torno do ambientalismo.

Presentes estarão:

Eugénio Sequeira (presidente da Direcção Nacional da Liga para a
Protecção da Natureza)
Gonçalo Ribeiro Telles (arquitecto paisagista)
João Joanaz de Melo (presidente da Assembleia Geral do GEOTA)
Pedro Almeida Vieira (jornalista, escritor)
Susana Fonseca (vice-presidente Direcção Nacional da Quercus)

3/26/2007

A grande palhaçada que faz Salazar sorrir na tumba

É bem feito isto - o país merece e a RTP também por ter tido a brilhante ideia de misturar História com entretenimento. Saiu-lhes o tiro pela culatra. Em todo o caso, independentemente dos salazarismos, dos votos por gozo (que os houve, por certo...), da ignorância, de tudo, este resultado mostra sobretudo uma triste realidade: a democracia em 30 anos conseguiu que uma fatia considerável de portugueses suspire agora de saudade pelo antigo regime... E, de facto, em muitos aspectos tem razão...

3/24/2007

Ainda a novela da Costa da Caparica

Que o Instituto da Água andou a meter «água» no caso da Costa da Caparica parece evidente. A solução de emergência e de recurso através do reforço com areia e pedra na zona dunar somente por milagre resultaria - estava destinada ao insucesso e mais não se fez do que gastar dinheiro. Aquilo que se esperaria desta entidade, e também da protecção civil, era retirar todos os equipamentos susceptíveis de ser afectados pelas marés vivas. E depois sim fazer uma intervenção mais ponderada e eficaz.

Dando a «esperança» de que conseguiria resolver o problema (recordo-me de algumas afirmações de responsáveis do Ministério do Ambiente em Dezembro do ano passado), o insucesso deu suposta legitimidade ao Clube de Campismo de Lisboa para agora reivindicar indemnizações. Porém, repito que é só suposta, porque só faltava que os contribuintes tivessem de pagar não só os disparates do Ministério do Ambiente como também prejuízos de entidades privadas que usufruem de um bem público...

3/23/2007

O faz de conta que há conservação da Natureza em Portugal

Alguém acredita que acabando com os directores das áreas protegidas e criando cinco departamentos de base regional (vd aqui) melhorará alguma coisa o estado de inanição da conservação da Natureza em Portugal? Este parece-me um caso evidente em que se muda para ficar tudo na mesma. Ou pior, a mudar só vai ser para pior.
Moinhos de vento

Existe qualquer coisa de estranho nas declarações do presidente da ERSE quando diz que «o aumento de produção de
energias renováveis 'vai ter impactos negativos nas tarifas eléctricas', encarecendo-as a curto prazo» (vd. aqui). Por várias razões. A primeira é que, sabendo que actualmente a produção de energia eólica apenas representa cerca de 6% da electricidade consumida, não parece existir razões para que implique uma alteração tarifária significativa, mesmo que tenha custos de produção superiores. A razão para esse aumento deverá, na minha opinião, ser atribuído, em parte, às condições muito vantajosas para as empresas que produzem este tipo de energia (a electricidade é garantidamente comprada, em condições de preferência, e a preço mais elevado). Mas se é legítimo - e assumo que necessário - não se pode atribuir as culpas à forma de energia, mas sim às condições empresariais aprovadas pelo Governo (e que pode e deve ser questionada, sobretudo se se vai pagar mais pela electricidade).

A segunda razão advém da primeira. As condições mais favoráveis, do ponto de vista do empresário das eólicas, radica num pressuposto ambiental. Ou seja, as eólicas não produzem dióxido de carbono, ao contrário das térmicas. Neste momento, como os mecanismo do protocolo de Quioto não estão ainda em vigor, esta vantagem das energias renováveis não se faz sentir em termos financeiros. Mas vão-se fazer. Significa que, na verdade, o suposto encarecimento das tarifas eléctricas não são, ao contrário do que diz o presidente da ERSE, devidas à energia renovável, mas sim devido à artificialidade do actual sistema electroprodutor, que externaliza as questões ambientais.


Em suma, parece-me constituir um mau princípio, atribuir um aumento da electricidade por causa das energias renováveis. Porque, de contrário, a história está mal contada - e as energias renováveis tornam-se, por causa disso, sinónimo de energia mais cara, o que é um contra-senso num combustível que é de borla...

3/22/2007

Assim vai o país...

Estas decisões da Comissão Europeia contra o Governo português em matéria de ambiente, saúde pública e conservação da Natureza são um paradigma do estrago da Nação.

Esgotos não tratados nos principais aglomerados populacionais, água de abastecimento público que continua um nojo em muitas zonas do país, obras públicas que desrespeitam áreas de conservação, alterações ad hoc em sítios da Rede Natura e, helas, desrespeito por acórdãos do Tribunal Europeu...

3/19/2007

Só foi mais rápido do que eu esperava...

Em 23 de Fevereiro, escrevia aqui que «os evidentes sinais de colapso do afamado Freeport Alcochete - primeiro, os cinemas, depois as lojas fechadas e agora os restaurantes em vias de ser encerrados vai ter uma única solução. Dentro em breve, a empresa gestora vai fechar aquilo e depois vai sugerir uma reabitação e reformulação da coisa. O que vai significar que parte ou a totalidade dos terrenos ocupados servirão para construção de habitação. E quando isso acontecer, ficar-se-á a saber quais os passos a seguir para retirar um sítio da Rede Natura para construção de habitação».

Ora, hoje surge no Público (vd. aqui), que o Grupo Carlyle - dirigido pelo antigo embaixador dos EUA em Lisboa Frank Carlucci - comprou o Freeport de Alcoichete. Como não acredito que esta transacção seja para manter um negócio que estava a ser ruinoso, nem que a empresa norte-americana tenha feito a compra sem garantias de viabilidade económica futura, está já garantido aquilo que previ: vai surgir mais betão. Numa zona de Rede Natura, claro...

3/16/2007

Estímulos & afectos

Sabe bem. Terceira edição do «Nove Mil Passos», nos próximos dias nas livrarias. A primeira edição foi em Julho de 2004. A segunda em Novembro do mesmo ano. Agora esta. Vai vendendo, devagarinho, mas sempre. Vai sendo lido. Vai estimulando para se continuar...

3/13/2007

DN promete

O rumo do Diário de Notícias vai, por certo, dar um excelente «case study». Em dois dias da equipa de João Marcelino, em destaque, duas notícias comprometedoras para o Governo. Hoje, noticia-se, em manchete, que «Privados abrem clínicas onde Governo fechou centros de saúde». Durante o ano de 2005 e 2006 quantas terão sido as manchetes deste jornal comprometedoras para o Governo, hein?

3/12/2007

O novo DN a olhos vistos

Olha-se para esta notícia e estranha-se. O DN a falar das numerosas nomeações do Governo socialista???!!! Onde se viu isto nos últimos meses????!!! Depois, vai-se de novo à primeira página e a surpresa desvanece-se: ah, é o primeiro dia de edição do DN com a equipa de João Marcelino.

Nota: Agora a sério, os próximos tempos do DN permitirão saber se a verdadeira razão da demissão da antiga direcção se devia ou não a razões de demasiada colagem ao Governo.

3/11/2007

Um simulacro de simulacro

Ainda a propósito dos simulacros nos 18 distritos do país (vd. aqui) - , ao fim de semana, a horas marcadas, com bombeiros já a postos, GNR avisada, figurantes q.b., material a brilhar -, tenho algumas dúvidas sobre que conceito se deve usar, neste caso, para caracterizar a palavra simulacro. No Dicionário Houiass, surgem várias alternativas - aceitam-se opiniões...

Simulacro
n substantivo masculino
1 Diacronismo: antigo.
representação de pessoa ou divindade pagã; ídolo, efígie
2 representação, imitação
Ex.: s. de batalha
3 falso aspecto, aparência enganosa
Ex.: s. de democracia
4 cópia malfeita ou grosseira; arremedo
5 semelhança, parecença
Ex.: o desmaio é o s. da morte
6 suposto reaparecimento de pessoa morta; espectro, sombra, fantasma

3/10/2007

Simulações de fim-de-semana

Hoje, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil está a realizar, em todos os distritos do país, o primeiro exercício para testar a prontidão dos bombeiros (vd. aqui). É bonito fazer simulações, mas ainda não compreendi as razões para que sejam quase sempre feitas ao fim-de-semana, quando os bombeiros estão todos disponíveis e o tráfego automóvel está mais desanuviado e, enfim, as pessoas não estão no seu local de trabalho. Ou seja, tudo pode correr muito bem, mas fica-se a saber apenas que está tudo bem ao fim-de-semana. Para o resto dos dias que representam 5/7 do total, é melhor rezarmos. Pode ser que as catástrofes a ocorrer sejam sempre ao sábado ou domingo...
Uma praga portuguesa

Hoje, na edição do Público surge um extenso trabalho sobre o descontrolo da praga do nemátodo do pinheiro que afecta já toda a Península de Setúbal e alargou-se para o sudoeste alentejano e ameaça também passar para o norte do Tejo, o que a acontecer seria uma catástrofe.

Esta praga - que por sinal foi revelada pela primeira vez no Expresso em Setembro de 1999, por mim e pela minha então colega Valentina Marcelino - mostra como em Portugal se anda a brincar com o perigo e não se tomam medidas eficazes atempadamente. Em vez de se fazer um controlo sanitário rígido - e isso implicaria mesmo o corte radical da área que então é afectada - foi-se cortando aqui, cortando ali, de modo que agora a contaminação está disseminada.

3/04/2007

Habituem-se...

A nota da edição de ontem da Direcção Editorial do Público sobre as manobras da assessoria de imprensa do Ministro da Presidência para sonegar informação que uma jornalista tinha solicitado é lamentável. E mostra, mais uma vez, as posturas congénitas dos Governos socialistas em bloquear informações e mesmo tentar boicotar os jornalistas incómodos. Lembrem-se das proféticas palavras - terão sido? - de António Vitorino quando se constitui o Governo socialista...

2/24/2007

Lá vai Lisboa...

Na autarquia alfacinha, o pântano já está tão líquido que agora até andam à peixeirada. Depois da Bagaparques e EPUL, vem agora a Gebalis. As reacções suicidas entre membros do PSD por causa de um suposto relatório é confrangedor (vd. aqui).
Uma risota pegada

Continuam os disparates na Costa da Caparica, com os custos a disparar e a própria comunicação social a participar na coisa.

Hoje, a notícia do Diário de Notícias é um must. Começa por revelar que «(...) o trabalho do Instituto da Água feito desde o dia 20, altura em que o mar engoliu seis metros do paredão, de nada serviu, uma vez que 'a maioria do tapamento dos rombos feito terça e quarta-feira ficou danificada com a maré" da última madrugada'», como admitiu um técnico daquela entidade. Portanto, andou a fazer-se que se fazia.

Mais adiante, surge as declarações do vereador da protecção civil da autarquia de Almada a dizer os seus bitates: «explicou ao DN que serão usadas 'mais 200 toneladas de pedra além da que lá existe actualmente'». Ora, o homem não deve saber o que é uma tonelada de pedra, pois não estou a acreditar que um pouco menos de 200 pedregulhos (supondo que cada um tenha a forma de um cubo de um metro de lado) sirva para alguma coisa.

Mas, no meio disto, achei especial piada a este trecho da notícia: «'Neste momento, o nosso objectivo é construir um entroncamento de maior dimensão, dado que a maré cheia desta madrugada destruiu praticamente todo o trabalho que estava a ser feito na defesa aderente desde terça-feira', explicou ao DN João Costa, director do serviço de projectos e obras do Instituto da Água». Ora, como conheço a fonte e não me parece que ele tenha dito ENTRONCAMENTO... talvez, sei lá, terá dito qualquer coisa como ENROCAMENTO (é nisto que dá não se apostar num jornalismo cuidadoso).

Por fim, neste cortar de casaca, gostava de realçar a insistência com que se fala agora de «defesa aderente», quando se aborda a protecção da linha de costa. Na notícia do DN, esta expressão é usada por duas vezes e tenho-a ouvido muitas mais. Ora, como a «defesa aderente» tem estado sempre a a tornar-se inaderente, parece-me encontrar paralelismos com o «fogo circunscrito» muito comum no dicionário de «bombeirês».

2/23/2007

Expedientes, pois claro

Os evidentes sinais de colapso do afamado Freeport Alcochete - primeiro, os cinemas, depois as lojas fechadas e agora os restaurantes em vias de ser encerrados (vd. aqui) - vai ter uma única solução. Dentro em breve, a empresa gestora vai fechar aquilo e depois vai sugerir uma reabitação e reformulação da coisa. O que vai significar que parte ou a totalidade dos terrenos ocupados servirão para construção de habitação. E quando isso acontecer, ficar-se-á a saber quais os passos a seguir para retirar um sítio da Rede Natura para construção de habitação.