Farpas Verdes CDXXXII
Apesar da chuva das últimas semanas, Portugal ainda está longe de garantir um ano hidrológico que permita que, no próximo Verão, não haja carência de água. Este Verão houve muitos «apelos» do Estado para se poupar água. Aprendeu-se a lição para se poupar água? Claro que sim! Ainda este noite, ao chegar a casa confirmei, por exemplo, que a autarquia de Lisboa aprendeu a lição: a minha rua estava a ser regada a jactos de água da albufeira de Castelo de Bode... parecia uma enxurrada...
11/24/2005
11/23/2005
Derivações Ambientais XXXV
Por vezes, no Sitemeter procuro conhecer o perfil dos meus visitantes e, quase sempre, me surgem divertidas descobertas. Há uma hora atrás, tive 6 visitas no espaço de um minuto que procuravam saber em que navio tinha Charles Darwin viajado até às ilhas Galápagos. A resposta - que não estava no blog - era Beagle e valeria 50 mil euros no concurso «O Cofre» da RTP.
No entanto, o mais engraçado foi ver a forma como as pessoas pesquisam no Google: todos os seis visitantes colocaram, com pequenas variantes, a pergunta literal que foi feita no concurso. A variante, contudo, que me deu vontade de rir rezava assim, textualmente: «barco k levou darwin as ilhas galapagos». O Google, se um dia for ainda mais «inteligente» deveria recusar dar respostas a pessoas que escrevem assim.
Por vezes, no Sitemeter procuro conhecer o perfil dos meus visitantes e, quase sempre, me surgem divertidas descobertas. Há uma hora atrás, tive 6 visitas no espaço de um minuto que procuravam saber em que navio tinha Charles Darwin viajado até às ilhas Galápagos. A resposta - que não estava no blog - era Beagle e valeria 50 mil euros no concurso «O Cofre» da RTP.
No entanto, o mais engraçado foi ver a forma como as pessoas pesquisam no Google: todos os seis visitantes colocaram, com pequenas variantes, a pergunta literal que foi feita no concurso. A variante, contudo, que me deu vontade de rir rezava assim, textualmente: «barco k levou darwin as ilhas galapagos». O Google, se um dia for ainda mais «inteligente» deveria recusar dar respostas a pessoas que escrevem assim.
11/22/2005
Farpas Verdes CDXXXI
Não me tenho debruçado muito sobre a questão do aeroporto da Ota, porque gosto de opinar somente após uma análise aprofundada sobre os temas. Contudo, em Outubro de 1998 elaborei uma reportagem que foi capa da revista (então) mensal Grande Reportagem a pretexto da discussão, à época, das alternativas Ota e Rio Frio. Abordei também a questão da suposta saturação do aeroporto da Portela.
Infelizmente, apenas tenho a revista - o texto em computador, infelizmente perdeu-se - e fui agora rememorá-lo. E há uma frase interessantíssima do então presidente do NAER, Sérgio Pessoa, que explica a vontade as razões de vermos os principais empresários nacionais a torcerem o nariz ao empreendimento e o Governo a ser «ajudado» por especialistas estrangeiros no sentido de nos convencerem de que esta obra era importante. Sérgio Pessoa dizia então o seguinte: «Temos consciência dos lobbies nacionai, mas o novo aeroporto de Lisboa despereta interesses em sindicatos financeiros internacionais que tornam essas pressões nacionais insignificantes».
Não me tenho debruçado muito sobre a questão do aeroporto da Ota, porque gosto de opinar somente após uma análise aprofundada sobre os temas. Contudo, em Outubro de 1998 elaborei uma reportagem que foi capa da revista (então) mensal Grande Reportagem a pretexto da discussão, à época, das alternativas Ota e Rio Frio. Abordei também a questão da suposta saturação do aeroporto da Portela.
Infelizmente, apenas tenho a revista - o texto em computador, infelizmente perdeu-se - e fui agora rememorá-lo. E há uma frase interessantíssima do então presidente do NAER, Sérgio Pessoa, que explica a vontade as razões de vermos os principais empresários nacionais a torcerem o nariz ao empreendimento e o Governo a ser «ajudado» por especialistas estrangeiros no sentido de nos convencerem de que esta obra era importante. Sérgio Pessoa dizia então o seguinte: «Temos consciência dos lobbies nacionai, mas o novo aeroporto de Lisboa despereta interesses em sindicatos financeiros internacionais que tornam essas pressões nacionais insignificantes».
11/20/2005
Farpas Verdes CDXXX
Em 1987, quando entrei na Universidade de Évora, as minhas viagens para casa dos meus pais , em Anadia, eram quase épicas., sobretudo de fosse de comboio. Havia duas alternativas: entrava na Curia e seguia pela Linha do Norte até Lisboa ou então saía num estação chamada Setil. No primeiro caso, chegado a Santa Apolónia, seguia a pé (o dinheiro não abundava) até ao Terreiro do Paço, apanhava o barco para o Barreiro, daí o comboio até Casa Branca e seguia noutro para Évora. No segundo caso, apanhava-se uma automora que, já não me recordo bem, parava também em Casa Branca e depois seguia-se em comboio para Évora. Eram uma viagem que demorava horas infindáveis.
Recordei-me destas viagens, por duas razões: a primeira, por causa do TGV. A segunda porque hoje irei para Évora e, como tinha alguma dispononibilidade horária, estava disposto a ir de comboio, numa espécie de viagem nostálgica. Pois bem, de Lisboa a Évora, as coisas nada mudaram em duas décadas. As duas cidades distam cerca de 140 quilómetros, mas dos quatro comboios, o trajecto mais «rápido» demora 3 horas e 10 minutos, enquanto que o menos «rápido» 4 horas e 9 minutos. Ou seja, no mais «rápido» faz-se 46 km/h e no menos «rápido» 36 km/h. A «culpa» disto não é apenas da travessia do Tejo, mas sobretudo da espera na ligação em Porto Alto ou, em alguns casos, em Casa Branca, em que se «desespera» quase uma hora.
Claro está que, assim, não admira que as pessoas optem pelo veículo privado ou então de camioneta (que, aliás, na minha última viagem a Évora usei). Só a Rodoviária Nacional tem hoje 18 autocarros para Évora e demora 1 hora e 45 minutos. E a um preço 0,5 euros superior!
Conclusão: num país que jamais apostou no transporte ferroviário - e quando o fez, fez mal, desperdiçando recursos para parcos benefícios (vd. remodelação da Linha do Norte) - e que afasta os cidadãos do seu uso, a construção da TGV só se justifica por uma razão: criar emprego a todo o custo e dar dinheiro aos empreiteiros. A factura, essa, será paga pelos contribuintes que, na sua grandessíssima maioria, pouco irão beneficiar desse investimento. Mas que muito beneficiariam (e o ambiente também) com uam eficaz rede ferroviária interna.
Em 1987, quando entrei na Universidade de Évora, as minhas viagens para casa dos meus pais , em Anadia, eram quase épicas., sobretudo de fosse de comboio. Havia duas alternativas: entrava na Curia e seguia pela Linha do Norte até Lisboa ou então saía num estação chamada Setil. No primeiro caso, chegado a Santa Apolónia, seguia a pé (o dinheiro não abundava) até ao Terreiro do Paço, apanhava o barco para o Barreiro, daí o comboio até Casa Branca e seguia noutro para Évora. No segundo caso, apanhava-se uma automora que, já não me recordo bem, parava também em Casa Branca e depois seguia-se em comboio para Évora. Eram uma viagem que demorava horas infindáveis.
Recordei-me destas viagens, por duas razões: a primeira, por causa do TGV. A segunda porque hoje irei para Évora e, como tinha alguma dispononibilidade horária, estava disposto a ir de comboio, numa espécie de viagem nostálgica. Pois bem, de Lisboa a Évora, as coisas nada mudaram em duas décadas. As duas cidades distam cerca de 140 quilómetros, mas dos quatro comboios, o trajecto mais «rápido» demora 3 horas e 10 minutos, enquanto que o menos «rápido» 4 horas e 9 minutos. Ou seja, no mais «rápido» faz-se 46 km/h e no menos «rápido» 36 km/h. A «culpa» disto não é apenas da travessia do Tejo, mas sobretudo da espera na ligação em Porto Alto ou, em alguns casos, em Casa Branca, em que se «desespera» quase uma hora.
Claro está que, assim, não admira que as pessoas optem pelo veículo privado ou então de camioneta (que, aliás, na minha última viagem a Évora usei). Só a Rodoviária Nacional tem hoje 18 autocarros para Évora e demora 1 hora e 45 minutos. E a um preço 0,5 euros superior!
Conclusão: num país que jamais apostou no transporte ferroviário - e quando o fez, fez mal, desperdiçando recursos para parcos benefícios (vd. remodelação da Linha do Norte) - e que afasta os cidadãos do seu uso, a construção da TGV só se justifica por uma razão: criar emprego a todo o custo e dar dinheiro aos empreiteiros. A factura, essa, será paga pelos contribuintes que, na sua grandessíssima maioria, pouco irão beneficiar desse investimento. Mas que muito beneficiariam (e o ambiente também) com uam eficaz rede ferroviária interna.
11/19/2005
Derivações Ambientais XXXIV
O que será mais grave: a violação do segredo de justiça ou as conversas telefónicas «apanhadas» pela PJ sobre as pressões de políticos do PS e PP para demitirem o Procurador-Geral da República, de modo a abafar o caso Portucale?
Por mim, esta tentativa de «diabolozar» as violações do segredo de justiça não augura nada de bom para uma democracia, se em paralelo os nossos políticos continuarem em atitudes corporativistas e a ingerirem-se nas investigações policiais. Mas receio que ainda surja o dia em que violar o segredo de justiça seja mais penalizado criminalmente do que o próprio crime cujos contornos foram revelados pela comunicação social.
O que será mais grave: a violação do segredo de justiça ou as conversas telefónicas «apanhadas» pela PJ sobre as pressões de políticos do PS e PP para demitirem o Procurador-Geral da República, de modo a abafar o caso Portucale?
Por mim, esta tentativa de «diabolozar» as violações do segredo de justiça não augura nada de bom para uma democracia, se em paralelo os nossos políticos continuarem em atitudes corporativistas e a ingerirem-se nas investigações policiais. Mas receio que ainda surja o dia em que violar o segredo de justiça seja mais penalizado criminalmente do que o próprio crime cujos contornos foram revelados pela comunicação social.
11/16/2005
Farpas Verdes CDXXIX
O Governo fez aquilo que deveria ter, há muitos anos, feito com o Metro do Porto: retirar o poder de decisão aos autarcas. Embora esta seja uma obra essencial para a região do Porto, desde o início que torci o nariz, logo que a empresa Metro do Porto, ainda as obras do metropolitano ainda não se tinham iniciado, estavam já a suportar os custos da ponte do Infante, mesmo sabendo-se que o estudo de impacte ambiente desaconselhava essa nova travessia exactamente por ir competir com os transportes públicos.
Depois, foram os projectos de expansão - como os do Estádio do Dragão ou a linha para Gondomar - que tinham como único fito a especulação imobiliária (ou seja, servir zonas urbanizáveis e não zonas urbanas consolidadas, para propiciar mais-valias urbanísticas). E claro, as derrapagens habituais: 119%. E também a corrida aos «tachos» dos autarcas, sobre os quais escrevi em meados de 2001 no semanário Expresso.
O Governo fez aquilo que deveria ter, há muitos anos, feito com o Metro do Porto: retirar o poder de decisão aos autarcas. Embora esta seja uma obra essencial para a região do Porto, desde o início que torci o nariz, logo que a empresa Metro do Porto, ainda as obras do metropolitano ainda não se tinham iniciado, estavam já a suportar os custos da ponte do Infante, mesmo sabendo-se que o estudo de impacte ambiente desaconselhava essa nova travessia exactamente por ir competir com os transportes públicos.
Depois, foram os projectos de expansão - como os do Estádio do Dragão ou a linha para Gondomar - que tinham como único fito a especulação imobiliária (ou seja, servir zonas urbanizáveis e não zonas urbanas consolidadas, para propiciar mais-valias urbanísticas). E claro, as derrapagens habituais: 119%. E também a corrida aos «tachos» dos autarcas, sobre os quais escrevi em meados de 2001 no semanário Expresso.
Farpas Verdes CDXXVIII
O tempo fresco e húmido parece ter feito bem ao ministro da Administração Interna e ao presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. No Verão, para eles, tudo tinha corrido bem, com eficácia, no combate aos fogos florestais. Agora, já dizem cobras e lagartos e anteontem o próprio presidente do SNBPC quase disse sobre a organização da sua instituição aquilo que Maomé nem sequer diria sobre o toucinho... E depois ainda querem que os levemos a sério!
O tempo fresco e húmido parece ter feito bem ao ministro da Administração Interna e ao presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. No Verão, para eles, tudo tinha corrido bem, com eficácia, no combate aos fogos florestais. Agora, já dizem cobras e lagartos e anteontem o próprio presidente do SNBPC quase disse sobre a organização da sua instituição aquilo que Maomé nem sequer diria sobre o toucinho... E depois ainda querem que os levemos a sério!
11/14/2005
À Margem Ambiental LXXXVPermitam-me a imodéstia de colocar aqui a recensão feita pelo crítico literário Miguel Real, publicada na última edição do Jornal de Letras, sobre o meu novo romance. É certo que alimenta o ego, mas serve sobretudo para melhor divulgar um projecto que me ocupou muito do meu tempo no último ano. Mas mais do que um elogio, este tipo de críticas acaba por ser uma enorme responsabilidade futura, porque, afinal, é muito fácil escrever... um mau livro.
«Com a publicação do seu segundo romance, O Profeta do Castigo Divino, A venturosa vida de Gabriel Malagrida, o jesuíta que tentou salvar Lisboa do terramoto de 1755, Pedro Almeida Vieira (PAV) estatui-se, no todo actual do romance português, como o mais fiel continuador de Fernando Campos e João Aguiar, o que significa, devido à relativa juventude do autor (n. 1969), que se estatui como a grande revelação do romance histórico português à entrada do século XXI.
PAV mostra-se exímio na narração de ambientes, com um admirável domínio vocabular setecentista, reflectindo uma notória capacidade investigativa, capaz de fazer inveja a não poucos historiadores, sustentando a narrativa num excelente conjunto de fontes coevas, que lhe alimentam a capacidade de efabulação a partir de problematizações histórico-sociais da época. Neste seu segundo romance, PAV apresenta o padre Malagrida como um misto de iluminado, de escolhido de Deus, militante eclesiástico, visionário, profeta do mal, socialmente excêntrico face aos próprios companheiros jesuítas, missionário obstinado, tão fanaticamente crente na missão divina da sua vida que não hesita em usar estratagemas ardilosos (como o das bolas de cera no mar) para exaltação de uma maior santidade pessoal e divina. Acresce um lado milagreiro, que espanta o próprio Diabo, e uam beatice supersticiosa, que atrai o mulherio crédulo de Lisboa e São Luís do Maranhão. Padre Malagrida é assim figurado, na visão ficcional de PAV, como o máximo exemplo da mentalidade evangélica dominante no Portugal de D. João V, em absoluto contraste com a nova mentalidade moderna e europeia elevada a figura de Estado de D. José I (excessivamente caricaturizado no romance, seguindo a tradição positivista oitocentista que identificava D. José com um rei tolo) e Marquês de Pombal, este denominado por Malagrida de Diábolos.
Diferentemente do romance de Luís Rosa, O Profeta do Castigo Divino constitui-se como o romance português que melhor descreve a tensão social entre estes dois «Portugais», finalizando com o auto-de-fé em que padre Malagrida é queimado, em 1761, anunciando a vitória (provisória) do Portugal iluminista.»
Miguel Real, JL nº 916 (9-22 de Novembro de 2005)
Farpas Verdes CDXXVII
«Não temos o hábito de estar a rever decisões dos anteriores governos», disse ao Público, na passada sexta-feira, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, sobre a insistência em avançar com a construção da barragem do Sabor, cuja aprovação foi dada no ano passado pelo Governo PSD-PP. E acrescentava mais ainda: «Se fôssemos nós (a aprovar pela primeira vez), não sei qual seria o resultado».
Estas afirmações de Humberto Rosa - «acossado» por um processo aberto pela Comissão Europeia por a área em causa integrar sítios da Rede Natura - são espantosas. E diria mais, não fosse o caso de lhe ter estima. No entanto, «limitado» por isso, gostaria contudo de (lhe) recordar que o projecto Baixo Sabor surgiu exactamente por via de uma revisão da decisão de um anterior Governo em 1995, quando então o novo primeiro-ministro António Guterres - de que Humebrto Rosa era assessor para o Ambiente - ter abandonado o projecto Foz Côa. Mal estaríamos se em política não houvesse revisões de más decisões. Mais grave ainda é Humberto Rosa acrescentar que a decisão poderia ser outra - deduz-se que a não aprovação - se o processo tivesse sido liderado sempre por um Governo socialista. Assentir num erro, em consciência, é mais grave. É a diferença entre negligência e dolo...
Ao longo dos anos ficou patente que o interesse do Baixo Sabor é irrelevante para a economia nacional e mesmo para a produção hidroeléctrica. E sinal disso é que a EDP apenas avançará se tiver garantia de financiamento. A EDP já assumiu que precisa de 50% de comparticipação pública para os 322 milhões de euros que custará a barragem.
Ora, sacrificar uma zona ambientalmente bem preservada - de um dos últimos rios «selvagens» do país - e ainda ter que injectar 161 milhões de euros é um custo demasiado elevado para um projecto que tem pouco interesse até económico - excepção feita para as empresas de construção civil. Mesmo as mais valias com que agora se acenam são menores, ridículas na sua dimensão, como seja a regularização do caudal da já artificial bacia do Douro e a alegada diminuição das emissões de gases de estufa.
Humberto Rosa diz que o Ministério do Ambiente está a fazer uma análise da situação«de modo a produzir uma argumentação convincente» junto da União Europeia. Ou seja, temo o pior: o Ministério do Ambiente a argumentar para justificar um projecto lesivo do ambiente. A última esperança - do ponto de vista ambiental e económico - é que Bruxelas não se deixe enganar com a tal «argumentação convincente».
«Não temos o hábito de estar a rever decisões dos anteriores governos», disse ao Público, na passada sexta-feira, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, sobre a insistência em avançar com a construção da barragem do Sabor, cuja aprovação foi dada no ano passado pelo Governo PSD-PP. E acrescentava mais ainda: «Se fôssemos nós (a aprovar pela primeira vez), não sei qual seria o resultado».
Estas afirmações de Humberto Rosa - «acossado» por um processo aberto pela Comissão Europeia por a área em causa integrar sítios da Rede Natura - são espantosas. E diria mais, não fosse o caso de lhe ter estima. No entanto, «limitado» por isso, gostaria contudo de (lhe) recordar que o projecto Baixo Sabor surgiu exactamente por via de uma revisão da decisão de um anterior Governo em 1995, quando então o novo primeiro-ministro António Guterres - de que Humebrto Rosa era assessor para o Ambiente - ter abandonado o projecto Foz Côa. Mal estaríamos se em política não houvesse revisões de más decisões. Mais grave ainda é Humberto Rosa acrescentar que a decisão poderia ser outra - deduz-se que a não aprovação - se o processo tivesse sido liderado sempre por um Governo socialista. Assentir num erro, em consciência, é mais grave. É a diferença entre negligência e dolo...
Ao longo dos anos ficou patente que o interesse do Baixo Sabor é irrelevante para a economia nacional e mesmo para a produção hidroeléctrica. E sinal disso é que a EDP apenas avançará se tiver garantia de financiamento. A EDP já assumiu que precisa de 50% de comparticipação pública para os 322 milhões de euros que custará a barragem.
Ora, sacrificar uma zona ambientalmente bem preservada - de um dos últimos rios «selvagens» do país - e ainda ter que injectar 161 milhões de euros é um custo demasiado elevado para um projecto que tem pouco interesse até económico - excepção feita para as empresas de construção civil. Mesmo as mais valias com que agora se acenam são menores, ridículas na sua dimensão, como seja a regularização do caudal da já artificial bacia do Douro e a alegada diminuição das emissões de gases de estufa.
Humberto Rosa diz que o Ministério do Ambiente está a fazer uma análise da situação«de modo a produzir uma argumentação convincente» junto da União Europeia. Ou seja, temo o pior: o Ministério do Ambiente a argumentar para justificar um projecto lesivo do ambiente. A última esperança - do ponto de vista ambiental e económico - é que Bruxelas não se deixe enganar com a tal «argumentação convincente».
11/11/2005
À Margem Ambiental LXXXVII
Serve este post apenas para informar que, desde o início desta semana, reactivei a minha recolha selectiva. Por uma acaso - acredito de foi por acaso - reparei que na Rua do Poço dos Negros - a cerca de 100 metros da minha casa - encontra-se um ecoponto, que «roubou» (justamente) dois lugares de estacionamento da EMEL. É provável que ele já por lá estivesse há uns tempos, pois a autarquia certamente não anda a ler o meu blog.
Já agora, aconselho a leitura de um artigo de opinião do jornalista de cultura do Expresso, Francisco Belard, sobre ecopontos...
Serve este post apenas para informar que, desde o início desta semana, reactivei a minha recolha selectiva. Por uma acaso - acredito de foi por acaso - reparei que na Rua do Poço dos Negros - a cerca de 100 metros da minha casa - encontra-se um ecoponto, que «roubou» (justamente) dois lugares de estacionamento da EMEL. É provável que ele já por lá estivesse há uns tempos, pois a autarquia certamente não anda a ler o meu blog.
Já agora, aconselho a leitura de um artigo de opinião do jornalista de cultura do Expresso, Francisco Belard, sobre ecopontos...
11/09/2005
Farpas Verdes CDXXVI
Outra boa notícia foi o Ministério da Agricultura ter aplicado multas pelo abate ilegal de mais de mil sobreiros na Quinta da Princesa, no concelho do Seixal, bem como a interdição durante 25 anos de alteração do uso do solo para onde estava previsto um hipermercado Carrefour e um empreendimento com 400 fogos.
A «culpa», obviamente, recaiu sobre as empresas, mas a autarquia do Seixal deveria levar por tabela, pois é a «mentora» do projecto, pois estava interessadíssima nos acessibilidades pagas pelo promotor. e nos «trocos» de mais construção.
Por fim, este caso mostra também os sinais dos tempos. A empresa detentora dos terrenos chama-se Sociedade Agrícola Quinta da Princesa. O caso de empresas alegadamente agrícolas a especularem com fins urbanísticos não é inédito e leva-me a temer (e a tremer) quando surgem em espaços urbanos. ..
Outra boa notícia foi o Ministério da Agricultura ter aplicado multas pelo abate ilegal de mais de mil sobreiros na Quinta da Princesa, no concelho do Seixal, bem como a interdição durante 25 anos de alteração do uso do solo para onde estava previsto um hipermercado Carrefour e um empreendimento com 400 fogos.
A «culpa», obviamente, recaiu sobre as empresas, mas a autarquia do Seixal deveria levar por tabela, pois é a «mentora» do projecto, pois estava interessadíssima nos acessibilidades pagas pelo promotor. e nos «trocos» de mais construção.
Por fim, este caso mostra também os sinais dos tempos. A empresa detentora dos terrenos chama-se Sociedade Agrícola Quinta da Princesa. O caso de empresas alegadamente agrícolas a especularem com fins urbanísticos não é inédito e leva-me a temer (e a tremer) quando surgem em espaços urbanos. ..
Derivações Ambientais XXXIII
Esta sim, uma boa notícia. O regresso às origens do bom rock progressivo, a reunião dos Genesis dos velhos tempos.
Esta sim, uma boa notícia. O regresso às origens do bom rock progressivo, a reunião dos Genesis dos velhos tempos.
11/08/2005
Farpas Verdes CDXXV
Jorge Sampaio insurgiu-se, este fim-de-semana, no Algarve contra os direitos adquiridos e a especualação imobiliária, salientando que «é preciso avaliar em que medida uma decisão tomada há 20 anos sob a pressão urbanística pode ter, hoje, a mesma validade». Sinceramente, começo-me a fartar deste tipo de declarações insossas e sem qualquer efeito prático. Eu sei que um presidente da República pouco pode fazer - a não ser magistratura de influência -, mas também sei como Jorge Sampaio, quando foi presidente da auatrquia de Lisboa, tratou casos de alegados direitos adquiridos: deixou construir, como se pode ver na zona do El Corte Inglés e Sete Rios...
E já agora: por que será que não se vê nada da prometida batalha contra os direitos adquiridos que José Sócrates anunciou quando chegou a ministro do Ambiente em finais de 1999?
Jorge Sampaio insurgiu-se, este fim-de-semana, no Algarve contra os direitos adquiridos e a especualação imobiliária, salientando que «é preciso avaliar em que medida uma decisão tomada há 20 anos sob a pressão urbanística pode ter, hoje, a mesma validade». Sinceramente, começo-me a fartar deste tipo de declarações insossas e sem qualquer efeito prático. Eu sei que um presidente da República pouco pode fazer - a não ser magistratura de influência -, mas também sei como Jorge Sampaio, quando foi presidente da auatrquia de Lisboa, tratou casos de alegados direitos adquiridos: deixou construir, como se pode ver na zona do El Corte Inglés e Sete Rios...
E já agora: por que será que não se vê nada da prometida batalha contra os direitos adquiridos que José Sócrates anunciou quando chegou a ministro do Ambiente em finais de 1999?
À Margem Ambiental LXXXVI
Um caso a seguir na literatura: o último romance de José Saramago - As Intermitências da Morte - foi impresso em papel ecológico Munken Print Extra 15, produzido pela empresa sueca ArticPaper, por acordo do autor, da Editoral Caminho e do Greenpeace. Estive a pesquisar e verifiquei que esta celulose, além de ter as suas indústrias a funcionar de acordo com as normas EMAS e possuir as certificações ISO 14001 (ambiental), 9001 (qualidade) e 18001 (saúde ocupacional), tem alguns dos seus produtos certificados pelo Forest Stewardship Council (FSC), que garante uma gestão sustentável das florestas.
Prometo que irei perguntar à minha editora, Dom Quixote, se este papel é assim tão mais caro do que o papel habitual que se usa (por exemplo, nos meus livros). Mas se outra vantagem não tivesse, este gesto de Saramago veio, pelo menos, alertar-me para uma possibilidade a seguir no mercado livreiro. Até porque as folhas do seu romance nada se distinguem do papel normal...
Um caso a seguir na literatura: o último romance de José Saramago - As Intermitências da Morte - foi impresso em papel ecológico Munken Print Extra 15, produzido pela empresa sueca ArticPaper, por acordo do autor, da Editoral Caminho e do Greenpeace. Estive a pesquisar e verifiquei que esta celulose, além de ter as suas indústrias a funcionar de acordo com as normas EMAS e possuir as certificações ISO 14001 (ambiental), 9001 (qualidade) e 18001 (saúde ocupacional), tem alguns dos seus produtos certificados pelo Forest Stewardship Council (FSC), que garante uma gestão sustentável das florestas.
Prometo que irei perguntar à minha editora, Dom Quixote, se este papel é assim tão mais caro do que o papel habitual que se usa (por exemplo, nos meus livros). Mas se outra vantagem não tivesse, este gesto de Saramago veio, pelo menos, alertar-me para uma possibilidade a seguir no mercado livreiro. Até porque as folhas do seu romance nada se distinguem do papel normal...
11/07/2005
Farpas Verdes CDXXIV
O mês de Outubro foi chuvoso, mas o espectro da seca está muito longe de se ter esfumado, apesar da imprensa, por via das informações vindas do Ministério do Ambiente, parecem dizer o contrário.
Já várias vezes aqui alertei para o risco de fazer uma «gestão» das disponibilidades hídricas baseadas na capacidade máxima de armazenamento (como faz o Instituto da Água), não tendo assim em conta o volume morto (que apenas se poderá usar através de bombagem, com custos incomprtáveis). Na minha opinião, torna-se mais prudente, quando o objectivo é a gestão dos recursos hídricos com vista a evitar situações de seca, considerar a capacidade útil máxima (ou seja, o volume que pode ser efectivamente utilizado, que é a capacidade máxima de armazenamento menos o volume morto). Com efeito, numa situação de seca, apenas devemos contar com a água que está acessível, sendo que o volume morto apenas se deveria considerar como uma reserva de emergência, mas com custos económicos bastante significativa em caso de necessidade premente (e mesmo contraproducente/impossível para, por exemplo, produção hidroeléctrica)
Vejam, a este respeito, as diferenças entre a perspectiva de gestão que defendo e a do Instituto da Água para duas grandes albufeiras:
Alqueva (Guadiana)
Capacidade máxima de armazenamento (CMA): 4.150.000 hm3
Volume morto (VM): 1.033.000 hm3
Capacidade útil máxima (CUM = CMA - VM): 3.117.000 hm3
Volume de armazenamento (VA) em Outubro de 2005: 2.754.713 hm3
VA actual (em Outubro de 2005 em relação ao CMA): 66,4% (cf. dados no site do Instituto da Água)
Volume de armazenamento útil (VA - VM): 1.721.713 hm3
VA útil (em Outubro de 2005 em relação à CUM): 55,2% (cf. minha proposta)
Aguieira (Mondego)
Capacidade máxima de armazenamento (CMA): 423.030 hm3
Volume morto (VM): 207.000 hm3
Capacidade útil máxima (CUM = CMA - VM): 216.030 hm3
Volume de armazenamento (VA) em Outubro de 2005: 278.290 hm3
VA actual (em Outubro de 2005 em relação ao CMA): 65,8% (cf. dados no site do Instituto da Água)
Volume de armazenamento útil (VA - VM): 71.290 hm3
VA útil (em Outubro de 2005 em relação à CUM): 33,0% (cf. minha proposta)
Ora, como podem verificar, as diferenças são significativas. E mostra, acima de tudo, que as chuvas de Outubro são bastante insuficientes para pensarmos que estamos livres de uma seca extrema para o próximo ano.
P.S. Eu até faria este exercício para muitas outras barragens se o site do Instituto da Água não fosse tão confuso e moroso de consultar...
O mês de Outubro foi chuvoso, mas o espectro da seca está muito longe de se ter esfumado, apesar da imprensa, por via das informações vindas do Ministério do Ambiente, parecem dizer o contrário.
Já várias vezes aqui alertei para o risco de fazer uma «gestão» das disponibilidades hídricas baseadas na capacidade máxima de armazenamento (como faz o Instituto da Água), não tendo assim em conta o volume morto (que apenas se poderá usar através de bombagem, com custos incomprtáveis). Na minha opinião, torna-se mais prudente, quando o objectivo é a gestão dos recursos hídricos com vista a evitar situações de seca, considerar a capacidade útil máxima (ou seja, o volume que pode ser efectivamente utilizado, que é a capacidade máxima de armazenamento menos o volume morto). Com efeito, numa situação de seca, apenas devemos contar com a água que está acessível, sendo que o volume morto apenas se deveria considerar como uma reserva de emergência, mas com custos económicos bastante significativa em caso de necessidade premente (e mesmo contraproducente/impossível para, por exemplo, produção hidroeléctrica)
Vejam, a este respeito, as diferenças entre a perspectiva de gestão que defendo e a do Instituto da Água para duas grandes albufeiras:
Alqueva (Guadiana)
Capacidade máxima de armazenamento (CMA): 4.150.000 hm3
Volume morto (VM): 1.033.000 hm3
Capacidade útil máxima (CUM = CMA - VM): 3.117.000 hm3
Volume de armazenamento (VA) em Outubro de 2005: 2.754.713 hm3
VA actual (em Outubro de 2005 em relação ao CMA): 66,4% (cf. dados no site do Instituto da Água)
Volume de armazenamento útil (VA - VM): 1.721.713 hm3
VA útil (em Outubro de 2005 em relação à CUM): 55,2% (cf. minha proposta)
Aguieira (Mondego)
Capacidade máxima de armazenamento (CMA): 423.030 hm3
Volume morto (VM): 207.000 hm3
Capacidade útil máxima (CUM = CMA - VM): 216.030 hm3
Volume de armazenamento (VA) em Outubro de 2005: 278.290 hm3
VA actual (em Outubro de 2005 em relação ao CMA): 65,8% (cf. dados no site do Instituto da Água)
Volume de armazenamento útil (VA - VM): 71.290 hm3
VA útil (em Outubro de 2005 em relação à CUM): 33,0% (cf. minha proposta)
Ora, como podem verificar, as diferenças são significativas. E mostra, acima de tudo, que as chuvas de Outubro são bastante insuficientes para pensarmos que estamos livres de uma seca extrema para o próximo ano.
P.S. Eu até faria este exercício para muitas outras barragens se o site do Instituto da Água não fosse tão confuso e moroso de consultar...
11/06/2005
À Margem Ambiental LXXXV
Coloquei no Reportagens Ambientais um artigo publicado no sábado passado na revista Grande Reportagem sobre parques eólicos.
Coloquei no Reportagens Ambientais um artigo publicado no sábado passado na revista Grande Reportagem sobre parques eólicos.
11/02/2005
Farpas Verdes CDXXIII
Desde domingo já foram detectados uma dezena de deslizamentos de terra no vale glaciar do Zêzere. Causa secundária: erosão. Causa principal: fogos florestais deste Verão. Não se poderia ter feito nada, entretanto? Claro que se podia, mas o Governo nada fez para minorar estas previsíveis situações, como técnicas de correcção torrencial (p. ex., pequenas obras de engenharia biofísica). Ficavam, de certeza, mais baratas do que agora os encargos na remediação de estradas. Já sem falar nos riscos de acidentes mais graves, do assoreamento das albufeiras e da degradação da qualidade das águas. Das águas que, por sinal, abastecem a esmagadora maioria dos concelhos da Grande Lisboa e região do Oeste.
Desde domingo já foram detectados uma dezena de deslizamentos de terra no vale glaciar do Zêzere. Causa secundária: erosão. Causa principal: fogos florestais deste Verão. Não se poderia ter feito nada, entretanto? Claro que se podia, mas o Governo nada fez para minorar estas previsíveis situações, como técnicas de correcção torrencial (p. ex., pequenas obras de engenharia biofísica). Ficavam, de certeza, mais baratas do que agora os encargos na remediação de estradas. Já sem falar nos riscos de acidentes mais graves, do assoreamento das albufeiras e da degradação da qualidade das águas. Das águas que, por sinal, abastecem a esmagadora maioria dos concelhos da Grande Lisboa e região do Oeste.
11/01/2005
Derivações Ambientais XXXII
250 anos após o terramoto de 1755, deixo aqui dois pequenos trechos de textos sobre a visão da Igreja Católica sobre os terramotos, que nos deveria merecer reflexão quando acusamos agora as outras religiões de fundamentalismo. Um deles é do padre jesuíta Gabriel Malagrida no seu Juízo da Verdadeira Causa do Terremoto (já agora, ao contrário daquilo que já ouvi na comunicação social, este opúsculo foi aprovado pela censura eclesiática da época, quando foi publicado em 1756, e só mais tarde, por razões políticas, viria a ser proibido e mesmo queimado em praça pública, em 1772). Reza assim:
«(...)porém como ha de entrar neste cuidados, e empenho o povo mais duro, e rude nos seus vicios, e ouvirem os que dizem, asseguraõ, que estas calamidades saõ puros effeitos das causas naturaes, e não vinganças de hum Deos indignado, e ferido no mais vivo da sua honra, pela obstinada perfidia dos peccadores? Pareceme, que o mesmo demonio não podia excogitar doutrina mais conducente á nossa irreparavel ruina, do que ensinar esta naturalidade tão innatural, assignando serem pelos symptomas das causas segundas, e naturaes, estes flagellos, que experimentámos, ficando nós com estes sistemas mais impedernidos nas injurias, e desprezos da causa primeira; preservando nós como dantes no nosso practico atheismo. (...)»
O segundo trecho está no poema épico Lisboa Destruída, publicado em 1803 pelo padre oratoriano Teodoro de Almeida. Nas notas surge a seguinte passagem:
«(...) ficando Lisboa destruída, Deos conseguio dois grandes fins, que intentara, hum de se fazer temido, e respeitado dos prevaricadores daquele tempo, outro de prevenir com este aviso os Atheos, Deistas, e Materialistas Portugueses, que o Senhor pela sua presciencia divina sabia, que poucos annos depois, corrompidas das ímpias doutrinas das nações estrangeiras, se rebellariaõ contra a Religiaõ; para que se lembrassenm que Elle sabe soffrer, porque he eterno, e tambem zombar dos seus zombadoresm porque he honrado e Santo. (...)»
250 anos após o terramoto de 1755, deixo aqui dois pequenos trechos de textos sobre a visão da Igreja Católica sobre os terramotos, que nos deveria merecer reflexão quando acusamos agora as outras religiões de fundamentalismo. Um deles é do padre jesuíta Gabriel Malagrida no seu Juízo da Verdadeira Causa do Terremoto (já agora, ao contrário daquilo que já ouvi na comunicação social, este opúsculo foi aprovado pela censura eclesiática da época, quando foi publicado em 1756, e só mais tarde, por razões políticas, viria a ser proibido e mesmo queimado em praça pública, em 1772). Reza assim:
«(...)porém como ha de entrar neste cuidados, e empenho o povo mais duro, e rude nos seus vicios, e ouvirem os que dizem, asseguraõ, que estas calamidades saõ puros effeitos das causas naturaes, e não vinganças de hum Deos indignado, e ferido no mais vivo da sua honra, pela obstinada perfidia dos peccadores? Pareceme, que o mesmo demonio não podia excogitar doutrina mais conducente á nossa irreparavel ruina, do que ensinar esta naturalidade tão innatural, assignando serem pelos symptomas das causas segundas, e naturaes, estes flagellos, que experimentámos, ficando nós com estes sistemas mais impedernidos nas injurias, e desprezos da causa primeira; preservando nós como dantes no nosso practico atheismo. (...)»
O segundo trecho está no poema épico Lisboa Destruída, publicado em 1803 pelo padre oratoriano Teodoro de Almeida. Nas notas surge a seguinte passagem:
«(...) ficando Lisboa destruída, Deos conseguio dois grandes fins, que intentara, hum de se fazer temido, e respeitado dos prevaricadores daquele tempo, outro de prevenir com este aviso os Atheos, Deistas, e Materialistas Portugueses, que o Senhor pela sua presciencia divina sabia, que poucos annos depois, corrompidas das ímpias doutrinas das nações estrangeiras, se rebellariaõ contra a Religiaõ; para que se lembrassenm que Elle sabe soffrer, porque he eterno, e tambem zombar dos seus zombadoresm porque he honrado e Santo. (...)»
10/31/2005
À Margem Ambiental LXXXIV
A Quercus faz hoje 20 anos. É uma bonita data para uma associação ambientalista que já fez muito pelas questões ambientais e da qual mantenho orgulho de ter integrado a sua direcção nacional em 1993 e 1994. Os últimos anos não lhe têm sido fáceis - talvez a crise da adolescência -, mas espero sinceramente que à entrada para a terceira década de vida continue a fazer um bom trabalho. Ou melhor ainda, que as «coisas» neste ex-país à beira mar plantado não está grande coisa.
A Quercus faz hoje 20 anos. É uma bonita data para uma associação ambientalista que já fez muito pelas questões ambientais e da qual mantenho orgulho de ter integrado a sua direcção nacional em 1993 e 1994. Os últimos anos não lhe têm sido fáceis - talvez a crise da adolescência -, mas espero sinceramente que à entrada para a terceira década de vida continue a fazer um bom trabalho. Ou melhor ainda, que as «coisas» neste ex-país à beira mar plantado não está grande coisa.
Farpas Verdes CDXXII
A Resioeste, a empresa multimunicipal de lixos urbanos de um conjunto de autarquias do Oeste, está em riscos de ser multada pela Comissão Europeia por ter excedido as deposições de resíduos no seu aterro no Cadaval. Como não se quer dar ao trabalho de implementar políticas de reciclagem, vai daí e faz um truque: exporta agora os lixos para o aterro da Valorsul, em Vila Franca de Xira. E ainda tem o despudor de criticar uma associação ambientalista local - que se queixou a Bruxelas - de ser a responsável pelo encarecimento das tarifas a pagar por esta transferência.
P.S. Por falar em lixos e neste processo, mais uma achega em relação aos comentários aos meus posts sobre o abandono da separação de resíduos. A reciclagem deve ser vista como uma obrigação das entidades gestora dos sistemas de tratamento dos resíduos e devem ser elas que devem promover, cada vez mais, formas de incentivar e tornar a separação de resíduos atractiva para os consumidores. Se no século XXI não é sensato que alguém se sacrifique para ir buscar água à fonte para a ter em casa, também julgo que o caminho para aumentar as taxas de reciclagem tem de passar por medidas que não tornem a separação dos resíduos numa tarefa que exija sacrifício. Quando a União Europeia começar a apertar mais Portugal para cumprir as metas de reciclagem, acreditem que os municípios, as empresas gestoras de resíduos e a Sociedade Ponto Verde começarão a sacrificar-se para dar condições mínimas aos consumidores para a uma separação selectiva.
P.P.S. Já agora, mais um acrescento: os 400 metros de distância ao ecoponto mais perto da minha casa acaba por ser, na realidade, mais extenso, porque acumulando os resíduos teria de os transportar de carro. Tendo em conta as alterações na circulação das vias em Santa Catarina e na zona do Conde Barão e Avenida D. Carlos (que é, acreditem, desesperante), na verdade por cada deposição teria de fazer mais de dois quilómetros. Acrescido ao facto de raramente encontrar estacionamento a menos de 300 metros de casa, por cada deposição demorava mais de meia hora.
A Resioeste, a empresa multimunicipal de lixos urbanos de um conjunto de autarquias do Oeste, está em riscos de ser multada pela Comissão Europeia por ter excedido as deposições de resíduos no seu aterro no Cadaval. Como não se quer dar ao trabalho de implementar políticas de reciclagem, vai daí e faz um truque: exporta agora os lixos para o aterro da Valorsul, em Vila Franca de Xira. E ainda tem o despudor de criticar uma associação ambientalista local - que se queixou a Bruxelas - de ser a responsável pelo encarecimento das tarifas a pagar por esta transferência.
P.S. Por falar em lixos e neste processo, mais uma achega em relação aos comentários aos meus posts sobre o abandono da separação de resíduos. A reciclagem deve ser vista como uma obrigação das entidades gestora dos sistemas de tratamento dos resíduos e devem ser elas que devem promover, cada vez mais, formas de incentivar e tornar a separação de resíduos atractiva para os consumidores. Se no século XXI não é sensato que alguém se sacrifique para ir buscar água à fonte para a ter em casa, também julgo que o caminho para aumentar as taxas de reciclagem tem de passar por medidas que não tornem a separação dos resíduos numa tarefa que exija sacrifício. Quando a União Europeia começar a apertar mais Portugal para cumprir as metas de reciclagem, acreditem que os municípios, as empresas gestoras de resíduos e a Sociedade Ponto Verde começarão a sacrificar-se para dar condições mínimas aos consumidores para a uma separação selectiva.
P.P.S. Já agora, mais um acrescento: os 400 metros de distância ao ecoponto mais perto da minha casa acaba por ser, na realidade, mais extenso, porque acumulando os resíduos teria de os transportar de carro. Tendo em conta as alterações na circulação das vias em Santa Catarina e na zona do Conde Barão e Avenida D. Carlos (que é, acreditem, desesperante), na verdade por cada deposição teria de fazer mais de dois quilómetros. Acrescido ao facto de raramente encontrar estacionamento a menos de 300 metros de casa, por cada deposição demorava mais de meia hora.
10/30/2005
Farpas Verdes CDXXI
O Praça do Camões, em Lisboa, junto ao Chiado, está a ficar de cara lavada, fruto de um conjunto de obras de remodelação nos últimos anos. Estava a ficar bonita; e, de facto, digo estava porque entretanto os CTT também reabilitaram a sua estação e pespegaram na fachada um enorme «letreiro» luminoso de vermelho e branco, que retira toda a harmonia desta praça quando à noite acendem. Será que a autarquia de Lisboa não deveria ter um papel mais interventivo nestas intervenções? E que necessidade existe de acender aquelas luzes durante a noite, sabendo-se que a estação dos CTT fecha às 18 horas e 30 minutos?
O Praça do Camões, em Lisboa, junto ao Chiado, está a ficar de cara lavada, fruto de um conjunto de obras de remodelação nos últimos anos. Estava a ficar bonita; e, de facto, digo estava porque entretanto os CTT também reabilitaram a sua estação e pespegaram na fachada um enorme «letreiro» luminoso de vermelho e branco, que retira toda a harmonia desta praça quando à noite acendem. Será que a autarquia de Lisboa não deveria ter um papel mais interventivo nestas intervenções? E que necessidade existe de acender aquelas luzes durante a noite, sabendo-se que a estação dos CTT fecha às 18 horas e 30 minutos?
Farpas Verdes CDXX
Será que não há notícias para que o local de Lisboa do Público de ontem tenha necessidade de incluir uma peça intitulada «Arderam três hectares no concelho de Almada», um município que tem poucas centenas de hectares de floresta, das quais apenas se destaca a mata dos Medos com 338 hectares? Se a ideia era mostrar eficiência na prevenção será que não seria mais objectivo procurar concelhos, sobretudo do interior, que arderam pouco tendo áreas de floresta muito mais extensas?
Será que não há notícias para que o local de Lisboa do Público de ontem tenha necessidade de incluir uma peça intitulada «Arderam três hectares no concelho de Almada», um município que tem poucas centenas de hectares de floresta, das quais apenas se destaca a mata dos Medos com 338 hectares? Se a ideia era mostrar eficiência na prevenção será que não seria mais objectivo procurar concelhos, sobretudo do interior, que arderam pouco tendo áreas de floresta muito mais extensas?
Farpas Verdes CDXIX
Ontem percorri vários concelhos do chamado Pinhal Interior, entre Góis e Oleiros, visitando algumas praias fluviais. Fiquei pasamado com duas coisas: a qualidade das infra-estruturas e do enquadramento, revelador de um trabalho meritório das autarquias (facto muito positivo); e a degradação quase geral, o quadro negro, das vastas zonas afectadas pelos incêndios dos últimos três anos. Como se poderá, com paisagens de guerra por via dos fogos, «vender» um produto de excelente qualidade para o turismo do interior que parecem ser as praias fluviais?
Ontem percorri vários concelhos do chamado Pinhal Interior, entre Góis e Oleiros, visitando algumas praias fluviais. Fiquei pasamado com duas coisas: a qualidade das infra-estruturas e do enquadramento, revelador de um trabalho meritório das autarquias (facto muito positivo); e a degradação quase geral, o quadro negro, das vastas zonas afectadas pelos incêndios dos últimos três anos. Como se poderá, com paisagens de guerra por via dos fogos, «vender» um produto de excelente qualidade para o turismo do interior que parecem ser as praias fluviais?
10/27/2005
À Margem Ambiental LXXXIV
Eis aqui ao lado o «embrulho», leia-se capa, do meu novo romance histórico que será lançado no próximo dia 3 de Novembro, quinta-feira, pelas 18:30 horas na Mãe d'Água das Amoreiras, em Lisboa (Praça das Amoreiras, 10, junto ao Largo do Rato), cuja apresentação caberá ao Francisco José Viegas.
Fica, desde já, feito o convite para aparecerem e darem a vossa posterior opinião sobre o romance. Em baixo, segue a sinopse, inserida na contra-capa.
Esta é a história do jesuíta Gabriel Malagrida, que viveu como santo iluminado e morreu como herege queimado. Esta é a história do fidalgote Sebastião José, que sobreviveu de cunhas até aos 50 anos e se tornou depois no homem mais poderoso de Portugal. Esta é a história de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, que foi governador do Maranhão e aí começou a cavar a sepultura da Companhia de Jesus.Esta é a história do Convento do Louriçal e das suas freiras, regada com abundante sangue, prodígios e visitas de Cristo. Esta é a história de uma profecia sobre o terramoto de Lisboa de 1755. Esta é a história da Igreja Católica que acreditava num Deus vingativo, castigador e caprichoso.Esta é a história do Reino de Portugal no século XVIII ainda à espera da Época da Luzes. Enfim, esta é uma verdadeira história dos diabos...
Eis aqui ao lado o «embrulho», leia-se capa, do meu novo romance histórico que será lançado no próximo dia 3 de Novembro, quinta-feira, pelas 18:30 horas na Mãe d'Água das Amoreiras, em Lisboa (Praça das Amoreiras, 10, junto ao Largo do Rato), cuja apresentação caberá ao Francisco José Viegas.Fica, desde já, feito o convite para aparecerem e darem a vossa posterior opinião sobre o romance. Em baixo, segue a sinopse, inserida na contra-capa.
Esta é a história do jesuíta Gabriel Malagrida, que viveu como santo iluminado e morreu como herege queimado. Esta é a história do fidalgote Sebastião José, que sobreviveu de cunhas até aos 50 anos e se tornou depois no homem mais poderoso de Portugal. Esta é a história de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, que foi governador do Maranhão e aí começou a cavar a sepultura da Companhia de Jesus.Esta é a história do Convento do Louriçal e das suas freiras, regada com abundante sangue, prodígios e visitas de Cristo. Esta é a história de uma profecia sobre o terramoto de Lisboa de 1755. Esta é a história da Igreja Católica que acreditava num Deus vingativo, castigador e caprichoso.Esta é a história do Reino de Portugal no século XVIII ainda à espera da Época da Luzes. Enfim, esta é uma verdadeira história dos diabos...
10/26/2005
Farpas Verdes CDXVIII
Eu já sabia que o meu post anterior (sobre ter deixado de fazer separação de resíduos) ia causar polémica. Pois é, parece que me «aburguesei», dizem uns; atitude chocante, dizem outros; preguiçoso, clamam aqueloutros. Tirando um comentário, ninguém critica a autarquia de Lisboa. Acham «normal» que numa cidade de altos e baixos haja ecopontos tão distantes das zonas residenciais? Acham normal que ao fim de tantos anos na zona de Santa Catarina não haja qualquer diferença entre o processo de recolha selectiva (inexistente em 1994 quando para aqui vim morar) e o ano de 2005? Acham normal que havendo espaço para colocar um ecoponto na zona a autarquia não o coloque? Acham normal que a autarquia diga que está a «estudar» um processo de recolha porta-a-porta há mais de um ano? Acham normal que os cidadãos continuem a ver a recolha selectiva como um sacríficio? Acham normal isto tudo? Pois eu não acho... Eu sou apologista de que a reiclagem é economicamente compensadora se uma autarquia estimular os cidadão a fazerem recolha selectiva. A autarquia de Lisboa não a faz.
Deixo em baixo a troca de «correspondência» com a autarquia para colocarem um simples ecoponto em Santa Catarina para que possam melhor ajuizar a minha forma de protesto. Para quem tenha paciência, leia e veja como a burocracia e as «desculpas» da autarquia são feitas, mesmo quando o munícipe perde a paciência e se torna caústico (como foi o caso do meu último email..).
11 de Maio de 2004
Exmos. Senhores,
Tendo em consideração que, até ao final do mês, será condicionado o tráfego autómovel na zona de Santa Catarina, venho sugerir que a Câmara Municipal de Lisboa preveja e execute a implantação de um ecoponto completo (vidrão, papelão, embalagens e pilhas), nesta zona - espaço agora não faltará. Relembro que o ecoponto mais próximo da minha casa se localiza a cerca de 400 metros de distância (junto ao Museu das Comunicações), o que obriga a deslocações de automóvel para transportar os resíduos separados.
Ficando a aguardar uma resposta, queiram aceitar os meus melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
24 de Maio de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência de reclamação apresentada por V. Ex.a ao e-mail do Munícipe da Câmara Municipal de Lisboa, no dia 11 de Maio do corrente ano, posteriormente encaminhada para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, cumpre-nos informar que, conforme parecer técnico dos Serviços do Departamento que fazem a gestão dos equipamentos para deposição selectiva, está a ser estudada a hipótese de se avançar para um sistema de recolha selectiva porta-a-porta, na área da freguesia de Santa Catarina, com tráfego condicionado, no entanto, ainda não é possível avançar com uma data exacta para o arranque deste projecto.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
10 de Junho de 2004
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pires,
Agradeço a sua resposta que, por razões de saúde, somente agora posso responder. Congratulo-me que os V. serviços estejam a estudar a recolha selectiva porta-a-porta para esta zona, embora como me diz sem data para a sua implantação.
Contudo, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre essa previsível implantação desse sistema port-a-porta e a instalação, mesmo que provisória, de um ecoponto, sobretudo enquanto tal medida não for implantada. Um ecoponto pode-se colocar em apenas um dia e pode ser retirado em apenas um dia. Além disso, numa zona em que se nota, infelizmente, que é colocado muito cartão e papel, vidro e outros materiais recicláveis junto aos contentores de lixo indiferenciado - nem toda a gente está para se sacrificar ou não tem condições logísticas para ir armazendando os resíduos recicláveis para mais tarde levá-los de carro para um ecoponto, que fica longíssimo -, a instalação, mesmo que provisória, de um equipamento deste género teria uma função tambérm pedagógica.
Por este motivo, penso, como cidadão e municípe de Lisboa, a existência de uma hipotese, sem data marcada, de implantação de um sistema porta-a-porta não é um motivo minimamente aceitável para não instalar entretanto um ecoponto.
Ficarei a aguardar uma resposta.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
11 de Junho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Almeida Vieira
Na sequência de e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 10 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi internamente encaminhado para os Serviços Técnicos deste Departamento, responsáveis pela gestão dos equipamentos de deposição selectiva, para efeitos de reavaliação do pedido de colocação de ecoponto, na área correspondente à freguesia de Santa Catarina.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Junho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 10 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, conforme parecer técnico dos Serviços deste Departamento responsáveis pela gestão dos equipamentos para deposição selectiva, as viaturas que recolhem os ecopontos são de maiores dimensões, do que aquelas que irão efectuar a recolha porta-a-porta dos resíduos recicláveis, pelo que as mesmas têm dificuldade em circular em locais onde os arruamentos se apresentam demasiado estreitos.
Por este motivo, não é possível satisfazer o pedido de V. Ex.a.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Junho de 2004
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto,
Sem colocar em causa o parecer emanado pelos serviços técnicos do Departamento, julgo que as limitaçoes físicas que são aduzidas não se aplicam a toda a zona de Santa Catarina. Se porventura V. Exa. reparar, a dimensão de algumas vias rodoviárias permitem o acesso, em problemas, de qualquer camião de recolha dos eco-pontos. Por exemplo, se for colocado um ecoponto ao longo da Rua de Santa Catarina (mesmo que obrigue à supressão de algum lugar de estacionamento), o camião pode perfeitamente entrar pela Rua Marechal Saldana, proceder à recolha e sair pela Travessa da Condessa do Rio. Existem, pelo menos, dois ou três locais em que um ecoponto completo poderia ser instalado sem qualquer problema.
Resido na zona de Santa Catarina há cerca de uma década e, ano após ano, ouço a promessa de se vir a proceder à recolha porta-a-porta, sem que a mesma seja satisfeita. Malgrado isso, continuo a fazer separação dos resíduos e, periodicamente, vejo-me obrigado a ter de me deslocar de carro - depois de armazenado uma certa quantidade - ao ecoponto mais próximo que fica a várias centenas de metros de distância da minha residência.
O condicionamento ao tráfego na zona de Santa Catarina trouxe, na minha opinião, as condições imediatas para a colocação de um ecoponto. Se a autarquia não se "sacrifica" para melhorar as condições de participação deste bairro na separação de resíduos, obviamente vejo-me obrigado a também não me "sacrificar". Por isso, mesmo que isso muito me custe, deixarei de fazer recolha selectiva até que a autarquia implemente a recolha porta-a-porta nesta zona... ou então que coloque um ecoponto.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
1 de Julho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 30 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi novamente encaminhado para a Divisão de Limpeza Urbana deste Departamento, a fim de cumprir os devidos efeitos.
CML/DMAU/DHURS
15 de Julho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Em resposta ao último email enviado para este Departamento, em 30 de Junho p.p., cumpre-nos informar que, após nova avaliação da sugestão apresentada por V. Ex.a, os Serviços Técnicos deste Serviço reafirmam que a impossibilidade de instalação de um ecoponto na área, se deve ao facto de as viaturas de remoção destes equipamentos apresentarem dimensões consideráveis que levantam sérias dificuldades em circular em locais onde os arruamentos são demasiadamente estreitos, como acontece em Santa Catarina.
Aproveitamos para informar que, de facto, se encontra a ser estudada a hipótese de se avançar para um sistema de recolha selectiva porta-a-porta, na área da freguesia de Santa Catarina.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
20 de Janeiro de 2005
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto,
Em Maio do ano passado, no seguimento da minha proposta para a colocação de um ecoponto na zona condicionada ao tráfego de Santa Catarin, V. Exa. informou-me por e-mail (que segue abaixo) de estar a ser estudada a hipótese de um sistema de recolha selectiva porta-a-porta na área de Santa Catarina. Mais tarde, informou-me ser impossível a colocação de um ecponto por razões de tráfego do camião de recolha, questão para a qual não estou convencido das limitaçoes dessa operação (existe uma rua de entrada no bairro e duas de saída com largura suficiente).
Oito longos meses depois, gostaria que V. Exa. me informasse se o estudo dessa hipótese, certamente complexa, já foi concluído e, se sim, quais os seus resultados e como poderia consultar esse mesmo estudo.
Aproveito para informar V. Exa. que morando há 10 anos em Lisboa e não vendo qualquer melhoria no sistema de recolha selectiva na minha área de residência, deixei desde o final do ano passado de fazer separaçao de lixos (como sempre fiz até aquela altura, obrgando-me a deslocar centenas de metros até ao ecoponto mais próximo ou centro de recolha), porque considero que a recolha selectiva não deve ser sinónimo de sacrifício para os cidadãos, havendo da parte da autarquia a possibilidade de facilitar essa operação.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
21 de Janeiro de 2005
Ex.mo Senhor Pedro Almeida Vieira
Na sequência de email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 20 de Janeiro p.p., cumpre-nos informar que o mesmo foi internamente encaminhado para o nosso Núcleo de Projectos, da Divisão de Limpeza Urbana, a fim de cumprir os devidos efeitos.
Com os melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Março de 2005
Ex.mo Senhor
Pedro Vieira
Na sequência do email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 20 de Janeiro p.p., cumpre-nos informar que a implementação da recolha selectiva em Santa Catarina encontra-se já equacionada.
No entanto, o Departamento encontra-se a desenvolver outros projectos, não havendo, ainda, uma previsão para a implementação referida.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Março de 2005
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto:
Por mim, pode V. Exa. continuar a desenvolver todos e mais alguns projectos. E, sinceramente, estou já pouco me importando com o facto de estar a ser «equacionada» (será, por certo, uma derivada de terceiro grau) a implementação da recolha selectiva em Santa Catarina. Desde Maio do ano passado - altura em que foi encerrado o tráfego na zona de Santa Catarina - que V. Exa. e os serviços camarários prometem estar a estudar, a ponderar, a desenvolver projectos, a pensar implementar, etc., etc..
A minha paciência (e esperança), confesso, já se esgotou. Eu que desde que vivo há 10 anos em Santa Catarina sempre fiz recolha selectiva, deixarei de o fazer a partir de agora. Ficarei, aliás, satisfeitíssimo, pois continuarei a pagar o mesmo de taxa de saneamento e nem tenho assim de gastar tempo a
separar vidro, plástico, papel e latas de metal - vai tudo para o saco e metido no contentor.
Julgo que todos ficamos satisfeitos: eu - que não tenho trabalho -; V. Exas. - que não têm a chatice de colocar e gerir ecopontos ou sistemas de recolha selectiva - e a Valorsul - que fica assim com mais combustível para produzir electricidade.
Em todo o caso, terei o escrúpulo de enviar toda esta troca de e-mails ao vereador de Ambiente e ao presidente da autarquia, questionando-os se julgam razoável este tipo de conduta num assunto que me parece de tão fácil implementação (a colocação do «raio» de um ecoponto no interior de Santa
Catarina).
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
Nota: Mandei, mas não valeu a pena. Não obtive resposta
1 de Abril de 2005
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 30 de Março p.p., cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi internamente encaminhado para o Núcleo de Projectos deste Departamento, a fim de cumprir os devidos
efeitos.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
Nota: Terminaram aqui as comunicações. E a minha separação de lixos....
Deixo em baixo a troca de «correspondência» com a autarquia para colocarem um simples ecoponto em Santa Catarina para que possam melhor ajuizar a minha forma de protesto. Para quem tenha paciência, leia e veja como a burocracia e as «desculpas» da autarquia são feitas, mesmo quando o munícipe perde a paciência e se torna caústico (como foi o caso do meu último email..).
11 de Maio de 2004
Exmos. Senhores,
Tendo em consideração que, até ao final do mês, será condicionado o tráfego autómovel na zona de Santa Catarina, venho sugerir que a Câmara Municipal de Lisboa preveja e execute a implantação de um ecoponto completo (vidrão, papelão, embalagens e pilhas), nesta zona - espaço agora não faltará. Relembro que o ecoponto mais próximo da minha casa se localiza a cerca de 400 metros de distância (junto ao Museu das Comunicações), o que obriga a deslocações de automóvel para transportar os resíduos separados.
Ficando a aguardar uma resposta, queiram aceitar os meus melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
24 de Maio de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência de reclamação apresentada por V. Ex.a ao e-mail do Munícipe da Câmara Municipal de Lisboa, no dia 11 de Maio do corrente ano, posteriormente encaminhada para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, cumpre-nos informar que, conforme parecer técnico dos Serviços do Departamento que fazem a gestão dos equipamentos para deposição selectiva, está a ser estudada a hipótese de se avançar para um sistema de recolha selectiva porta-a-porta, na área da freguesia de Santa Catarina, com tráfego condicionado, no entanto, ainda não é possível avançar com uma data exacta para o arranque deste projecto.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
10 de Junho de 2004
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pires,
Agradeço a sua resposta que, por razões de saúde, somente agora posso responder. Congratulo-me que os V. serviços estejam a estudar a recolha selectiva porta-a-porta para esta zona, embora como me diz sem data para a sua implantação.
Contudo, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre essa previsível implantação desse sistema port-a-porta e a instalação, mesmo que provisória, de um ecoponto, sobretudo enquanto tal medida não for implantada. Um ecoponto pode-se colocar em apenas um dia e pode ser retirado em apenas um dia. Além disso, numa zona em que se nota, infelizmente, que é colocado muito cartão e papel, vidro e outros materiais recicláveis junto aos contentores de lixo indiferenciado - nem toda a gente está para se sacrificar ou não tem condições logísticas para ir armazendando os resíduos recicláveis para mais tarde levá-los de carro para um ecoponto, que fica longíssimo -, a instalação, mesmo que provisória, de um equipamento deste género teria uma função tambérm pedagógica.
Por este motivo, penso, como cidadão e municípe de Lisboa, a existência de uma hipotese, sem data marcada, de implantação de um sistema porta-a-porta não é um motivo minimamente aceitável para não instalar entretanto um ecoponto.
Ficarei a aguardar uma resposta.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
11 de Junho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Almeida Vieira
Na sequência de e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 10 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi internamente encaminhado para os Serviços Técnicos deste Departamento, responsáveis pela gestão dos equipamentos de deposição selectiva, para efeitos de reavaliação do pedido de colocação de ecoponto, na área correspondente à freguesia de Santa Catarina.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Junho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 10 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, conforme parecer técnico dos Serviços deste Departamento responsáveis pela gestão dos equipamentos para deposição selectiva, as viaturas que recolhem os ecopontos são de maiores dimensões, do que aquelas que irão efectuar a recolha porta-a-porta dos resíduos recicláveis, pelo que as mesmas têm dificuldade em circular em locais onde os arruamentos se apresentam demasiado estreitos.
Por este motivo, não é possível satisfazer o pedido de V. Ex.a.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Junho de 2004
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto,
Sem colocar em causa o parecer emanado pelos serviços técnicos do Departamento, julgo que as limitaçoes físicas que são aduzidas não se aplicam a toda a zona de Santa Catarina. Se porventura V. Exa. reparar, a dimensão de algumas vias rodoviárias permitem o acesso, em problemas, de qualquer camião de recolha dos eco-pontos. Por exemplo, se for colocado um ecoponto ao longo da Rua de Santa Catarina (mesmo que obrigue à supressão de algum lugar de estacionamento), o camião pode perfeitamente entrar pela Rua Marechal Saldana, proceder à recolha e sair pela Travessa da Condessa do Rio. Existem, pelo menos, dois ou três locais em que um ecoponto completo poderia ser instalado sem qualquer problema.
Resido na zona de Santa Catarina há cerca de uma década e, ano após ano, ouço a promessa de se vir a proceder à recolha porta-a-porta, sem que a mesma seja satisfeita. Malgrado isso, continuo a fazer separação dos resíduos e, periodicamente, vejo-me obrigado a ter de me deslocar de carro - depois de armazenado uma certa quantidade - ao ecoponto mais próximo que fica a várias centenas de metros de distância da minha residência.
O condicionamento ao tráfego na zona de Santa Catarina trouxe, na minha opinião, as condições imediatas para a colocação de um ecoponto. Se a autarquia não se "sacrifica" para melhorar as condições de participação deste bairro na separação de resíduos, obviamente vejo-me obrigado a também não me "sacrificar". Por isso, mesmo que isso muito me custe, deixarei de fazer recolha selectiva até que a autarquia implemente a recolha porta-a-porta nesta zona... ou então que coloque um ecoponto.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
1 de Julho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 30 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi novamente encaminhado para a Divisão de Limpeza Urbana deste Departamento, a fim de cumprir os devidos efeitos.
CML/DMAU/DHURS
15 de Julho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Em resposta ao último email enviado para este Departamento, em 30 de Junho p.p., cumpre-nos informar que, após nova avaliação da sugestão apresentada por V. Ex.a, os Serviços Técnicos deste Serviço reafirmam que a impossibilidade de instalação de um ecoponto na área, se deve ao facto de as viaturas de remoção destes equipamentos apresentarem dimensões consideráveis que levantam sérias dificuldades em circular em locais onde os arruamentos são demasiadamente estreitos, como acontece em Santa Catarina.
Aproveitamos para informar que, de facto, se encontra a ser estudada a hipótese de se avançar para um sistema de recolha selectiva porta-a-porta, na área da freguesia de Santa Catarina.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
20 de Janeiro de 2005
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto,
Em Maio do ano passado, no seguimento da minha proposta para a colocação de um ecoponto na zona condicionada ao tráfego de Santa Catarin, V. Exa. informou-me por e-mail (que segue abaixo) de estar a ser estudada a hipótese de um sistema de recolha selectiva porta-a-porta na área de Santa Catarina. Mais tarde, informou-me ser impossível a colocação de um ecponto por razões de tráfego do camião de recolha, questão para a qual não estou convencido das limitaçoes dessa operação (existe uma rua de entrada no bairro e duas de saída com largura suficiente).
Oito longos meses depois, gostaria que V. Exa. me informasse se o estudo dessa hipótese, certamente complexa, já foi concluído e, se sim, quais os seus resultados e como poderia consultar esse mesmo estudo.
Aproveito para informar V. Exa. que morando há 10 anos em Lisboa e não vendo qualquer melhoria no sistema de recolha selectiva na minha área de residência, deixei desde o final do ano passado de fazer separaçao de lixos (como sempre fiz até aquela altura, obrgando-me a deslocar centenas de metros até ao ecoponto mais próximo ou centro de recolha), porque considero que a recolha selectiva não deve ser sinónimo de sacrifício para os cidadãos, havendo da parte da autarquia a possibilidade de facilitar essa operação.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
21 de Janeiro de 2005
Ex.mo Senhor Pedro Almeida Vieira
Na sequência de email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 20 de Janeiro p.p., cumpre-nos informar que o mesmo foi internamente encaminhado para o nosso Núcleo de Projectos, da Divisão de Limpeza Urbana, a fim de cumprir os devidos efeitos.
Com os melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Março de 2005
Ex.mo Senhor
Pedro Vieira
Na sequência do email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 20 de Janeiro p.p., cumpre-nos informar que a implementação da recolha selectiva em Santa Catarina encontra-se já equacionada.
No entanto, o Departamento encontra-se a desenvolver outros projectos, não havendo, ainda, uma previsão para a implementação referida.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
30 de Março de 2005
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto:
Por mim, pode V. Exa. continuar a desenvolver todos e mais alguns projectos. E, sinceramente, estou já pouco me importando com o facto de estar a ser «equacionada» (será, por certo, uma derivada de terceiro grau) a implementação da recolha selectiva em Santa Catarina. Desde Maio do ano passado - altura em que foi encerrado o tráfego na zona de Santa Catarina - que V. Exa. e os serviços camarários prometem estar a estudar, a ponderar, a desenvolver projectos, a pensar implementar, etc., etc..
A minha paciência (e esperança), confesso, já se esgotou. Eu que desde que vivo há 10 anos em Santa Catarina sempre fiz recolha selectiva, deixarei de o fazer a partir de agora. Ficarei, aliás, satisfeitíssimo, pois continuarei a pagar o mesmo de taxa de saneamento e nem tenho assim de gastar tempo a
separar vidro, plástico, papel e latas de metal - vai tudo para o saco e metido no contentor.
Julgo que todos ficamos satisfeitos: eu - que não tenho trabalho -; V. Exas. - que não têm a chatice de colocar e gerir ecopontos ou sistemas de recolha selectiva - e a Valorsul - que fica assim com mais combustível para produzir electricidade.
Em todo o caso, terei o escrúpulo de enviar toda esta troca de e-mails ao vereador de Ambiente e ao presidente da autarquia, questionando-os se julgam razoável este tipo de conduta num assunto que me parece de tão fácil implementação (a colocação do «raio» de um ecoponto no interior de Santa
Catarina).
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
Nota: Mandei, mas não valeu a pena. Não obtive resposta
1 de Abril de 2005
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 30 de Março p.p., cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi internamente encaminhado para o Núcleo de Projectos deste Departamento, a fim de cumprir os devidos
efeitos.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS
Nota: Terminaram aqui as comunicações. E a minha separação de lixos....
10/25/2005
Farpas Verdes CDXVII
Eu, ambientalista convicto me confesso: este fim-de-semana estive a fazer «limpeza de papéis» em minha casa. Tenho ali uns bons quilos de papel para fazer sair. Pois bem, amanhã os colocarei no contentor geral do lixo*.
Este acto, pouco abonatório, confesso, tem uma jsutificação. Desde 20 de Maio do ano passado, contactei os serviços da autarquia para que colocassem no bairro de Santa Catarina, em Lisboa, um ecopontos, visto que o mais próximo fica a cerca de 400 metros de distância (em ruas íngremes). Da autarquia responderam-me, por e-mail, que estava em estudo um sistema de recolha porta-a-porta para esta zona. Para breve, adiantaram. Pedi para me indicarem um prazo. Ainda não o tinham, alegaram. Pedi que, enquanto estudavam e analisavam, que metessem um ecoponto; logo o retirariam depois de implantar o sistema porta-a-porta. Responderam que os camiões da recolha não cabiam nas ruas. Achei demais, porque há quatro ruas de acesso ao bairro (duas de entrada e duas de saída) que têm largura mais que suficiente.
Portanto, eu que vivo nesta zona há cerca de 10 anos, que andei a acarretar latas, garrafas e papel para a autarquia reciclar, cansei-me de me sacrificar por alguém (autarquia) que não se sacrifica. E isso mesmo disse à autarquia de Lisboa. Sei que valeu de nada; mas foi a melhor forma de protestar, enquanto aguardo pela mudança de mentalidades na referida autarquia.... embora com pouca esperança.
* - Na verdade, apenas existe um contentor para uma rua inteira; que claro, está sempre cheio, de modo que, pela noite, está a esquina da dita rua inundada de sacos e saquetas até à chegada do camião.
Eu, ambientalista convicto me confesso: este fim-de-semana estive a fazer «limpeza de papéis» em minha casa. Tenho ali uns bons quilos de papel para fazer sair. Pois bem, amanhã os colocarei no contentor geral do lixo*.
Este acto, pouco abonatório, confesso, tem uma jsutificação. Desde 20 de Maio do ano passado, contactei os serviços da autarquia para que colocassem no bairro de Santa Catarina, em Lisboa, um ecopontos, visto que o mais próximo fica a cerca de 400 metros de distância (em ruas íngremes). Da autarquia responderam-me, por e-mail, que estava em estudo um sistema de recolha porta-a-porta para esta zona. Para breve, adiantaram. Pedi para me indicarem um prazo. Ainda não o tinham, alegaram. Pedi que, enquanto estudavam e analisavam, que metessem um ecoponto; logo o retirariam depois de implantar o sistema porta-a-porta. Responderam que os camiões da recolha não cabiam nas ruas. Achei demais, porque há quatro ruas de acesso ao bairro (duas de entrada e duas de saída) que têm largura mais que suficiente.
Portanto, eu que vivo nesta zona há cerca de 10 anos, que andei a acarretar latas, garrafas e papel para a autarquia reciclar, cansei-me de me sacrificar por alguém (autarquia) que não se sacrifica. E isso mesmo disse à autarquia de Lisboa. Sei que valeu de nada; mas foi a melhor forma de protestar, enquanto aguardo pela mudança de mentalidades na referida autarquia.... embora com pouca esperança.
* - Na verdade, apenas existe um contentor para uma rua inteira; que claro, está sempre cheio, de modo que, pela noite, está a esquina da dita rua inundada de sacos e saquetas até à chegada do camião.
Farpas Verdes CDXVI
Há qualquer coisa de politicamente nojento em cada descarga de suínos que afectam ciclicamente a ribeira dos Milagres (mais uma este fim-de-semana, claro está quando chove). Nunca se responsabiliza ninguém porque o Ministério do Ambiente nunca quis responsabilizar ninguém. Na zona dos Milagres, milagre sim é encontrar algum suinicultor que trate os seus esgotos e, portanto, a normalidade é todos poluirem. E como se sabe que, por norma, as penalizações apenas se exercem sobre actos anómalos, logo a lógica ambiental do Ministério do Ambiente é nada fazer porque afinal o acto normal é poluir.
Entretanto, pela leitura do Público, refere-se que para o início de Novembro está previsto o anúncio do vencedor do concurso para o tratamento dos efluentes das explorações suinícolas da região de Leiria e que em análise estão duas soluções técnicas - a digestão anaeróbia e a secagem térmica -, tendo-se apresentado a concurso oito consórcios.
Ora, a mim faz-me imensa impressão duas coisas: por um lado, ter-se desbaratado há uma dácada cerca de 600 mil contos em duas estações de tratamento que nunca funcionaram porque o sistema escolhido era economicamente ruinoso por necessitar de muita enrgia; por outro lado, não existir ainda uma única solução, colocando-se a concurso duas alternativas que são completamente opostas em termos energéticos. Com efeito, pelo que sei, a digestão anaeróbia pode produzir energia; a secagem térmica só consome energia. Não entende, portanto, como é possível o Ministério do Ambiente decidir qual a única solução a adoptar; é para isso que lá estão: para definir a melhor opção técnico-política.
Há qualquer coisa de politicamente nojento em cada descarga de suínos que afectam ciclicamente a ribeira dos Milagres (mais uma este fim-de-semana, claro está quando chove). Nunca se responsabiliza ninguém porque o Ministério do Ambiente nunca quis responsabilizar ninguém. Na zona dos Milagres, milagre sim é encontrar algum suinicultor que trate os seus esgotos e, portanto, a normalidade é todos poluirem. E como se sabe que, por norma, as penalizações apenas se exercem sobre actos anómalos, logo a lógica ambiental do Ministério do Ambiente é nada fazer porque afinal o acto normal é poluir.
Entretanto, pela leitura do Público, refere-se que para o início de Novembro está previsto o anúncio do vencedor do concurso para o tratamento dos efluentes das explorações suinícolas da região de Leiria e que em análise estão duas soluções técnicas - a digestão anaeróbia e a secagem térmica -, tendo-se apresentado a concurso oito consórcios.
Ora, a mim faz-me imensa impressão duas coisas: por um lado, ter-se desbaratado há uma dácada cerca de 600 mil contos em duas estações de tratamento que nunca funcionaram porque o sistema escolhido era economicamente ruinoso por necessitar de muita enrgia; por outro lado, não existir ainda uma única solução, colocando-se a concurso duas alternativas que são completamente opostas em termos energéticos. Com efeito, pelo que sei, a digestão anaeróbia pode produzir energia; a secagem térmica só consome energia. Não entende, portanto, como é possível o Ministério do Ambiente decidir qual a única solução a adoptar; é para isso que lá estão: para definir a melhor opção técnico-política.
10/21/2005
Farpas Verdes CDXV
Em 2003 e 2004, o Algarve viu dizimado pelas chamas cerca de 30% do seu território (portanto, uma área percentual mais elevada da sua área florestal). Este ano, como seria de esperar, teria de arder muitíssimo menos. E, de facto, assim foi: ardeu apenas 1.816 hectares.
Ora, segundo notícia do Público de hoje, as autoridades algarvias estão eufóricas com os resultados obtidos este ano. O governador civil de Faro diz mesmo que «um dos factores do sucesso registado este ano tem a ver com a existência, pela primeira vez, de um comando único que articulou as 17 corporações algarvias», destacando também que se deveu à «existência de mais um helicóptero em permanência , sedeado durante a época de fogos em Cachopo, Tavira, que se juntou aos de Monchique e Loulé.».
Enfim, eu já espero tudo. Se porventura no ano X tiver ardido toda a floresta portuguesa, é certo e sabido que no ano X+1 venham os responsáveis político congratular-se de que não ardeu nada, porque se tornaram, de repenete, eficientes no combate aos incêndios...
Em 2003 e 2004, o Algarve viu dizimado pelas chamas cerca de 30% do seu território (portanto, uma área percentual mais elevada da sua área florestal). Este ano, como seria de esperar, teria de arder muitíssimo menos. E, de facto, assim foi: ardeu apenas 1.816 hectares.
Ora, segundo notícia do Público de hoje, as autoridades algarvias estão eufóricas com os resultados obtidos este ano. O governador civil de Faro diz mesmo que «um dos factores do sucesso registado este ano tem a ver com a existência, pela primeira vez, de um comando único que articulou as 17 corporações algarvias», destacando também que se deveu à «existência de mais um helicóptero em permanência , sedeado durante a época de fogos em Cachopo, Tavira, que se juntou aos de Monchique e Loulé.».
Enfim, eu já espero tudo. Se porventura no ano X tiver ardido toda a floresta portuguesa, é certo e sabido que no ano X+1 venham os responsáveis político congratular-se de que não ardeu nada, porque se tornaram, de repenete, eficientes no combate aos incêndios...
10/19/2005
Farpas Verdes CDXIV
Nos manuais da política (ou da politiquice) ensina-se que se deve criar um facto político mediático para desviar a atenção de uma polémica real. Perante um Orçamento de Estado que não consegue explicar tantos cortes orçamentais, tanto agravamento de impostos e simultaneamente a insistência em projectos megalómanos como o aeroporto da Ota e do TGV, o primeiro-ministro José Sócrates veio «anunciar» que a co-incineração de resíduos perigosos é para avançar. Este anúncio é perfeitamente extemporâneo e apenas vai criar ruído num processo que está inquinado. Sócrates sabe que jamais conseguirá fazer co-incineração em Souselas e no Outão, mas convém-lhe, por agora, criar uma «batalha» para ocupar a comunicação social com outras coisas que não seja o Orlamento de Estado.
Nos manuais da política (ou da politiquice) ensina-se que se deve criar um facto político mediático para desviar a atenção de uma polémica real. Perante um Orçamento de Estado que não consegue explicar tantos cortes orçamentais, tanto agravamento de impostos e simultaneamente a insistência em projectos megalómanos como o aeroporto da Ota e do TGV, o primeiro-ministro José Sócrates veio «anunciar» que a co-incineração de resíduos perigosos é para avançar. Este anúncio é perfeitamente extemporâneo e apenas vai criar ruído num processo que está inquinado. Sócrates sabe que jamais conseguirá fazer co-incineração em Souselas e no Outão, mas convém-lhe, por agora, criar uma «batalha» para ocupar a comunicação social com outras coisas que não seja o Orlamento de Estado.
10/17/2005
Farpas Verdes CDXIII
A ideia (vd. aqui) de encetar um abate discriminado às aves migratórias para diminuir o risco de uma eventual contaminação da gripe das aves é uma ideia peregrina e perigosa. Primeiro, porque jamais o conseguiria reduzir a zero - nem coisa parecida, esse risco -, a menos que se abatesse tudo o que tenha asas e entre no «espaço aéreo» português. Segundo, porque o próprio manuseamento dessas aves seria mais perigoso do que deixá-las à solta. Terceiro, abates indiscriminados, pode colocar em risco aves protegidas sem que daí advenha qualquer vantagem de saúde pública. Aliás, no meio disto, está bem de se ver quem lança estas ideias: os caçadores; basta ver já a pressão da associação dos caçadores de regime livre a rogarem o direito de também dar ao gatilho livremente...
Por mim, a melhor medida seria tão simplesmente proibir a caça este ano por razões de saúde pública, reforçando sim o controlo sanitário das aves domésticas (aviários). Tudo o resto, é mera carnificina.
A ideia (vd. aqui) de encetar um abate discriminado às aves migratórias para diminuir o risco de uma eventual contaminação da gripe das aves é uma ideia peregrina e perigosa. Primeiro, porque jamais o conseguiria reduzir a zero - nem coisa parecida, esse risco -, a menos que se abatesse tudo o que tenha asas e entre no «espaço aéreo» português. Segundo, porque o próprio manuseamento dessas aves seria mais perigoso do que deixá-las à solta. Terceiro, abates indiscriminados, pode colocar em risco aves protegidas sem que daí advenha qualquer vantagem de saúde pública. Aliás, no meio disto, está bem de se ver quem lança estas ideias: os caçadores; basta ver já a pressão da associação dos caçadores de regime livre a rogarem o direito de também dar ao gatilho livremente...
Por mim, a melhor medida seria tão simplesmente proibir a caça este ano por razões de saúde pública, reforçando sim o controlo sanitário das aves domésticas (aviários). Tudo o resto, é mera carnificina.
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