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4/23/2009

Salazar e Pombal

Sobre a pseudo-polémica em torno da inauguração dos arranjos de uma praça em Santa Comba Dão que se chama Oliveira Salazar, os puritanos talvez devessem ler um pouco de História. Não há hoje cidade ou vila que, por exemplo, tenha uma rua, avenida ou praça em homenagem ao Marquês de Pombal. Se quarenta anos depois da morte desse hoje considerado grande estadista alguém quisesse colocar o Marquês de Pombal na toponímia de um lugarejo também receberia um coro de protestos. Aliás, não deixa de ser curioso que tenha sido sobretudo no tempo do Estado Novo que a figura do Marquês de Pombal assumiu a pose de estadista que hoje conhecemos e que, aliás, levou até há uns anos Santana Lopes a travestir-se do dito num cartaz de campanha eleitoral em Lisboa.

Por mim, que sou insuspeito de salazarista, acho mais grave darem o nome de presidentes de câmara ainda vivos a rua, ruelas e estádios de futebol.

3/11/2008

Universidade de Coimbra a património mundial

Coloquei no Reportagens Ambientais um meu artigo publicado na última edição da revista Notícias Sábado. É sobre a candidatura da Universidade de Coimbra a Patrimónia Mundial. Quem quiser saber um pouco de história, pode ir aqui.

7/02/2007

As polémicas dos gostos

Vai um grande chinfrim no blog do Provedor do Leitor do Público por causa da iniciativa daquele jornal em colocar à votação os 7 Horrores de Portugal. Tudo por se ter incluído o estádio do Sporting e mais uns quantos edifícios religiosos na lista de candidatos.

Esta iniciativa do Público, de carácter meramente lúdico, tem a virtude de discutir aspectos da nossa arquitectura que tem, de facto, alguns abortos. Mas esta celeuma fez-me lembrar sobretudo um episódio histórico assaz engraçado. Hoje, ninguém colocará em causa a beleza e imponência da arcaria do vale de Alcântara do Aqueduto das Águas Livres, um monumento nacional e ex-libris da cidade de Lisboa, e que foi projectado por Custódio Vieira e concluído por Carlos Mardel. Porém, na altura da sua construção, no segundo quartel do século XVIII era considerado por alguns como uma autêntica aberração arquitectónica, sobretudo por usar linhas góticas. Na linha do frente dos detractores esteve João Frederico Ludovice, o arquitecto do Convento de Mafra. Numa carta que escreveu já depois da morte de Custódio Vieira, a quem chama «Herodes do aqueduto», Ludovice diz o seguinte (textualmente):

«Com tudo á força de immensas despesas se conseguiu atravessar hum valle de mais de trezentos palmos de fundo, buscando de propósito para mostrar esta barbara valentia, sem compostura de alguma artificiosa, bella, e agradavel forma; mas até neste objecto barbaro, tosco e espantoso, com grande descredito da Nação, e do tempo presente, em que pretende terem-se apurado mais as obras; e isto executado com pedra de cantaria tão vergonhosamente, podendo-lhe com as mesmas fiadas das pedras algum tanto mais fóra, ou mais dentro, quasi com o mesmo custo, dar-lhe muyta graça, e alma, sem cuidar em nada mais, como seria prevenir, que a água, em quanto se occupavão na monstruosidade referida (...). E morto [está agora] quem teve tanta astúcia, e atrevimento para reduzir huma Corte tão principal da Europa a obra tão escusada, damnosa, da forma, á vista de toda a qualidade de pessoas, que como encantadas, não podiam fallar, por mais vontade que tivessem (...)».