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3/22/2010

Ciclo de debates ENERGIA E AMBIENTE na livraria Almedina do Atrium Saldanha

Na próxima semana inicia-se um ciclo de debates na livraria Almedina do Atrium Saldanha (Lisboa) sobre Ambiente e Energia, numa parceria com a Agência Municipal de Energia e Ambiente (Lisboa E-Nova).

A primeira sessão realiza-se já na terça-feira, dia 23 de Março, pelas 19:00 horas, subordinada ao tema «A CONFERÊNCIA DE COPENHAGA E O CLIMATEGATE», com a presença de João Corte Real (Universidade de Évora) e Virgílio de Azevedo (jornal Expresso), e com moderação de José Delgado Domingos (Presidente da Lisboa E-Nova e professor catedrático jubilado do Instituto Superior Técnico).

Nesta sessão serão apresentados e discutidos os argumentos científicos emredor do aquecimento global por um reconhecido e prestigiado climatologista internacional. E será debatido o papel da ComunicaçãoSocial na formação da opinião pública, através de um jornalista experiente que assistiu à Conferencia de Copenhaga.

Consulte o programa completo está aqui.

6/06/2009

O Al Gore português

O título é uma inocente brincadeira (sugestão minha) para chamar a atenção. O resto, fala por isso. A entrevista publicada hoje na revista NS, feita por mim, a Filipe Duarte Santos, sobre alterações climáticas e questões relacionadas, pode ser lida aqui (temporariamente) e aqui (em definitivo).

10/13/2008

Na hora da verdade...

... é isto que acontece. Nos momentos de crise financeira, as grandes indústrias acenam sempre com a questão dos empregos para não cumprirem as obrigações ambientais. Se a proposta de os sectores industriais mais poluentes deixarem de ser obrigados ao pagamento de direitos de emissões de CO2 for aceite pela Comissão Europeia, podem fazer o funeral ao Protocolo de Quioto. Ou então quem vai pagar isto tudo são aqueles que também pagarão os dislates das instituições bancárias: ou seja, o contribuinte.

6/24/2008

Hoje estou corrosivo

O Governo anunciou anteontem que está a elaborar uma Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas. Leia-se: vamos fazer que fazemos, aplicaremos mais uns impostos e continuaremos a construir estradas que a crise do petróleo há-de um dia acabar.

4/28/2008

A multa mais estúpida do Mundo

Eu não sigo o coro de críticas que, por tudo e por nada, surgem à ASAE. Mas, convenhamos, atinge-se o cume da estupidez e da cegueira multar em sete mil euros a Junta de Freguesia da Ericeira por usar óleos reciclados nos camiões de recolha de lixo apenas porque é impossível legalizar a produção de biodiesel por estar (o que é também estúpido) esgotada a quota definida pelo Governo (vd. aqui notícia do Público)

4/15/2008

Como se desvirtuam notícias

Tenho andado com pouca disponibilidade para escrever no blog, pelo que as visitas têm vindo, naturalmente,a diminuir. Porém, ontem reparo que o número de visitantes disparou e, por curiosidade, fui ver de onde vinham. Pois bem, do novo site do Portugal Diário que, numa iniciativa de louvar começaram a destacar numa secção própria uma série de blogs seleccionados (pediram autorização por e-mail, o que também se deve destacar...).

Porém, e aqui é que a porca torce o rabo: a razão de tanta visita adveio de um simples post que escrevi há dias em que referia um estudo neo-zelandês que destacava a possibilidade da cerveja vir a aumentar por via do aquecimento global, uma vez que o a cevada terá as suas produções reduzidas. Eu tinha mesmo colocado o link da notícia saída na Folha Online.

Contudo, o Portugal Diário decidiu chamar a atenção dos seus visitantes ao meu blog colocando o título «Cerveja no Estrago da Nação», o que até tem a sua piada. Mas depois vem um diaparate na pequena frase que eles acrescentaram: «Estudo defende aumento da cerveja para salvar o clima».

Ou seja, agradeço-lhes a publicidade, mas pedia que tivessem mais cuidado no uso da informação.

4/10/2008

Cerveja e aquecimento global

Isto, sim! o aumento do preço da cerveja por causa do aquecimento global (é um estudo neo-zelandês), pode ser um bom contributo para as mudanças comportamentais...

3/06/2008

Hot Topic

Chegou-me hoje, amável oferta da Dom Quixote, este livro: Hot Topic, que faz uma abordagem que, à primeira vista, me parece interessante e construtiva em torno das alterações climáticas.Irei lê-lo quando puder para dar uma opinião mais avalizada.


Sinopse:
As alterações climáticas são, indubitavelmente, um tema quente. Após anos de cepticismo, o mundo despertou para o perigo e começa a procurar informar-se sobre o assunto.

Ao longo dos últimos dois anos, novas descobertas científicas provaram finalmente que os seres humanos são responsáveis pelo aquecimento a que assistimos agora. A primeira onda de reacção ao aquecimento global, que ainda está a decorrer, foi o despontar da consciência popular de que existe um problema.

Contudo, a nossa visão não é excessivamente dramática. Acreditamos piamente que poderemos resolver o problema das alterações climáticas, ao mesmo tempo que mantemos um bom estilo de vida e permitimos que as economias cresçam.

Hot Topic é um relato inteligente de todo o repto das alterações climáticas – científico, tecnológico, político e social –, numa abordagem global: como todos nos metemos nesta confusão e o que todos temos de fazer para a resolver.

Claro que vamos ter problemas independentemente das acções que tomarmos agora.
É demasiado tarde para impedir pelo menos algumas mudanças perigosas e, se queremos proteger-nos, teremos de começar a construir defesas agora.

Hot Topic será o guia indispensável, abrangente e conclusivo das alterações climáticas.

2/19/2008

Boicote já

Como a Porsche está a ameaçar levar a autarquia de Londres a tribunal por esta pretender aumentar o preço das portagens aos automóveis de maiores emissões de dióxido de carbono (vd. aqui), apelo aqui a um boicote generalizado à compra de veículos desta marca. Prevejo uma adesão maciça.

12/17/2007

Um ministro impressionável

Como se sabe, a conferência em Bali sobre alterações climáticas deu em nada. Ou melhor, nada mais fez do que dizer que, sim senhor, é importante reduzir ainda mais as emissões de gases com efeito de estufa, que todos se comprometem a reduzi-los no futuro (até os Estados Unidos), mas não houve compromissos expressos, que ficaram adiados.

Mas o ministro do Ambiente português, Nunes Correia, parece que esteve num filme diferente e veio dizer-nos, via Agência Lusa, que a Conferência de Bali registou momentos de «grande tensão e suspense» e de um «dramatismo enorme». Impressiona-se com pouco, o nosso ministro...

11/27/2007

O princípio do preservador-recebedor

A proposta da Indonésia, já secundada pelo Equador - e espera-se que seja seguida por outros países -, de que se crie um fundo de apoio para os países que detenham grandes áreas florestais, devido ao seu contributo para a retenção de dióxido de carbono, constitui uma ideia justa e que, aliás, deveria ser levada à prática noutros sectores.

Por exemplo, em Portugal deveriam os concelhos com áreas protegidas receber muito mais dinheiro do que as «migalhas» actualmente previstas no Orçamento Geral do Estado, tal como os concelhos abrangidas por bacias hidrográficas que constituem importantes origem de água ou de energia hidroeléctrica também deveriam ser compensadas. Tal como o princípio do poluidor-pagador, deveria começar-se a impor o princípio do «preservador-recebedor».

11/25/2007

Cumprir com o nosso dinheiro

No seu estilo de nos julgar tolos, veio o Governo na sua página de propaganda garantir que «Portugal vai cumprir o Protocolo de Quioto na íntegra». E como vai isso acontecer quando todas as estimativas apontam para que o nosso país vai exceder largamente os compromissos internacionais. Diz o Governo que de três modos, a saber:

- com o Programa Nacional para as Alterações Climáticas, revisto em 2006, elencando um conjunto reforçado de medidas internas de redução de emissões;
- com o Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão, em fase final de aprovação, e pelo qual se limitam as emissões do sector industrial e electroprodutor;
- com o Fundo Português de Carbono, pelo qual se investirá até 348 milhões de euros até 2012 para aquisição de créditos de redução de emissões.
No caso do PNAC, as medidas são tão pífias e praticamente sem ser aplicadas que as reduções serão quase irrisórias. No caso do PNALE, as benesses concedidas às indústrias não vão aplicar, para elas, qualquer esforço de redução, passando a nós, contribuintes, a batata quente.

Resta assim o Fundo Português de Carbono – ou seja, os tais 348 milhões de euros até 2012. Mas, pergunta simples e pertinente: mas o que é este fundo senão financiado por receitas provenientes dos impostos pagos pelos contribuintes? Ou seja, Portugal cumprirá porque os contribuintes portugueses pagam. E se pagam, porque o Governo em muitos casos foi negligente – e até promoveu o aumento das emissões de dióxido de carbono, aumento esse que não se repercutiu em melhoria económica –, deveríamos ser, pelo menos, mais respeitados e não nos julgarem parvos. É que cumprir um protocolo com o dinheiro dos outros é muito fácil.

10/30/2007

A lata não tem limites

Nesta notícia conta-se que José Sócrates, durante a cerimónia de assinatura da parceria internacional sobre o mercado de emissões de carbono, José Sócrates pediu desculpa pela «imodéstia», antes de apresentar país como exemplo a seguir em termos de energias.

E isto porque «colocámos a fasquia em 45 por cento do consumo de electricidade, a partir de energias renováveis, já em 2010», e também porque «em 2005, Portugal foi o pais da UE que mais cresceu na capacidade de produção de energia eólica» e ainda porque « em 2006, tivemos o segundo maior crescimento» e, para finalizar, porque «em 2007 e 2008, temos esperança de nos manter na liderança ao nível da utilização do vento como fonte de energia».

Ora, nem me apetece estar aqui a desmontar este discurso. Já muitos posts escrevi sobre o facto de o crescimento da energia eólica não estar sequer a «tapar» o crescimento dos consumos totais de electricidade. Já também aqui referi que a electricidade representa apenas 1/5 da energia consumida em Portugal e que a energia eólica atinge menos de 2%.

Mas acho que é preciso ter lata para fazer um discurso «imodesto» em que apresenta o caso português como um modelo para a Europa. As imagens que apresento em baixo (que mostram a evolução de Portugal nas emissões de CO2 desde 1990 - base 100) falam bem por si.

10/14/2007

Um prémio merecido

A atribuição do Prémio Nobel da Paz a Al Gore e ao IPCC mereceu reacções díspares. Algumas negativas, mesmo dos meios ambientalistas - como foi o caso do Partido Ecologista Os Verdes (mas, esses, nem sequer os deveria considerar integrados nos ditos «meios ambientslistas»). Todas essas críticas apontam algumas incoerências em Al Gore e mesmo erros no «Uma Verdade Inconveniente».

Ora, é certo que terá pesado, neste prémio, factores políticos; é certo que Al Gore poderia ter feito mais (pode-se sempre, não é?) em prol do ambiente durante o consulado de Bill Clinton; é certo que Al Gore usou a sua imagem mediática para conseguir aquilo que muitos já tinham estado a fazer.

Mas todas essas críticas fogem ao essencial: a Paz no Mundo, como 
confirma o Comité Nobel, não depende apenas de se lutar contra as guerras, mas sim de também, e sobretudo, de não lutar contra a Terra. Ou melhor, de lutar em prol da Terra. E Al Gore, com a sua atitude missionária (que, diga-se, não é recente e vem mesmo do período anterior à sua vice-presidência dos Estados Unidos) concentrou em seu redor um tema ambiental da maior importância para o futuro do Mundo. Só por isso, esse prémio é merecido.

9/25/2007

Propaganda & ignorância

Muito se tem falado na máquina propagandística do Governo. Mas daquilo que pouco se tem criticado é o contributo da comunicação social. E tem sido muita. Por vezes por se ver envolvida numa teia de promiscuidades, noutros casos por ignorância.

Ora, a ignorância é, na minha opinião, tão ou mais perigosa do que a promiscuidade. Porque se a promiscuidade pode a todo o tempo terminar, a ignorância é mais perene.

Isto a propósito da forma como a generalidade da comunicação social tem divulgado, irresponsavelmente por ignorância, as supostas maravilhas energéticas do Governo. E também sobre as (não) medidas de combate ao aquecimento global.

Ontem, como se sabe, José Sócrates foi discursar na Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Ora, até se lhe desculpa que, por ser como presidente em exercício das União Europeia, dissertasse sobre maravilhosas que estão longe de ser nacionais.

Porém, mais grave é ter, mais tarde (e acredito numa daquelas conversas em tom informal, como ele bem sabe fazer), começa a debitar loas às medidas do Governo no que diz respeito às emissões de gases de efeito de estufa. Nesta notícia da Lusa, aqui transcrita pelo Público Online, Sócrates terá dito que Portugal assumiu já «metas mais ambiciosas do que as definidas dentro da União Europeia». Isto daria vontade para rir, se não fosse grave, porquanto é bem sabido que estamos muito longe de cumprir as metas previstas no protocolo de Quioto, que nos tinha concedido um regime de excepção dentro da União Europeia (ou seja, a UE deveria reduzir 8% as emissões no período 2008-12 em relação a 1990, enquanto Portugal poderia subir 27%).

Mas há mais. Sócrates disse também - e amorfamente o jornalista da Lusa divulgou, que «em matérias como as energias renováveis, Portugal está na linha da frente da Europa, tendo já 39 por cento da sua energia eléctrica com base renovável». Isso está longe de ser verdade - nem neste ano chuvoso tal acontecerá - e é bom salientar que a electricidade representa apenas 20% dos consumos energéticos, além de que gases de efeito de estufa têm ainda outras origens.

Em conclusão, os jornalistas (e os seus editores) deveriam ter a obrigação de ter um olhar mais crítico - e já agora saber qualquer coisinha antes de escreverem - sempre que o Governo fala sobre energia, ambiente e alterações climáticas. Caso contrário, ainda se pensa que Sócrates diz a verdade. O que, convenhamos, não foi o caso.

7/09/2007

Refazer a história

No debate sobre alterações climáticas da RTP, apresentado por Maria Elisa, oiço estupefacto um médico de saúde pública, de nome Paulo Nogueira, a cantar loas ao sistema de vigilância que terá evitado, supostamente, muitas mortes pela onda de calor de 2003. E, com a concordância de Maria Elisa, garantiu que, devido ao tal sistema, se evitou tragédia semelhante à França. Arrepiam-me estas coisas...

Quem se recordar, aquando dessas elevadas temperaturas, o Governo nada sabia e até chegou a apontar valores ridículos de mortalidade (para aí meia dúzia de pessoas). Nada se sabia, nada se fez de prevenção nem de minimização. Só mais tarde, um ano depois, se apuraram os resultados da mortalidade (por sinal, muito próximos de umas estimativas que eu fiz, com base em dados de mortalidade do INE, e que foi publicado meses antes).

Na verdade, conforme se pode ver aqui, morreram em Portugal 2.696 pessoas. É certo que na França se atingiram 19.490 pessoas. Porém, não se pode ver os valores em termos absolutos, mas sim ao nível da população residente. E assim, temos a seguinte taxa de mortalidade causada pela onda de calor de 2003:

Itália - 341 mortes por milhão de habitantes
França - 306 mortes por milhão de habitantes
Espanha - 338 mortes por milhão de habitantes
Alemanha - 114 mortes por milhão de habitantes
Portugal - 254 mortes por milhão de habitantes

Ou seja, não me parece que a situação portuguesa seja assim tão boa. Aliás - e tenho pena de já não encontrar a notícia -, é bom recordar que a onda de calor de 2003 atingiu sobretudo o interior do país, mais despovoado. E, portanto, nessas regiões a taxa de mortalidade foi seguramente muitíssimo superior á verificada em outros países.

7/07/2007

Live Earth

A RTP faz hoje uma emissão non stop, a partir das 8 da matina, em volta dos concertos do Live Earth, tendo também, em estúdio, diversos convidados, entre os quais mais de quatro dezenas de personalidades ligadas às questões ambientais. Eu, com a jornalista Rita Saldanha, faremos essas pequenas entrevistas mais temáticas. Estarei no ar - salvo seja - a partir das 17 horas até às 4 da manhã de domingo. Algo de peso face à minha (in)experiência em ser entrevistador em televisão. Façam figas, pf

6/08/2007

Não vale a pena

Não vale a pena esperar nada do Governo Federal dos Estados Unidos em matéria de alterações climáticas enquanto George W. Bush se mantiver como presidente. Como se confirmou agora na reunião do G8.