12/27/2007

Enterrar dinheiro

Em Portugal, todos os projectos idiotas têm tantas vidas como os gatos.  Este aqui, o de atravessar o maciço central da Serra da Estrela com túneis, já tinha sido pensado há cerca de uma década (recordo-me de escrever sobre isso no Expresso), num Governo socialistas, ficando (e ainda bem) em águas de bacalhau. Mas não morto nem enterrado. Surge agora de novo, o que demonstra que autarcas e políticos pensam que o país é rico e que se desenvolve com estradas. Não aprendem nada, portanto.

12/22/2007

Planeamento volúvel

Ontem saiu em Diário da República a aprovação de um conjunto de planos de ordenamento de albufeiras. Nisto, o que mais me chama a atenção são as alterações nas áreas de Reserva Ecológica Nacional que isso implicou em mais de uma dezena de municípios. Acredito, pelo que tem sido norma, que essas alterações tenham sido não acrescentos, mas sim reduções de área.

Mas independentemente de terem sido acréscimo ou reduções, é interessante reparar no carácter volúvel destes instrumentos de planeamento em Portugal, que têm funcionado sobretudo como formas de especulação e criação de mais-valias. Nada é perene no nosso país, basta a vontade de um Conselho de Ministros: o que ontem era protegido, hoje deixa de o ser. E há quem bata palmas de contentamento, com a conta bancária a inchar de mais-valias a encaixar num futuro breve. Tudo dentro da legalidade, claro.

12/20/2007

O Estado não deveria ser como uma empresa?

Se o presidente de uma holding mandasse uma sua empresa-filha investir no Brasil e o presidente dessa empresa-filha nem pestanejasse apesar de ser um negócio de elevado risco e, passado uns anos, se confirmasse o descalabro financeiro – com a holding a ter de encaixar um prejuízo de 100 milhões de euros, o que acham que aconteceria?

Agora, imaginemos (vd. aqui, porque é verdade) que um ministro do Ambiente propõe que a Águas de Portugal invista no Brasil – apesar de haver tanta necessidade de investimento em Portugal – e que o presidente da Águas de Portugal diz amen, e que passado uns anos o Estado tem de se encaixar um prejuízo de 100 milhões de euros, o que acham que acontecerá?

Eu respondo: nada! Porque o ministro do Ambiente é agora primeiro-ministro e o presidente das Águas de Portugal é agora ministro das Obras Públicas.

12/18/2007

Pedro e o lobo

Já não há pachorra. Prevê-se uma chuva, vem a Protecção Civil e o Instituto de Meteorologia avisar que há não sei quantos distritos em alerta. Prevê-se uma ondulação, idem. Prevê-se frio, novo aviso. Prevê-se vento, mais uns alertas. Vai-se depois a ver e ou nada acontece ou aquilo que acontece é coisa, portanto, natural. Um dia em que venha mesmo algo excepcional já ninguém acreditará. E a tragédia apanhará todos desprevenidos.

A montanha pariu um rato

O abaixo-assinado contras as supostas normas da Autoridade Nacional de Segurança Alimentar e Económica (que já contava com 9 mil assinaturas) parece que é um disparate. Está aqui a confirmação. É por essa e por outras que abaixo-assinados via Internet só assino quando sei quem são os promotores (e reconheço a sua seriedade) tenho mesmo a certeza absoluta do que está em causa.

12/17/2007

Um ministro impressionável

Como se sabe, a conferência em Bali sobre alterações climáticas deu em nada. Ou melhor, nada mais fez do que dizer que, sim senhor, é importante reduzir ainda mais as emissões de gases com efeito de estufa, que todos se comprometem a reduzi-los no futuro (até os Estados Unidos), mas não houve compromissos expressos, que ficaram adiados.

Mas o ministro do Ambiente português, Nunes Correia, parece que esteve num filme diferente e veio dizer-nos, via Agência Lusa, que a Conferência de Bali registou momentos de «grande tensão e suspense» e de um «dramatismo enorme». Impressiona-se com pouco, o nosso ministro...

12/15/2007

Bacalhau e bom proveito

Surgiu na blogosfera – e não só – uma polémica em torno da sugestão dos ambientalistas que recomendaram que se reduzisse o consumo de bacalhau no Natal por causa da regressão desta espécie. Gostaria de fazer uma premissa incial: não concordo, na maior parte dos casos, com a mensagem que alguns ambientalistas transmitem para alertar sobre algum problema; porém (e sabe-se bem isso nos media), por vezes na selecção dos «soundbytes» a imprensa sintetiza explicações e destaca as «bojardas» mais polémicas.

Posto isto, é certo que os portugueses não são os únicos «devoradores de bacalhau». Se assim fosse, cada português teria que despachar 84 Kg/ano de fiel amigo (e, na verdade, cada português, no total de toda a bicheza com escamas anda em pouco menos de 60 Kg/ano, o que até, salvo erro, o valor mais elevado da UE). Muitos outros países europeus e não só dão ao dente com bacalhau na boca. E não surpreende, visto que esta espécie é a 12ª mais pescada a nível mundial.

Ora, a questão essencial é saber se essa aparente abundância justifica alarmismos do género «não coma tanto bacalhau». E aí depende das perspectivas, sendo assim necessário olhar e analisar indicadores. Se actualmente se captura, por ano, um pouco menos de 900 mil toneladas, talvez o facto de na década de 60 se ter pescado por ano quase sempre mais de 3 milhões toneladas (o recorde foi em 1968 com cerca de 3,94 milhões de toneladas) mostre que algo não está a correr bem.

Esta profunda regressão (estamos a falar numa redução de mais de 75% nas capturas em apenas 40 anos!) poder-se-ia justificar por uma questão de menor procura (esforço de captura diminuia) ou então por uma exasutão dos stocks (captura diminui por razões ecológicas de sobrepesca anterior). Ora, é nesta segunda hipótese em que se encontra o bacalhau: o esforço de pesca foi excessivo (e não é de agora) e não está a ocorrer uma reposição sustentável dos stocks.

Obviamente que não é por deixar de se comer bacalhau num Natal que as coisas mudam. Nem será previsível que o bacalhau desapareça completamente. O problema será outro, sobretudo económico. A pesca do bacalhau é apetecível apenas quando pescado em grandes quantidades e, por isso, naturalmente que agravando-se a «oferta» no mar começará a diminuir o esforço de pesca, o que garante a sobrevivência do bacalhau como espécie, mas não como espécie de interesse comercial. Donde advirá, nessas circunstãncias, que o bacalhau aumentará ainda mais de preço, transformando-se num produto alimentar de luxo (diminuindo a oferta no mercado, aumenta o preço unitário). Mas, em suma, nunca será previsível que ocorra uma simples extinção do bacalhau. Pode sim «extinguir-se» como peixe comummente usado na gastronomia portuguesa.

Porém, pode ser até que este problema nem se coloque. Há cerca de um ano tive conhecimento de que existem aquaculturas de bacalhau em exploração, embora com quantidades ainda bastante reduzidas! De acordo com dados da FAO, essa exploração terá até começado nos finais dos anos 80, tendo atingido 3.812 toneladas em 2004. Será actualmente uma gota de água nas capturas totais (não chega a meio por cento), mas pode ser que evolua no futuro e que aconteça com o bacalhau aquilo que ocorreu com a dourada. De facto, a dourada até aos anos 60 era apenas capturada no mar, mas agora é maioritariamente de «aviário» (o ano de 1991 foi o último em que as capturas em mar foram superiores às de aquacultura; e em 2004 as capturas em mar representavam menos de 9% do total de toda a dourada capturada). Resta saber se a aquacultura de bacalhau pode ter crescimento similar e, sobretudo, se o sabor será semelhante ao que actualmente comemos, mas sobre esta última parte saberás melhor do que eu.

Deixo aqui um link dos dados do Ecoline (que tratei há cerca de um ano), onde basta clicar no bacalhau, na info, para se ver a evolução das capturas de bacalhau nas últimas décadas.



12/12/2007

Extremismos duplos

Corre, por aí, um abaixo-assinado sobre o extremismo da ASAE com as normas higieno-sanitárias. Pessoalmente, também considero que existe algum extremismo, mas isso não é decorrente da acção da ASAE, mas sim da legislação comunitária cega que o Governo português não soube negociar e adaptar a algumas tradições nacionais.

Por mim, não assino este abaixo-assinado porque, pela primeira vez, se vê uma autoridade exercer a lei de forma igualitária e rigorosa - e as vantagens superam as desvantagens (que devem, é certo, ser discutidas). Mas, por exemplo, assinaria um abaixo-assinado no sentido de atribuir as competências de fiscalização da água para consumo humano à ASAE em vez de continuar no insonso Instituto Regulador de Águas e Resíduos. É que enquanto por exemplos um suinicutor pode ser multado se não der água com qualidade aos seus porcos, aos autarcas portugueses nada acontece se derem água de má qualidade às suas populações. E a água contaminada é, provavelmente, uma das causas principais de doenças do foro alimentar. 

12/09/2007

Ainda os plásticos

Este meu post sobre a idiota proposta do Ministério do Ambiente suscitou reacções de alguns dos meus leitores. Ora, gostaria de concretrizar que a ideia é idiota, porque de forma descarada pretendia tão-somente sacar um financiamento que nem sequer se destinava ao sector dos resíduos mas sim para o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.
Não sendo os sacos de plástico a questão mais candente na área dos resíduos, não me parece que um imposto de 5 cêntimos (o que faria que houvesse um duplo imposto, já que se pagam os sacos como embalagens à Sociedade Ponto Verde) levasse a uma significativa redução da quantidade de plásticos nos resíduos.
Na verdade, preocupa-me mais - e aí sim há um campo enorme para intervir - a forma como tem vindo a aumentar a quantidade de embalagens que acabam, obviamente, no lixo. Por exemplo,as normas que a ASAE pretende impor de trocar copos de vidro por copos de plástico ou embalar tudo e mais alguma coisa acaba por ser muito mais lesivo para o ambiente, sem que haja uma evidente vantagem do ponto de vista da segurança alimentar.
Por outro lado, gostaria mais de ver uma estratégia de redução que tentasse demonstrar às pessoas o custo económico do excesso de embalagens, que as pudesse levar a uma postura mais adequada aquando da escolha dos produtos. Por exemplo, cada produto que se comprasse numa loja poderia - e não me parece que seja complicado - ter expresso o valor que se paga à Sociedade Ponto Verde por causa das embalagens.E aí o consumidor vinha para casa com a factura e a matutar naquilo que pagou pelo produto em si, pelo IVA e pelas embalagens que acabam no lixo. Dessa forma, talvez começasse a olhar com outros olhos para esta questão e passar a tomar melhores opções ambientais e económicas.

12/05/2007

Sugestão ao Ministério do Ambiente

Que tal começar a aplicar um imposto sobre o dióxido de carbono que emitimos dos nossos pulmões? Podia servir para financiar, digamos por exemplo, o Instituto da Água...

Ideia idiota

De quando em vez, lá para os lados da rua do Século, surgem ideias. O nascimento de uma ideia, em si mesmo, é de aplaudir. Porém, quando se ouve a ideia, alguém de bom senso consegue saber se ela tem pernas para andar ou se, a dita ideia, é uma idiotice.

Vem isto a pretexto da ideia do Ministério do Ambiente em aplicar uma eco-taxa de 5 cêntimos aos sacos de plástico. E isto porque os referidos sacos dificultavam «as operações de recolha e tratamento de resíduos sólidos» e afectavam «as redes de saneamento de águas e contribuindo para a deterioração da paisagem e para a poluição». Ora, parece-me a mim que, por estranho que possa parecer, os sacos de plástico até facilitam as operações de recolha de lixos (imaginemos como seria despejar o lixo directamente nos contentores ou, como é o caso da minha rua, em plena via público porque a autarquia de Lisboa não coloca aqui qualquer contentor). Além disso, os sacos de plástico das compras podem ser reutilizados substituindo os normais sacos do lixo (por exemplo, há que não os compro). Por outro lado, não me parece que seja por causa de sacos de plástico que as redes de saneamento são afectadas.

Mas onde achei mais piada a esta proposta - e que mostrou que a «coisa» tinha pouco de ambientalista mas sim de um simples imposto - foi no destino da verba recolhida. Tratando-se de um imposto que tinha como objectivo reduzir os problemas na área dos resíduos e águas residuais, não fazia nenhum sentido que as verbas fossem destinadas às áreas protegidas. Dava a ideia de que alguém terá andado a magicar onde ir sacar mais uns punhados de cobres aos cidadãos. Alguém de pouco senso ter-se-á lembrado dos sacos de plástico. Esdrúxula ideia que, poucas horas depois de sair no jornal Público, foi deitada ao lixo.... talvez num saco de plástico.

11/30/2007

Um secretário alheado

O secretario de Estado do Ordenamento do Território, JoãoFerrão, de quem tenho especial apreço como técnico, continua alheado do fundamental e não consegue vislumbrar o descrédito da política ambiental do próprio Ministério que ocupa. Ontem, surgiu a anunciar a sua intenção de rever a Lei dos Solos, lesgislação que não sofre alterações desde 1980. Seria iniciativa a aplaudir não fosse o caso de ser essa lei completamente inócua e inócua será sempre enquanto o seu Ministério e ele próprio, nem que seja por omissão, continuarem a dizer amen sempre que o Governo decreta um regime de excepção para pespegar um PIN em qualquer lado. Mesmo em solos de boa qualidade.

E já agora, anunciou ele também que o documento será colocado em consulta pública no primeiro trimestre do próximo ano. Será, pergunto, uma consulta pública do género daquela anunciada pelo ministro do Ambiente para o Plano Nacional das Barragens? Ou seja, que é feita mas não serve para nada porque a decisão está atomada?

11/27/2007

Estradas sim, hospitais não

O primeiro-ministro, José Sócrates, prometeu, no fim-de-semana passado, que dentro de quatro anos a população de Bragança não terá mais de se deslocar por Espanha para andar em boas estradas. E que era «altura de fazer justiça ao único distrito do país sem um quilómetro de auto-estrada» daí que até 2011 existirão quase 400 quilómetros de novas vias, em que se incluem itinerários.

Eis aqui o conceito de desenvolvimento e de justiça propalada pelo Governo: estradas numa região sem gente. Com estradas mostraremos aos espanhóis que não precisamos deles. Mas já agora mantenham eles os hospitais nas cidades junto à fronteira. Disso os portugueses continuarão a necessitar...

O princípio do preservador-recebedor

A proposta da Indonésia, já secundada pelo Equador - e espera-se que seja seguida por outros países -, de que se crie um fundo de apoio para os países que detenham grandes áreas florestais, devido ao seu contributo para a retenção de dióxido de carbono, constitui uma ideia justa e que, aliás, deveria ser levada à prática noutros sectores.

Por exemplo, em Portugal deveriam os concelhos com áreas protegidas receber muito mais dinheiro do que as «migalhas» actualmente previstas no Orçamento Geral do Estado, tal como os concelhos abrangidas por bacias hidrográficas que constituem importantes origem de água ou de energia hidroeléctrica também deveriam ser compensadas. Tal como o princípio do poluidor-pagador, deveria começar-se a impor o princípio do «preservador-recebedor».

11/26/2007

O mundo dos advogados

Colocado no Reportagens Ambientais, o meu último trabalho publicado na revista Notícias Sábado. Não é sobre ambiente - mais uma vez (estou a querer variar) -, mas sim sobre advogados.

11/25/2007

Lágrimas de corcodilo

O Presidente da República lamenta a desertificação do interior, dizendo que se deve à «escassez de iniciativa empresarial». O Presidente da República, porém, deveria também lamentar-se por todos os Governos, incluindo os seus. Lembremo-nos, aliás, que esteve à frente do Governo entre 1985 e 1995 – a época de ouro em termos de fundos comunitários que deveria, exactamente, promover também a iniciativa empresarial no interior. Mas, pronto, tudo isto é normal: governantes que ajudam a enterrar o interior surgiram, mais tarde, com outra roupagem, chorar lágrimas de corcodilo.
 
No Reportagens Ambientais, coloquei um dos capítulos do livro «Estrago da Nação». Tem já mais de quatro anos, mas mantém-se actual.

Cumprir com o nosso dinheiro

No seu estilo de nos julgar tolos, veio o Governo na sua página de propaganda garantir que «Portugal vai cumprir o Protocolo de Quioto na íntegra». E como vai isso acontecer quando todas as estimativas apontam para que o nosso país vai exceder largamente os compromissos internacionais. Diz o Governo que de três modos, a saber:

- com o Programa Nacional para as Alterações Climáticas, revisto em 2006, elencando um conjunto reforçado de medidas internas de redução de emissões;
- com o Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão, em fase final de aprovação, e pelo qual se limitam as emissões do sector industrial e electroprodutor;
- com o Fundo Português de Carbono, pelo qual se investirá até 348 milhões de euros até 2012 para aquisição de créditos de redução de emissões.
No caso do PNAC, as medidas são tão pífias e praticamente sem ser aplicadas que as reduções serão quase irrisórias. No caso do PNALE, as benesses concedidas às indústrias não vão aplicar, para elas, qualquer esforço de redução, passando a nós, contribuintes, a batata quente.

Resta assim o Fundo Português de Carbono – ou seja, os tais 348 milhões de euros até 2012. Mas, pergunta simples e pertinente: mas o que é este fundo senão financiado por receitas provenientes dos impostos pagos pelos contribuintes? Ou seja, Portugal cumprirá porque os contribuintes portugueses pagam. E se pagam, porque o Governo em muitos casos foi negligente – e até promoveu o aumento das emissões de dióxido de carbono, aumento esse que não se repercutiu em melhoria económica –, deveríamos ser, pelo menos, mais respeitados e não nos julgarem parvos. É que cumprir um protocolo com o dinheiro dos outros é muito fácil.

11/20/2007

O País (In)Sustentável

No próximo dia 22, quinta-feira, a Luísa Schmidt irá lançar o seu mais recente livro: «O País (In)Sustentável», que é sobretudo uma compilação actualizada dos seus artigos publicados no Expresso ao longo dos últimos anos. Será no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa (junto ao Chiado), pelas 18 horas, e conta com a apresentação de Carlos Pimenta e João Cravinho. Apareçam...

11/19/2007

Obrigado, santo xará

Se não fosse o São Pedro, os incêndios não terminavam. A chuvinha veio, finalmente, acabar com os incêndios deste ano. Ainda ontem houve mais uns quantos (centenas de fogachos e fogos, parece), uns dos quais com mais de 24 horas a lavrar. Para o ano há mais - e provavelmente pior, porque isso de haver Verões com chuva copiosa não dura sempre.

Foi um erro

Tive a triste ideia de passar a noite do meu aniversário em Leiria a ver o jogo da Selecção Nacional (deveria escrever com minúsculas). Aos três minutos, Simão faz o mais díficl e acerta no poste. Dois minutos depois, uns cinco polícias vão à bancada, onde estou, buscar um suposto ladrão, enchendo-o de porrada e arrastando-o por entre filas onde estavam imensas crianças. O espectáculo e a emoção acabaram aqui! (dizem que alguém marcou um golo, entretanto...)

O resto do jogo só não foi um bocejo porque a boca não quis abrir por causa do frio. Mas a minha mente desejava ardentemente que uns quantos grupos de cinco polícias da pesada fossem ao relvado e arrastassem os jogadores como fizeram com o outro na bancada.

 

11/18/2007

A demissão florestal

A demissão do director-geral dos Recursos Florestais, Francisco Rego, é mais um aviso para os perigos de técnicos credenciados meterem-se em cargos políticos. Podem acabar demitidos sumariamente por gente de menores créditos. Se o sector primário em Portugal está moribundo, o actual ministro tem mostrado que não tem ideias sobre o sector florestal, mais ainda porque o secretário de Estado, Rui Gonçalves, está engavetado há muito. Esta demissão – que surgiu no dia em que se divulgou uma história esquisita da futura sede da DGRF (vd. aqui notícia no Público) – terá também a ver com as operações de erradicação do nemátodo do pinheiro, uma praga cuja evolução está longe de estar erradicada porque provavelmente interessará a muita gente que continue porque passou a ser um bom negócio...

Nota: Sobre a questão do nemátodo voltarei ao tema, em breve.

Fogo para aquecer

Em Vila Real e em Viana do Castelo estavam, à meia-noite de hoje, 8 graus centígrados. Ou seja, um frio que já dá para rachar. Mesmo assim, três fogos encontravam-se activos há mais de seis horas nestes dois distritos. Fica aqui o registo para mostrar, à saciedade, que o fogo em Portugal prolonga-se em função da falta de chuva, não das temperaturas mais ou menos elevadas. 

11/12/2007

1000 posts depois ainda dura...

Este post aqui foi a 1000º colocado desde a criação do Estrago da Nação no já longínquo dia 1 de Janeiro de 2004. Só agora reparei, fica portanto o registo.

Um Dia por Lisboa, no Teatro São Luiz

Numa iniciativa do grupo “Um dia Por Lisboa”, vai discutir-se hoje, dia 12 de Novembro, das 18 às 24h, no Teatro S. Luís, no Jardim de Inverno, questões relacionadas com as intervenções na frente ribeirinha de Lisboa. O modelo segue a anterior iniciativa de Junho, em que haverá intervenções de diversas personalidades, seguindo-se, desta vez, um debate a partir das 21:30 horas. Em baixo, segue a lista dos temas e dos particpantes.

Estarão também disponíveis “Speakers Corner”, cabines com sistema de gravação, onde qualquer pessoa poderá deixar os seus depoimentos e opiniões sobre os temas em discussão

O Tejo de Lisboa

António Câmara
Gonçalo Ribeiro Telles
Pedro Prista
Rui Tavares
Augusto Mateus
Raquel Henriques da Silva
José Sarmento Matos


A margem ribeirinha, função e projectos

Nuno Teotónio Pereira
Mário Alves
Luis Ribeiro
João Belo Rodeia
Jorge Gaspar
Rui Alexandre
Duarte Mata
João Gomes da Silva

A administração da margem ribeirinha

João Carvalho
Nuno Portas
José António Pinto Ribeiro
Paulo Saragoça da Matta
Henrique Andrade
Claudia Brandão


Debate Institucional

Fonseca Ferreira
António Costa
Manuel Salgado
Manuel Frasquilho
José Miguel Judice
Rolando Borges Martins

11/08/2007

Uma no cravo, outra na ferradura

Já não me apetece muito falar sobre a co-incineração – o tal processo que foi escolhido em 1996 (há 11 anos) pelo então secretário de Estado-adjunto do Ambiente José Sócrates por ser um processo mais rápido de implementar do que a incineração dedicada.

Apenas gostava de fazer notar duas questões:

a) mais uma vez a Justiça mostra que é muito complexa e que, por vezes, parece um jogo de futebol: tivemos duas deliberações favoráveis à providência cautelar - Tribunais Central Administrativo do Norte e Administrativo e Fiscal de Coimbra – e agora uma decisão contrária do Supremo Tribunal Administrativo que faz valer a sua posição.

b) o caso não vai ficar por aqui, porque a acção principal ainda vai ser julgada, o que, receio, traga novas peripécias a esta(e) interminável novela(o)

Reportagem sobre microcrédito

No Reportagens Ambientais coloquei um trabalho publicado na edição passada da Notícias Sábado. Não é sobre ambiente - aborda os casos de sucesso do microcrédito -, mas quem quiser pode ir até lá...

Chuva ou fogo, eis a questão!

Muita gente está surpreendida pela existência destes incêndios de Outono tardio, alguns dos quais estão a durar pela noite dentro. A questão é muito simples: falta a chuva.

No Verão deste ano, como no do ano passado, não ardeu muito porque anormalmente choveu. Este Outono arde (mesmo com temperaturas amenas, quanto muito primaveris, inferiores a 25 graus) porque anormalmente não chove há mais de duas semanas. Em conclusão: quando chove não arde, quando não chove arde. É este o linear fenómeno dos fogos em Portugal.

11/04/2007

Onde estão os bombeiros voluntários?

Os fogos tardios deste Outono estão a demonstrar sobretudo a falácia do voluntarismo das associações de bombeiros. Terminados os apoios financeiros do Estado para contratação de bombeiros (ou seja, profissionais), poucos são os bombeiros voluntários - do universo dos tais que são 40 mil - que se deslocam para apagar um incêndio.

Vejamos, em concreto: no momento em que escrevo (18:00 horas) estão quatro incêndios não circunscritos, a saber

  • Arcos de Valdevez, que começou às 8:20 horas e tem apenas 15 combatentes
  • Montalegre, que começou às 13:02 horas e tem apenas 15 bombeiros, mas segundo indicações da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) alguns são do ICNB, pois está a lavrar em zona do Parque Nacional da Peneda-Gerês
  • Vinhais, que começou às 16:32 horas e que, segundo a ANPC, estão 13 combatentes a caminho (mais de uma hora a lá chegar)
  • Ponte da Barca, que começou às 17:07 horas e tem 6 combatentes.

É certo que estando as temperaturas baixas e a humidade relativa elevada, estes incêndios podem não causar grandes estragos, mas acabam por mostrar que o sistema de voluntariado não existe e apenas está travestido durante o Verão porque os voluntários são pagos. E, portanto, mais uma razão para que sejam profissionalizados e responsabilizados.

Ainda o Business & Biodiversity

Sobre este post na Ambio do Henrique Pereira dos Santos, em resposta ao meu texto (aqui) sobre o programa Business & Biodiversity não tenho muito a acrescentar. Apenas reafirmar que não está em causa se uma empresa tem ou não tem mácula ambiental. É mais uma questão ética. Muitas empresas, com este tipo de programas, choram lágrimas de crocodilo e esfregam as mãos porque, com estas parcerias, compram 
verde a preço barato.

Fui ver, com algum detalhe, os compromissos que, por exemplo, o BES assume com o programa B&B. Basicamente são estudos, promessas, um prémio monetário a atribuir a projectos de conservação (o que fica sempre bem) e investimentos em protecção de três espécies numa zona (Herdade da Poupa, em Idanha-a-Nova), onde o próprio BES tem interesses, pois ali possui um hotel de turismo rural que vive exactamente da biodiversidade.

Ou seja, o BES - e as outras empresas - estão neste programas apenas viradas para si mesmas, para os seus investimentos. Não têm uma postura social, isto é, não se comprometem a investir fora dos seus interesses. Não fazem aquilo que se pode chamar de mecenato ambiental. E, por isso, os benefícios para a sociedade são residuais.