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5/16/2008

Imagens de marca

A Estradas de Portugal meteu dois dirigentes da Quercus em tribunal porque, numa manifestação contra o traçado de uma estrada, ter-se-á usado cartazes com a frase “Estragos de Portugal – Entidade Prevaricadora do Estado”. A Estradas de Portugal considerou que tal situação lhes causou danos altamente lesivos no nome e imagem.

Acho muito bem. A Estradas de Portugal, a empresa que tem muitas das nossas estradas esburacadas, a empresa que, sob outra designação, tem um historial de cambalachos, a empresa que gastava milionariamente em carros e «gasosa» (cf. denúncia do actual presidente) e que deixou cair a ponte de Entre-os-Rios em 2001, tem obviamente direito a não ver lesado o seu nome e imagem.

1/03/2008

Lobos e hienas

Durante a semana passada, surgiram notícias - e muitos comentários na blogosfera - sobre um viaduto na auto-estrada entre Vila Real e Chaves, na zona de Vila Pouca de Aguiar, que terá custado acima de 100 milhões de euros para supostamente servir de túnel para lobos. E que estes alegadamente não o usavam.

Não tendo elementos para uma análise exaustiva, esta questão mostra como algumas medidas de cariz ambiental podem ser contraproducentes e mal compreendidas pelas populações. Arriscar construir um túnel de tão elevado custo sem garantias de que resolve o problema é um desperdício que apenas serve para garantir mais empreitada - e, portanto, mais lucro para os construtores. Aliás, eles nem se importam que haja muitas obras deste género.

Porém, fique-se a saber que, na minha opinião, coisas destas não devem ser consideradas medidas ambientais. Independentemente de se ter ou não conseguido que os lobos atravessassem o dito túnel, a verba é exageradamente elevada. Com muito menos se conseguiria criar, em outras zonas, uma melhoria das condições de habitat dos lobos e de outras espécies. Por isso, sempre advoguei que em vez de medidas mitigadoras de duvidosa eficácia se deveria antes impor programas e projectos de compensação ambiental. Sendo certo que, obviamente, isso jamais fosse condição para aprovar tudo - até porque, em excesso, poder-se-ia correr o risco de deixarem de existir zonas para as compensações ambientais.

12/27/2007

Enterrar dinheiro

Em Portugal, todos os projectos idiotas têm tantas vidas como os gatos.  Este aqui, o de atravessar o maciço central da Serra da Estrela com túneis, já tinha sido pensado há cerca de uma década (recordo-me de escrever sobre isso no Expresso), num Governo socialistas, ficando (e ainda bem) em águas de bacalhau. Mas não morto nem enterrado. Surge agora de novo, o que demonstra que autarcas e políticos pensam que o país é rico e que se desenvolve com estradas. Não aprendem nada, portanto.

11/27/2007

Estradas sim, hospitais não

O primeiro-ministro, José Sócrates, prometeu, no fim-de-semana passado, que dentro de quatro anos a população de Bragança não terá mais de se deslocar por Espanha para andar em boas estradas. E que era «altura de fazer justiça ao único distrito do país sem um quilómetro de auto-estrada» daí que até 2011 existirão quase 400 quilómetros de novas vias, em que se incluem itinerários.

Eis aqui o conceito de desenvolvimento e de justiça propalada pelo Governo: estradas numa região sem gente. Com estradas mostraremos aos espanhóis que não precisamos deles. Mas já agora mantenham eles os hospitais nas cidades junto à fronteira. Disso os portugueses continuarão a necessitar...

6/25/2007

Prioridade? Concerteza que sim,senhor Primeiro-Ministro

Prioridades para o interior, segundo o primeiro-ministro José Sócrates, é construir auto-estradas, conforme se comprova nesta notícia, em que se anuncia a ligação entre Vila Real e Bragança. E isto porque, segundo José Sócrates, o distrito de Bragança «ainda não tem um único quilómetro de auto-estrada». Ora, todos nós, contribuintes, devemos achar isso intolerável, né?

Enfim, não valerá a pena sequer relembrar que, por exemplo, a Irlanda conseguiu chegar ao topo do desenvolvimento sem apostar nas auto-estradas.

Enfim, não valerá a pena sequer relembrar que existem outros motivos para o atraso da região de Trás-os-Montes que nada têm a ver com a ausência de auto-estradas.

Enfim, não valerá a pena sequer relembrar que uma auto-estrada de 130 quilómetros custará mais de 650 milhões de euros e que haveria, por certo, melhor destino a dar-lhes, mesmo se investindo-os todos naquela região.

Enfim, não valerá a pena sequer relembrar mais uma série de coisas....

Afinal, se o Governo diz que é prioritário, o nosso dever é dizer amen.