12/11/2009
É só fumaça
10/23/2009
Under profile
8/21/2009
Para que servem os avisos, afinal?
6/22/2009
O ministro e a baleia
Ora, parece-me que a melhor e principal medida de conservação dos grandes cetáceos é exactamente não os caçar. E depois mostrar e demonstrar que as eventuais valias económicas da exploração turística são maiores do que a exploração que implica o abate. E isto já sem falar nas questões de conservação das espécies e das questões éticas de abater espécies consideradas inteligentes. Mas isto era pedir muito ao ministro do Ambiente português que não gosta de levantar ondas, paninhos quentes para aqui e para acolá, amanhando compatibilidadezinhas bonitas para agradar a gregos e troianos. Enfim, só consegue ser uma coisa: mau ministro do Ambiente.
6/04/2009
Política à la Rua do Século
4/30/2009
Ah, grande Sócrates
4/28/2009
Lembrete em relação ao Freeport II
Terminou a 9 de Abril o estudo de impacte ambiental de um projecto comercial, turístico e lúdico que cheira a Freeport. No concelho de Vila Franca de Xira, na margem oposta à cidade, nas antigas instalações agrícolas do Cabo da Lezíria, junto à ponte Marechal Carmona, em terrenos estatais da Companhia das Lezírias, uma empresa privada – à frente da qual se encontra Carlos Bexiga, um antigo director-geral financeiro do Partido Socialista – quer investir cerca de 12 milhões de euros para construir um parque temático de agricultura, touros e cavalos. Contudo, sob a capa disto, estamos perante 22 hectares que terão «áreas comerciais, três restaurantes, um hotel com 45 quartos, arena, centro equestre, um pavilhão polivalente, jogos de água, jardins e zonas de sequeiro, entre outros equipamentos».
3/25/2009
Onde está o Wally?
2/21/2009
Ou seja, faça-se tudo
Os relógios avariaram
Nota: Aliás, ainda está para se fazer a avaliação de um programa de muitos milhões que tinha como objectivo mostrar um novo paradigma de urbanismo em Portugal. Tirando uns arranjos, não vi nada de especial. Ao invés, de quando em vez, vejo sim pedaços de terreno a serem vendidos pelas sociedades Polis com preços de pura especulação imobiliária.
2/18/2009
Quando é que isto acaba?
Pessoalmente, esta convivência de avanços e recuos, com as autoridades judiciais a darem uma no cravo e outra na ferradura, pode ser convivial, mas é tudo menos normal. Eu recordo-me que logo no final de 1995, quando então secretário de Estado do Ambiente, José Sócrates, decidiu abandonar a incineração dedicada e optar pela co-incineração pelas cimenteiras, esta solução foi justificada por, em parte, ser um processo que avançaria mais rapidamente. Tem-se visto...
1/31/2009
Pormenor importante
1/29/2009
Sofismas e fumaças
Por isso, talvez seja conveniente mais uns esclarecimentos. Primeiro: não houve dois chumbos. A primeira vez que o projecto foi apresentado ao Ministério do Ambiente, em 2000, aquilo que aconteceu foi uma desconformidade administrativa. Ou seja, os elementos constantes do EIA não eram suficientes para uma correcta avaliação. As autoridades ambientais nem sequer disseram que o projecto era bom ou mão; disseram sim que o EIA estava mal feito. E, por isso, mandaram-no para trás, porque nem sequer valeria a pena analisá-lo. Por isso, somente houve o chumbo de Dezembro de 2001.
Ora, esclarecido este «pormenor», vejamos então por que houve algo de estranho entre a reprovação de Dezembro de 2001 e a aprovação em Março de 2002.
Primeiro, quando um projecto sujeito a EIA é chumbado, parte-se sempre do pressuposto que um novo projecto mesmo se no mesmo local tem, necessariamente, de seguir todos os trâmites legais e processuais do anterior, mas como se esse anterior projecto nunca tivesse existido. E isso deve ser feito por uma questão de óbvia prudência reforçada. Um projecto cujo EIA é chumbado numa primeira fase significa que previsivalmente traria, caso fosse implantado, tantos problemas ambientais que não há medidas minimizadoras e/ou compensatórias que lhe pudessem valer. Para quem não anda «nisto», talvez não saiba que a generalidade dos projectos aprovados em sede de avaliação de impacte ambiental tem, em muitos casos, de «abandonar» determinadas componentes ou reformular medidas de minimização, impostas pelas autoridades ambientais. Daí que mesmo os projectos que beneficiam de uma declaração de impacte ambiental favorável, esta é «condicionado» - isto é, os promotores têm a obrigação de aplicar aquilo que o Ministério do Ambiente lhes impõe.
1/28/2009
Freeport a grande velocidade
É certo que, em alguns projectos, são estradas, bastante complexos; mas complexo é também aprovar o maior outlet da Europa (é bom destacar isto) numa área parcialmente integrada na Zona de Protecção Especial de Aves (ZPE), numa área sensível do ponto de vista do ordenamento (e isso nem sempre é dito). Não estamos a falar, por exemplo, de um ancoradouro na Aguieira – que, por sinal, teve o seu processo a iniciar mais de cinco meses antes do Freeport e só teve decisão duas semanas depois da aprovação do Freeport.
Aliás, sobre as questões relacionadas com os EIA, infelizmente há quem pense que apenas tratam de olhar para os impactes sobre as plantinhas e os passarinhos – e não há nada mais errado do que isto. Um bom EIA deve ter necessariamente uma boa análise e previsão sócio-económica, verificando mesmo se os pressupostos e previsões do projecto alguma vez se concretizarão (e pelo que se tem visto da evolução do Freeport, como outlet, falhou em toda a escala). Enfim, mas isto fica para próximos desenvolvimentos.
Eis a lista, portanto.
Variante de Loulé à EN270 e Conclusão da Variante à EN396 entre a Zona Industrial de Loulé e a EN270 – Início do processo: 2/8/2001 (5 meses e meio antes do Freeport); Aprovação: 18/3/2003 (quatro dias depois do Freeport)
IC4 - Lagos/Lagoa - Ligação a Lagos – Início do processo: 30/7/2001 (5 meses e meio antes do Freeport); Aprovação: 19/3/2002 (cinco dias depois do Freeport)
Auto-Estrada A7 Sublanço Ribeira da Pena - IP3 – Início do processo: 31/10/2001 (2 meses e meio antes do Freeport); Aprovação: 1//4/2002 (duas semanas depois do Freeport)
Ancoradouro da Aguieira Gafuncho – Mortágua – Início do processo: 25/7/2001 (5 meses e três semanas antes do Freeport); Aprovação: 1//4/2002 (duas semanas depois do Freeport)
Alargamento da Pedreira "Monte da Oliveira" – Início do processo: 5/9/2001 (4 meses e meio antes do Freeport); Aprovação: 4//4/2002 (duas semanas depois do Freeport)
IP5 - Nó do IC2 - Viseu; Sublanços IC2 - Talhadas - Vouzela - Boa Aldeia – Início do processo: 11/8/2001 (5 meses e uma semana antes do Freeport); Aprovação: 24//4/2002 (um mês e uma semana depois do Freeport)
Pedreira do Fojo – Início do processo: 15/11/2001 (2 meses antes do Freeport); Aprovação: 7//5/2002 (1 mês e três semanas depois do Freeport)
Circular Externa da Zona Urbana de Pombal – Início do processo: 17/12/2001 (1 mês antes do Freeport); Aprovação: 9//5/2002 (1 mês e três semanas depois do Freeport)
Projecto de Ampliação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro – Início do processo: 26/11/2001 (1 mês e três semanas antes do Freeport); Aprovação: 15//5/2002 (2 meses depois do Freeport)
Parque Eólico de Seixinhos – Início do processo: 10/10/2001 (3 meses e uma semana antes do Freeport); Aprovação: 27//5/2002 (2 meses e duas semanas depois do Freeport)
IC 3 - Variante de Tomar / Nó da Atalaia (IP 6) – Início do processo: 19/11/2001 (2 meses antes do Freeport); Aprovação: 27//5/2002 (4 meses e duas semanas depois do Freeport)
1/27/2009
Freeport - análise comparativa de uma aprovação
De resto, a normalidade processual nota-se na «moda» (do ponto de vista estatístico). De facto, oito dos 15 projectos demoraram entre um e dois anos desde o chumbo inicial até à aprovação de novo EIA. E outros quatro foram aprovados entre três e seis anos após o primeiro chumbo.
Projectos chumbados e depois aprovados (com tempo que decorreu entre chumbo e aprovação)
Outros projectos chumbados pelo Ministério do Ambiente entre 25 de Outubro de 1999 e 6 de Abril de 2002
28 - Centro Integrado de Tratamento e Aterro de Resíduos Industriais (CITRI, Setúbal) - chumbado em 4/12/1999; não voltou a ser analisado.
29 - Aeródromo da Figueira da Foz - chumbado em 31/7/2001; não voltou a ser analisado
1/26/2009
Vejam as declarações de impacte ambiental
Por isso, saber que justificações (esfarrapadas ou não) se apresentam para passar de um chumbo para uma aprovação pode melhor elucidar que a questão essencial para a mudança de opinião do Ministério do Ambiente foi tão só política (envolvendo tudo o que de bom e mau tem isto) e nada ambiental.
Ainda o Freeport
Destaco, no entanto, estas duas passagens:
«Porque é que o Ministro, neste caso José Sócrates, que tinha delegado as competências para aprovar as DIA no Secretário de Estado, nesta altura Rui Gonçalves, faz uma reunião a pedido da Câmara de Alcochete, com os promotores do projecto, e na qual participa?»
«E é triste ver Rui Gonçalves assumir toda a responsabilidade neste caso, quando eu vi, mas isto fica para outra altura, ser tratado por José Sócrates abaixo de cão, facto que era extensível a todos os seus subordinados que não considerava.»
1/25/2009
Freeport - Texto de análise no Público
O caso Freeport – transformado agora num terramoto político, réplica mais forte de um pequeno abalo em 2005 – tem de ser analisado à luz da época da sua aprovação. Se hoje José Sócrates é primeiro-ministro, no início de 2002 era então ministro do Ambiente e Ordenamento do Território de um Governo cujo partido estava na iminência de perder, como perdeu, as eleições legislativas.
Hoje, um processo de licenciamento similar ao Freeport seria decidido, com igual ou maior celeridade, nos «discretos» gabinetes da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Ou seja, era um Projecto de Interesse Nacional (PIN), forma ardilosa para, mais que acelerar procedimentos burocráticos, ultrapassar normas ambientais. Vários projectos, na actual legislatura, foram aprovados neste regime de excepção, quando antes tinham sido reprovados; alguns deles curiosamente pelo ministro do Ambiente do Governo de Guterres. Se nos PIN, agora tão em voga, existem reuniões com ministros e autarquias, com interferência de advogados e familiares de políticos, ficará sempre no segredo dos deuses, até ao momento em que caía uma suspeição similar ao Freeport. Daí que seja perigoso, desaconselhável mesmo até para os governantes, criar regimes de excepção, por maiores que sejam as boas intenções.
Ora, mas no primeiro trimestre de 2002 – o período crucial do caso Freeport – inexistiam regimes de excepção. Aquilo que existia tão-só era um projecto de outlet, abrangendo quase 40 hectares, inserido parcialmente na Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo. Esse projecto já fora, como se sabe, analisado duas vezes pelo Ministério do Ambiente: a primeira em Junho de 2000, sendo devolvido por não cumprir os regulamentos previstos na lei; a segunda, entre Maio e Dezembro de 2001, com «chumbo» ministerial. Até aqui, todo o processo decorreu dentro da normalidade, quer ao nível dos «timings» entre a entrada do estudo de impacte ambiental (EIA) e o início da consulta pública, quer no período de consulta propriamente dita, quer no próprio desfecho («chumbo» por razões ambientais). Aliás, este «chumbo» era expectável. Em Setembro desse ano, no jornal Expresso, o então director da Reserva Natural do Estuário do Tejo, não apenas por causa da ZPE, referia que o próprio PDM de Alcochete nem permitia um projecto daquela natureza.
Por outro lado, aspecto muito relevante, até então o ministério de José Sócrates quase sempre se mostrara irredutível na análise de projectos urbanísticos, comerciais e turísticos em Rede Natura (que incluem as ZPEs). Com excepção do centro de estágios do Sporting (também algo polémico, embora inserindo-se numa zona limítrofe da ZPE do Tejo), Sócrates «chumbara» projectos emblemáticos: um na Lagoa da Vela (apoiado pelo então edil figueirense, Santana Lopes), outro na praia do Meco e um outro na costa alentejana (que veio agora a ser aprovado pelo regime PIN, entretanto suspenso por ordem judicial). Além disso, em 2000, ele exonerara um vice-presidente do Instituto da Conservação da Natureza, José Manuel Marques, por ter licenciado um empreendimento no Abano contra indicações superiores.
É assim neste contexto que a celeridade na aprovação do Freeport deve ser olhada. Não se encontra facilmente um outro projecto que tenha demorado apenas três meses entre a entrada do EIA e um despacho favorável, tanto mais que a alteração do projecto do outlet, em relação ao reprovado em Dezembro de 2001, foi pouco relevante. E mais ainda por se manter o mais grave atropelo à lei dos EIA e às directivas ambientais: a inexistência de alternativas de localização. A modificação dos limites da ZPE – depois revogada, por imposição comunitária – pode ser vista assim como uma tentativa, não inocente, de «branquear» um processo pouco pacífico do ponto de vista legal, mesmo descontando o eventual caso de corrupção e favorecimento. Mas é bom também salientar que episódios como este – aprovação acelerada de projectos polémicos em fim de legislatura – sempre sucederam, como se viu com Cavaco Silva (três projectos no Algarve) e Santana Lopes (Portucale).
1/24/2009
Reflexões sobre o Freeportgate
Fazendo um historial do processo, consultando os dados da Agência Portuguesa de Ambiente, o primeiro estudo de impacte ambiental (EIA) foi apresentado em 10 de Junho de 2000, tendo as autoridades ambientais levado mais de quatro meses (25 de Outubro de 2000) para determinarem que o EIA estava desconforme com as premissas da lei. Ou seja, foi devolvido.
Somente em 22 de Maio de 2001, o EIA do Freeport Leisure - que entretanto substituíra o Grupo McKinney como promotor - dá entrada novamente nas autoridades ambientais. Cerca de três meses depois, em 9 de Agosto de 2001, inicia-se a consulta pública, que decorre até 18 de Setembro de 2001. Note-se - aspecto muito importante -, o tempo médio entre a entrada do EIA e o início da consulta pública é, por regra de cerca de três meses (por vezes mais, muito raramente menos). A consulta pública demora 40 dias, o máximo legal. Ou seja, até aqui tudo normal. Este EIA é, então, objecto de decisão em 6 de Dezembro de 2001: desfavorável, por razões ambientais. Note-se também que este «chumbo» sucede 10 dias antes das eleições autárquicas que levaram à demissão de António Guterres.
Ora, a partir daqui, tudo se altera. Em tempo recorde, o Freeport Leisure reformula o EIA, retirando-lhe apenas o hotel e o health club, e consegue que o processo de avaliação de impacte ambiental se inicie em 18 de Janeiro de 2002. Também em tempo recorde, a consulta pública inicia-se apenas 12 dias depois da entrada do novo EIA nas autoridades ambientais. Não me recordo - e estive a vasculhar muitos prazos de outros processos de avaliação - de outro processo que passou tão rapidamente da entrada do EIA para a fase de consulta pública. O prazo estabelecido, embora dentro da lei, foi encurtado: em vez de 40 dias (como na anterior avaliação do EIA chumbado), este só teve 30 dias.
Terminada a consulta pública em 5 de Março de 2002, a decisão favorável do secretário de estado do Ambiente de então, Rui Gonçalves, é feita em 14 de Março. Ou seja, sete dias úteis depois. Foi rápido, mas não anormalmente rápido, porque em processos não muito complexos, sem grande participação pública, este prazo demora, por regra, menos de um mês (nos mais complexos pode levar vários meses).
Ora, mas a aprovação do EIA no dia 14 de Março de 2002 coincide com a data do Conselho de Ministros que aprova a alteração dos limites da ZPE do estuário do Tejo. E é aqui que está todo o busílis. Mesmo sem conhecer os pressupostos da declaração de impacte ambiental assinada pelo secretário de Estado, certo é que caso a área do Freeport continuasse inserido na ZPE do estuário do Tejo, haveria problemas legais, quer a nível nacional quer comunitário. Com efeito, um projecto daquela natureza numa ZPE exigiria sempre um estudo de alternativas de localização - e o Freeport não teve. Por outro lado, o tipo de ocupação, ainda mais nas margens do estuário, não seria aceitável dentro daquilo que são as premissas da Rede Natura - e a Comissão Europeia certamente interviria, mais ainda por causa da questão ponte Vasco da Gama, que na época ainda estava «quente». Por isso, há uma relação causal directa entre a alteração da ZPE e a aprovação do EIA.
Quanto às relações perigosas entre familiares de José Sócrates, o Ministério do Ambiente e a Freeport, à paragem das investigações durante anos no Tribunal do Montijo e outras coisas esquisitas, é um «caso de polícia».
Mas há apenas um pormenor a reter: José Sócrates, em Março de 2002, nunca imaginaria estar de novo no poder três anos depois... e muito menos como primeiro-ministro. E outra coisa mais: começam a suceder-se demasiados casos no passado de José Sócrates que lhe começam a pesar politicamente. De cor, recordo-me do processo de licenciatura, das ligações também perigosas à construção da estação de compostagem da Cova de Beira, dos seus antigos projectos de arquitectura na zona da Covilhã e agora este caso. Não me recordo de um primeiro-ministro com uma casa que parece ter tanta telha de vidro.
1/22/2009
O caso Freeport
Nota: nos meus arquivos, fui desencantar um artigo que fiz no Expresso, em Setembro de 2001, pouco antes de deixar de colaborar naquele jornal. Deixo aqui o texto que então escrevi.
UMA empresa britânica - a Freeport Leisure - pretende instalar um complexo lúdico-comercial em Alcochete, em plena Zona de Protecção Especial (ZPE) de Aves do estuário do Tejo e da Rede Natura, numa área de 37 hectares que coincide, em parte, com a antiga fábrica de pneus da Firestone.
Para uma área de quase 13 hectares está projectada a construção de um centro comercial em modelo «outlet» - espaço aberto -, com 28 salas de cinema, um «health club», uma zona de restaurantes e bares, uma discoteca, um centro de «bowling» e um hotel com 120 camas e centro de congressos.
Contudo, associado ao centro lúdico-comercial, será construído também um parque de estacionamento para cerca de três mil veículos, englobando perto de 11,5 hectares. Além disso, noutra zona adjacente, bastante próxima dos sapais, a Freeport Leisure pretende implantar, em 13 hectares, «um projecto de renaturalização, visando uma qualificação do ponto de vista ambiental».
Estas duas parcelas estão totalmente integradas na ZPE e, segundo a Reserva Natural do Estuário do Tejo (RNET) - a entidade gestora daquela área - estão ainda abrangidas pelo regime da Reserva Ecológica Nacional (REN), que proíbe a ocupação e movimentação de solos. O representante da empresa britânica em Portugal, João Cabral, diz que «o projecto de renaturalização é uma forma de compensar a ocupação da área do estacionamento».
Divergências ambientais
Nessa altura, o então vice-presidente do ICN, José Manuel Marques, referia que «a implementação do projecto (...) não constitui uma incompatibilidade face aos objectivos da conservação da natureza (e da avifauna em particular) e ao quadro normativo e legal que sobre a zona incide». E considerava que seria suficiente a renaturalização da área do antigo pomar para eliminar os efeitos negativos.
No entanto, o plano de gestão, aprovado ainda em 1999, refere que na área da ZPE se deve «manter o carácter rural do espaço» e que «as densidades de povoamento urbano (deverão ser) idênticas ou inferiores às actuais». Isto significa que, quanto muito, se poderia substituir o volume de ocupação da fábrica de pneus por uma área idêntica de uso comercial, mas sem intensificar a presença humana.
Apesar dessa posição inicial do ICN, Antunes Dias, director da RNET,diz que «um parecer daquele género não tem qualquer validade, porque nada pode contrariar a legislação específica de protecção da zona».
O presidente do ICN, Carlos Guerra, afirma que o seu então vice-presidente - que, no ano passado, foi exonerado por José Sócrates por causa do empreendimento do Abano, no Parque Natural de Sintra-Cascais - terá emitido um «parecer voluntarioso». «Não será tido em conta na avaliação do projecto», garante.
Antunes Dias relembra também que a autarquia de Alcochete não pode aprovar nada para aquela zona. Com efeito, a Resolução de Conselho de Ministros de 17 de Julho de 1997 - que aprovou o plano director municipal de Alcochete - excluiu a possibilidade de ocupação da área da antiga fábrica de pneus com actividades de usos urbanos.
De qualquer modo, sob este projecto paira o precedente criado pela aprovação do centro de estágios do Sporting, em Alcochete, que também se encontra na ZPE do estuário do Tejo. Carlos Guerra defende, contudo, que «são processos distintos, porque a ocupação é diferente».