ESTRAGO DA NAÇÃO

11/01/2005

Derivações Ambientais XXXII

250 anos após o terramoto de 1755, deixo aqui dois pequenos trechos de textos sobre a visão da Igreja Católica sobre os terramotos, que nos deveria merecer reflexão quando acusamos agora as outras religiões de fundamentalismo. Um deles é do padre jesuíta Gabriel Malagrida no seu Juízo da Verdadeira Causa do Terremoto (já agora, ao contrário daquilo que já ouvi na comunicação social, este opúsculo foi aprovado pela censura eclesiática da época, quando foi publicado em 1756, e só mais tarde, por razões políticas, viria a ser proibido e mesmo queimado em praça pública, em 1772). Reza assim:

«(...)porém como ha de entrar neste cuidados, e empenho o povo mais duro, e rude nos seus vicios, e ouvirem os que dizem, asseguraõ, que estas calamidades saõ puros effeitos das causas naturaes, e não vinganças de hum Deos indignado, e ferido no mais vivo da sua honra, pela obstinada perfidia dos peccadores? Pareceme, que o mesmo demonio não podia excogitar doutrina mais conducente á nossa irreparavel ruina, do que ensinar esta naturalidade tão innatural, assignando serem pelos symptomas das causas segundas, e naturaes, estes flagellos, que experimentámos, ficando nós com estes sistemas mais impedernidos nas injurias, e desprezos da causa primeira; preservando nós como dantes no nosso practico atheismo. (...)»

O segundo trecho está no poema épico Lisboa Destruída, publicado em 1803 pelo padre oratoriano Teodoro de Almeida. Nas notas surge a seguinte passagem:

«(...) ficando Lisboa destruída, Deos conseguio dois grandes fins, que intentara, hum de se fazer temido, e respeitado dos prevaricadores daquele tempo, outro de prevenir com este aviso os Atheos, Deistas, e Materialistas Portugueses, que o Senhor pela sua presciencia divina sabia, que poucos annos depois, corrompidas das ímpias doutrinas das nações estrangeiras, se rebellariaõ contra a Religiaõ; para que se lembrassenm que Elle sabe soffrer, porque he eterno, e tambem zombar dos seus zombadoresm porque he honrado e Santo. (...)»

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