ESTRAGO DA NAÇÃO

6/10/2004

Farpas Verdes LXXX

Embora tenha ocorrido há cerca de três semanas – e que por razões já conhecidas não me foi possível comentar –, julgo ser oportuno tecer algumas considerações sobre a demissão de Amílcar Theias e a entrada do novo ministro Arlindo Cunha.

a) Amílcar Theias foi um erro de casting. Já o tinha aqui dito e repito. Não está em causa a sua seriedade – que era por todos reconhecida –, mas ele aliava, infelizmente, a inabilidade política com algumas falta de jeito para a política. Fez-me recordar o primeiro ministro do Ambiente do cavaquismo: Fernando Real.

b) Embora não veja motivos para regozijo pela segunda saída de um ministro do Ambiente em dois anos, já me alegra a saída de José Eduardo Martins da secretaria de Estado do Ambiente. Demonstrou, por variadíssimas vezes, que não tem estofo para governar, nem conhecimentos, nem humildade. E sobretudo no último caso, para um político de 34 anos, quando já não se possuiu essa característica – ou nunca se teve –, a idade geralmente não a faz surgir. Muito pelo contrário.

c) A nomeação de Arlindo Cunha parece ser uma solução tirada a papel químico do último quinquénio do cavaquismo. Se se recordam, entre 1990 e 1995 houve dois ministros do Ambiente demitidos – Fernando Real e Carlos Borrego – e, em desespero de causa, foi escolhida Teresa Gouveia, que não entendendo nada de ambiente, sempre tinha a confiança política e pessoal do primeiro-ministro. Não faço a mínima ideia dos conhecimentos de ambiente do novo ministro – embora julgue serem um bocadinho superiores aos que Teresa Gouveia possuía. Além disso, Arlindo Cunha tem o traquejo de um ministério técnico que, muitas vezes, tem ligações (às vezes conflituosas, diga-se) com o ambiente. A questão essencial, para o futuro, estará em saber se o Governo terá um ministro do Ambiente ou se dois ministros da Agricultura. Julgo, contudo, que não há que dar lugar à «estados de graça». Arlindo Cunha tem, muito em breve, que decidir sobre a questão da barragem do Baixo Sabor. Tem também que decidir o que fazer com a proposta que está em cima da mesa sobre a revisão das leis da REN e, em paralelo, da RAN. Tem também que dirimir alguns conflitos ambientais que foram crescendo entre Ambiente e Agricultura, nomeadamente na área da conservação da natureza. Ou seja, dentro de muito pouco tempo Arlindo Cunha terá de se definir.

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