ESTRAGO DA NAÇÃO

7/20/2006

Os perigos da confiança

Embora de uma forma muito discreta, tornou-se evidente que a postura da comunicação social, sobretudo das televisões, perante os incêndios se modificou relativamente aos anos anteriores. Se nos anos anteriores, os incêndios eram catapultados para o «prime-time» dos noticiários, este ano as televisões têm sido bastante parcimoniosas. Não fiz nenhuma análise exaustiva, mas no fim-de-semana passado foi evidente uma nova postura: dois grandes incêndios (Viana do Castelo e Vale de Cambra) foram secundarizados (sem uso de imagens) e foram apresentadas reportagens sobre as brigadas helitransportadas da GNR e a vigilância dos Escuteiros. Paralelamente, a campanha de sensibilização do Governo/Forestis está em força, embora com mensagem inócuas, não fosse o lema dessa campanha inócua em sim mesma («verde ou cinzento, a escolha é sua...). No domingo em que morreram os bombeiros na Guarda foi por demais evidente a quase ostracisação a que foi votada esta tragédia por parte das televisões - na SIC e RTP foi até caso escandaloso.

É certo que, este ano, não têm ocorrido casos demasiado graves. Ainda. Nem seria de esperar, porque não é suposto termos muitos incêndios catastróficos nesta altura do ano, além de que as condições meteorológicas têm ajudado (ou seja, tem chovido de quando em vez). O grande problema é que, ao secundarizar-se em demasia alguns incêndios importantes, e dando um excessivo destaque às supostas melhorias no combate e na vigilância (que é mais aparente do que real, porque, por exemplo, o raio de acção das brigadas helitransportadas é muito limitado...), dá-se uma perigosa sensação de segurança. E é perigosa, por não ser real.

Uma coisa vos garanto, se houver duas semanas seguidas sem chuva em território nacional, o país começa a arder forte e feio à segunda semana. E tanto mais quanto maior for a sensação (enganadora) de que existe uma boa eficácia da vigilância e do combate.

Adenda: Na edição do Público de hoje, refere-se numa breve que arderam 400 hectares de uma zona de protecção prioritária do Parque Natural do Vale do Guadiana. Na comunicação social, quase não se deu por este incêndios. No ano passado, um fogo de menor dimensão na Tapada de Mafra fez aberturas de telejornal. Longe da vista, longe do coração...

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