2/07/2007

O milagre florestal

Hoje, o World Resource Institute apresenta uma série de informações relacionadas com a floresta no Mundo (consultável aqui), que me deixaram, obviamente, espantado.

E o espanto é o seguinte: sabe-se que, de acordo com os dados oficiais portugueses, ardeu entre 2000 e 2005 uma área de 1,25 milhões de hectares, o que dá uma média de 255 mil hectares por ano. Para facilitar as contas, digamos que metade era floresta, no que resulta que se perdeu por ano um pouco mais de 125 mil hectares.

Porém, de acordo com os dados divulgados pelo WRI, Portugal surge no top 10 dos países com mais crescimento líquido de florestal, com um aumento médio anual de 40 mil hectares.

Ora, isto implicaria que teria sido necessário cobrir, durante aqueles seis anos, a parte que ardeu (cerca de 125 mil hectares) e acrescentar ainda mais 40 mil hectares de novos povoamentos. Algo que , obviamente, não aconteceu.

Por aquilo que conheço das explicações «oficiais» (e isso fica patente nos próprios inventários florestais), um incêndio raramente é considerado uma perda florestal. Portanto, os dados que são transmitidos pelas autoridades portuguesas para as estatísticas internacionais omitem sempre esta componente dos incêndios, colocando apenas aquilo que são novos povoamentos.

Donde se conclui que, em vez de um crescimento líquido de 40 mil hectares, deveria surgir nas estatísticas do WRI uma redução líquida de 85 mil hectares de floresta. Mas, enfim, estou aberto a todas as interpretações, sendo certo que a floresta portuguesa não existe por via de estatísticas (incorrectas), vive da realidade...

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