ESTRAGO DA NAÇÃO

10/26/2005

Farpas Verdes CDXVIII

Eu já sabia que o meu post anterior (sobre ter deixado de fazer separação de resíduos) ia causar polémica. Pois é, parece que me «aburguesei», dizem uns; atitude chocante, dizem outros; preguiçoso, clamam aqueloutros. Tirando um comentário, ninguém critica a autarquia de Lisboa. Acham «normal» que numa cidade de altos e baixos haja ecopontos tão distantes das zonas residenciais? Acham normal que ao fim de tantos anos na zona de Santa Catarina não haja qualquer diferença entre o processo de recolha selectiva (inexistente em 1994 quando para aqui vim morar) e o ano de 2005? Acham normal que havendo espaço para colocar um ecoponto na zona a autarquia não o coloque? Acham normal que a autarquia diga que está a «estudar» um processo de recolha porta-a-porta há mais de um ano? Acham normal que os cidadãos continuem a ver a recolha selectiva como um sacríficio? Acham normal isto tudo? Pois eu não acho... Eu sou apologista de que a reiclagem é economicamente compensadora se uma autarquia estimular os cidadão a fazerem recolha selectiva. A autarquia de Lisboa não a faz.

Deixo em baixo a troca de «correspondência» com a autarquia para colocarem um simples ecoponto em Santa Catarina para que possam melhor ajuizar a minha forma de protesto. Para quem tenha paciência, leia e veja como a burocracia e as «desculpas» da autarquia são feitas, mesmo quando o munícipe perde a paciência e se torna caústico (como foi o caso do meu último email..).


11 de Maio de 2004
Exmos. Senhores,
Tendo em consideração que, até ao final do mês, será condicionado o tráfego autómovel na zona de Santa Catarina, venho sugerir que a Câmara Municipal de Lisboa preveja e execute a implantação de um ecoponto completo (vidrão, papelão, embalagens e pilhas), nesta zona - espaço agora não faltará. Relembro que o ecoponto mais próximo da minha casa se localiza a cerca de 400 metros de distância (junto ao Museu das Comunicações), o que obriga a deslocações de automóvel para transportar os resíduos separados.
Ficando a aguardar uma resposta, queiram aceitar os meus melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira


24 de Maio de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência de reclamação apresentada por V. Ex.a ao e-mail do Munícipe da Câmara Municipal de Lisboa, no dia 11 de Maio do corrente ano, posteriormente encaminhada para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, cumpre-nos informar que, conforme parecer técnico dos Serviços do Departamento que fazem a gestão dos equipamentos para deposição selectiva, está a ser estudada a hipótese de se avançar para um sistema de recolha selectiva porta-a-porta, na área da freguesia de Santa Catarina, com tráfego condicionado, no entanto, ainda não é possível avançar com uma data exacta para o arranque deste projecto.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS


10 de Junho de 2004
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pires,
Agradeço a sua resposta que, por razões de saúde, somente agora posso responder. Congratulo-me que os V. serviços estejam a estudar a recolha selectiva porta-a-porta para esta zona, embora como me diz sem data para a sua implantação.
Contudo, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre essa previsível implantação desse sistema port-a-porta e a instalação, mesmo que provisória, de um ecoponto, sobretudo enquanto tal medida não for implantada. Um ecoponto pode-se colocar em apenas um dia e pode ser retirado em apenas um dia. Além disso, numa zona em que se nota, infelizmente, que é colocado muito cartão e papel, vidro e outros materiais recicláveis junto aos contentores de lixo indiferenciado - nem toda a gente está para se sacrificar ou não tem condições logísticas para ir armazendando os resíduos recicláveis para mais tarde levá-los de carro para um ecoponto, que fica longíssimo -, a instalação, mesmo que provisória, de um equipamento deste género teria uma função tambérm pedagógica.
Por este motivo, penso, como cidadão e municípe de Lisboa, a existência de uma hipotese, sem data marcada, de implantação de um sistema porta-a-porta não é um motivo minimamente aceitável para não instalar entretanto um ecoponto.
Ficarei a aguardar uma resposta.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira


11 de Junho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Almeida Vieira
Na sequência de e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 10 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi internamente encaminhado para os Serviços Técnicos deste Departamento, responsáveis pela gestão dos equipamentos de deposição selectiva, para efeitos de reavaliação do pedido de colocação de ecoponto, na área correspondente à freguesia de Santa Catarina.
Com os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS


30 de Junho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 10 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, conforme parecer técnico dos Serviços deste Departamento responsáveis pela gestão dos equipamentos para deposição selectiva, as viaturas que recolhem os ecopontos são de maiores dimensões, do que aquelas que irão efectuar a recolha porta-a-porta dos resíduos recicláveis, pelo que as mesmas têm dificuldade em circular em locais onde os arruamentos se apresentam demasiado estreitos.
Por este motivo, não é possível satisfazer o pedido de V. Ex.a.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS


30 de Junho de 2004
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto,
Sem colocar em causa o parecer emanado pelos serviços técnicos do Departamento, julgo que as limitaçoes físicas que são aduzidas não se aplicam a toda a zona de Santa Catarina. Se porventura V. Exa. reparar, a dimensão de algumas vias rodoviárias permitem o acesso, em problemas, de qualquer camião de recolha dos eco-pontos. Por exemplo, se for colocado um ecoponto ao longo da Rua de Santa Catarina (mesmo que obrigue à supressão de algum lugar de estacionamento), o camião pode perfeitamente entrar pela Rua Marechal Saldana, proceder à recolha e sair pela Travessa da Condessa do Rio. Existem, pelo menos, dois ou três locais em que um ecoponto completo poderia ser instalado sem qualquer problema.
Resido na zona de Santa Catarina há cerca de uma década e, ano após ano, ouço a promessa de se vir a proceder à recolha porta-a-porta, sem que a mesma seja satisfeita. Malgrado isso, continuo a fazer separação dos resíduos e, periodicamente, vejo-me obrigado a ter de me deslocar de carro - depois de armazenado uma certa quantidade - ao ecoponto mais próximo que fica a várias centenas de metros de distância da minha residência.
O condicionamento ao tráfego na zona de Santa Catarina trouxe, na minha opinião, as condições imediatas para a colocação de um ecoponto. Se a autarquia não se "sacrifica" para melhorar as condições de participação deste bairro na separação de resíduos, obviamente vejo-me obrigado a também não me "sacrificar". Por isso, mesmo que isso muito me custe, deixarei de fazer recolha selectiva até que a autarquia implemente a recolha porta-a-porta nesta zona... ou então que coloque um ecoponto.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira


1 de Julho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 30 de Junho do corrente ano, cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi novamente encaminhado para a Divisão de Limpeza Urbana deste Departamento, a fim de cumprir os devidos efeitos.
CML/DMAU/DHURS


15 de Julho de 2004
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Em resposta ao último email enviado para este Departamento, em 30 de Junho p.p., cumpre-nos informar que, após nova avaliação da sugestão apresentada por V. Ex.a, os Serviços Técnicos deste Serviço reafirmam que a impossibilidade de instalação de um ecoponto na área, se deve ao facto de as viaturas de remoção destes equipamentos apresentarem dimensões consideráveis que levantam sérias dificuldades em circular em locais onde os arruamentos são demasiadamente estreitos, como acontece em Santa Catarina.
Aproveitamos para informar que, de facto, se encontra a ser estudada a hipótese de se avançar para um sistema de recolha selectiva porta-a-porta, na área da freguesia de Santa Catarina.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS


20 de Janeiro de 2005
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto,
Em Maio do ano passado, no seguimento da minha proposta para a colocação de um ecoponto na zona condicionada ao tráfego de Santa Catarin, V. Exa. informou-me por e-mail (que segue abaixo) de estar a ser estudada a hipótese de um sistema de recolha selectiva porta-a-porta na área de Santa Catarina. Mais tarde, informou-me ser impossível a colocação de um ecponto por razões de tráfego do camião de recolha, questão para a qual não estou convencido das limitaçoes dessa operação (existe uma rua de entrada no bairro e duas de saída com largura suficiente).
Oito longos meses depois, gostaria que V. Exa. me informasse se o estudo dessa hipótese, certamente complexa, já foi concluído e, se sim, quais os seus resultados e como poderia consultar esse mesmo estudo.
Aproveito para informar V. Exa. que morando há 10 anos em Lisboa e não vendo qualquer melhoria no sistema de recolha selectiva na minha área de residência, deixei desde o final do ano passado de fazer separaçao de lixos (como sempre fiz até aquela altura, obrgando-me a deslocar centenas de metros até ao ecoponto mais próximo ou centro de recolha), porque considero que a recolha selectiva não deve ser sinónimo de sacrifício para os cidadãos, havendo da parte da autarquia a possibilidade de facilitar essa operação.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira


21 de Janeiro de 2005
Ex.mo Senhor Pedro Almeida Vieira
Na sequência de email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 20 de Janeiro p.p., cumpre-nos informar que o mesmo foi internamente encaminhado para o nosso Núcleo de Projectos, da Divisão de Limpeza Urbana, a fim de cumprir os devidos efeitos.
Com os melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS


30 de Março de 2005
Ex.mo Senhor
Pedro Vieira
Na sequência do email enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 20 de Janeiro p.p., cumpre-nos informar que a implementação da recolha selectiva em Santa Catarina encontra-se já equacionada.
No entanto, o Departamento encontra-se a desenvolver outros projectos, não havendo, ainda, uma previsão para a implementação referida.
Certos da melhor compreensão, apresentamos a V. Ex.a os nossos melhores cumprimentos.
CML/DMAU/DHURS


30 de Março de 2005
Exmo. Senhor Eng. Veríssimo Esteves Pinto:
Por mim, pode V. Exa. continuar a desenvolver todos e mais alguns projectos. E, sinceramente, estou já pouco me importando com o facto de estar a ser «equacionada» (será, por certo, uma derivada de terceiro grau) a implementação da recolha selectiva em Santa Catarina. Desde Maio do ano passado - altura em que foi encerrado o tráfego na zona de Santa Catarina - que V. Exa. e os serviços camarários prometem estar a estudar, a ponderar, a desenvolver projectos, a pensar implementar, etc., etc..
A minha paciência (e esperança), confesso, já se esgotou. Eu que desde que vivo há 10 anos em Santa Catarina sempre fiz recolha selectiva, deixarei de o fazer a partir de agora. Ficarei, aliás, satisfeitíssimo, pois continuarei a pagar o mesmo de taxa de saneamento e nem tenho assim de gastar tempo a
separar vidro, plástico, papel e latas de metal - vai tudo para o saco e metido no contentor.
Julgo que todos ficamos satisfeitos: eu - que não tenho trabalho -; V. Exas. - que não têm a chatice de colocar e gerir ecopontos ou sistemas de recolha selectiva - e a Valorsul - que fica assim com mais combustível para produzir electricidade.
Em todo o caso, terei o escrúpulo de enviar toda esta troca de e-mails ao vereador de Ambiente e ao presidente da autarquia, questionando-os se julgam razoável este tipo de conduta num assunto que me parece de tão fácil implementação (a colocação do «raio» de um ecoponto no interior de Santa
Catarina).
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira

Nota: Mandei, mas não valeu a pena. Não obtive resposta

1 de Abril de 2005
Ex.mo Senhor Pedro Vieira
Na sequência do e-mail enviado por V. Ex.a para o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos, em 30 de Março p.p., cumpre-nos informar que, relativamente ao assunto em epígrafe, o mesmo foi internamente encaminhado para o Núcleo de Projectos deste Departamento, a fim de cumprir os devidos
efeitos.
Com os nossos melhores cumprimentos.

CML/DMAU/DHURS

Nota: Terminaram aqui as comunicações. E a minha separação de lixos....

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