ESTRAGO DA NAÇÃO

1/17/2007

O vento que não chega para a gula

Como já é costume, veio a Rede Eléctrica Nacional (REN) - que é, como quem diz, o Governo - anunciar pomposamente que a energia eólica tinha contribuído, no ano passado, com 6% da electricidade produzida, registando um incremente de quase 68% em relação a 2005. Boas notícias, dirão muitos. Pois eu, não concordo.

O comunicado de imprensa da REN não revela alguns «pormenores» que acabam por ser essenciais. Na verdade, o crescimento da energia eólica parece muito grande, porque os valores são pequenos. E sobretudo mostram que nem sequer deram para cobrir o aumento absoluto dos consumos de electricidade registados durante o ano de 2006. Vejamos em concreto: em relação a 2005, a electricidade do vento aumentou 1.166 GWh no ano de 2006 (passando de 1.725 GWh para 2.891 GWh). Ora, o consumo total de electricidade, durante este período, registou um aumento de 1.248 GWh. Conclusão: de pouco valerá ao país se continuar a investir em eólicas - ou energias renováveis - mas sem jamais conseguir «estancar» o crescimento dos consumos absolutos. Note-se que, mais uma vez, estiveram muito acima do aumento do produto interno bruto (3,2% para o consumo eléctrico, enquanto as previsões para o PIB apontam, salvo erro, para um máximo de 1,2%). Aliás, não me recordo de um ano na última década - para não alongar ainda mais o período - em que tenhamos crescido mais em termos económicos do que em gastos energéticos. Ou seja, significa que cada vez gastamos mais electricidade para produzir a mesma unidade de riqueza (chama-se a isto desperdício...).

Em todo o caso, podemos agradecer ao São Pedro pelas chuvas do ano passado. Com efeito, como 2006 foi um ano hidrológico quase normal (0,98 de coeficiente de hidraulicidade), foi produzida 1,26 vezes mais hidroelectricidade do que no ano anterior, pelo que se verificou uma redução de 17% de produção por via térmica. Mas convém estar atento ao facto de esta redução na produção térmica ser devida a factores conjunturais. Por isso, espero que não venha o Governo dizer que em 2006 se emitiu menos 17% de dióxido de carbono por via da produção de electricidade por causa de medidas activas. A menos que se incluam, nessas medidas, as rezas aos Céus para fazer chover.

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