ESTRAGO DA NAÇÃO

8/06/2005

Farpas Verdes CCLXVI

Coisas de que me envergonham (numa lista sem ordenação de importância), escritas ao sabor da fúria e dos dedos no teclado:

1 - O país a arder e o ministro da Administração Interna a explicar-nos, como se fossemos parvos, que os meios aéreos não podem actuar por causa do fumo. E se não houvesse fumo, as frentes de fogo apagavam-se com aqueles chuveiros?

2 - A ilusão de que as grandes frentes de fogos florestais se combatem com os meios aéreos. A água antes de chegar ao solo, evapora. E se não evapora, a temperatura criada pelo fogo acaba por a volatilizar.

3 - A ideia de que a culpa dos incêndios é exclusivamente dos incendiário. Gostava de saber também o número de casos detactados de negligência e saber o que acontece às pessoas que fazem queimadas ou usam equipamentos inadequados em zonas de risco...

4 - Bombeiros que se vangloriam por estar há três ou quatro dias sem dormir. São heróis, mas não estão lá a fazer nada (a eficácia depois de um dia de combate, diminui drasticamente), a não ser colocar as suas próprias vidas em risco.

5 - Os elogios que continuam a ser feitos aos bombeiros voluntários. São merecidos, sem dúvida, mas são elogios motivados pela emoção de quem os vê a tentar fazer o que podem. Eu preferia ter bombeiros profissionais para que tentassem fazer o que devem.

6 - A «colecção» de auto-tanques dos bombeiros que se vêem, por vezes, estacionados nas estradas, enquanto ao longe está o fogo a arder. Parecem evidentes os sinais de descoordenação.

7 - O estado caótico das orlas das florestas que «pegam» a zonas urbanas. Para que serve a lei que obriga a limpeza de uma faixa de 50 metros em redor das habitações?

8 - As imagens de desespero das populações que acudem de tronco nu e com baldes de água para tentar fazer o impossível. Pela forma caótica com que as equipas de protecção civil (não) actuam, apenas por milagre não têm ocorrido mortes entre os populares. Mas os milagres, um dia poderão terminar.

9 - A imagem que começa a transparecer no país da inevitabilidade dos fogos florestais. Nada se aprendeu com os fogos de 2003. Ou melhor, da dimensão dos fogos desde os finais da década de 90.

10 - A ideia de que, afinal, a floresta portuguesa é algo prejudizial ao país: arde e provoca o pânico das populações. Daqui a nada estou a ver alguém lamentar-se não estarmos num deserto sem árvores e, portanto, sem fogos. Já não falta muito.. para ficarmos num deserto!.

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