ESTRAGO DA NAÇÃO

4/12/2004

Farpas Verdes LX

Sempre que regresso ao meu concelho de origem - Anadia, que somente visito de tempos em tempos desde que de lá sai para estudar na universidade (já lá vão quase 16 anos) - saio de lá aterrado com o conceito serôdio, bacoco e «provinciano» (na acepção depreciativa do termo) que a autarquia tem vindo a seguir nas últimas décadas.

Apenas este fim-de-semana reparei que o Estádio Municipal inaugurado há dois ou três anos - e onde, aliás, vai estagiar a selecção da Letónia - se chama Sílvio Cerveira. O homem ainda é vivo (ainda bem para ele e para a sua família) e foi presidente da câmara durante para aí 20 anos. Está tudo dito, não se desse o caso de Anadia não ser propriamente uma terra do Norte do país, região tão propensa em homenagear os seus presidentes ou ex-presidentes de câmara através de estádios de futebol.

Mas, pronto, este é um capricho crítico da minha parte. Há mais críticas e estas mais essenciais. Quando atravesso a alameda que vem da EN1 até ao centro de Anadia, é um desconsolo ver os plátanos que, de tempos em tempos, levam daquelas podas em F e que as tornam umas coisas grotescas quando os ramos crescem e uns paus de estender roupa enquanto não crescem.

Entretanto, chegado ao centro de Anadia, eis-nos na praça central. Se alguém alguma vez se perder por lá talvez me consiga dar a sua opinião sobre aquela praça. É das coisas mais indescrítiveis e feias que se pode imaginar e que, segundo me dizem, se fez sem projecto conhecido e sem se saber quanto custou aquilo.

Contudo, posso-vos dizer que a remodelação desta praça foi uma das grandes medidas do presidente da câmara dos últimos anos - o que já de si é um sinal de estagnação -, a que se acrescenta, porventura, o estádio municipal - para uma equipa que milita na terceira divisão - e de umas piscinas e courts de ténis (úteis, é certo, embora não saiba a justificação para se lá ter enterrado 500 mil contos).

De resto, o que é que temos mais nesta vila? Temos muitas estradas novas, com o único fito de arranjar alamedas para se construirem vivendas (há mesmo o caso de uma estrada dentro da vila que serpenteia um vale sem obstáculo algum; porventura para agradar a mais proprietários de terrenos). Temos um concelhos que é dos mais atrasados no sector do saneamento básico (por falta de ETAR, porque grande parte das povoações até tem, em muitos casos há vários anos, colectores de esgotos, mas que não servem para nada sem a respectiva ETAR). E não temos sequer um cinema, não temos praticamente qualquer actividade cultural, não temos sequer um restaurante de referência (os do leitão à Bairrada ficam quase todos no concelho da Mealhada), etc., etc., etc..

Ah, esquecia-me de uma coisa: Anadia tem também semáforos, mesmo se o trânsito e a segurança não o justifica e se as pessoas façam alguns desvios para evitar as paragens (há muitas estradas).

Mas há ainda um outro aspecto que me choca. Às 10 horas da noite, quer seja dia de semana, quer de fim-de-semana, Anadia é uma vila deserta. Até para se divertirem as pessoas têm de rumar para outras paragens.

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