5/11/2005

Farpas Verdes CCXII

Em 9 de Março, escrevi no Farpas Verdes CLXXXIII, o seguinte:

Este projecto da Portucale, do Grupo Espírito Santo, é um daqueles casos em que me envergonho de ser português. Já em 1995, a Portucale conseguira, também no fim do Governo de Cavaco Silva, permissão para abater sobreiros. Conseguiram abater uns quantos, mas o novo Governo de António Guterres viria a suspender o abate total. A Portucale não desistiu e quase conseguiu em 1998 obter uma declaração de imprescindível interesse público (houve um despacho que chegou a ter duas assinaturas de ministro, mas não avançou porque a então ministra do Ambiente, Elisa Ferreira se opôs). O projecto ficou, assim, em banho-maria até esta negociata final. Ou seja, 10 anos depois renasce um projecto vergonhoso, da mesma forma torpe. Sinceramente, custa-me a acreditar que não haja aqui «luvas» pelo meio...


Pois bem, finalmente, o Ministério Público decidiu agir perante um escândalo evidente, abalando a forma torpe, desavergonhada e inumiputável com que as negociatas do imobiliário se fazem em Portugal. A questão, contudo, é para mim apenas a ponta do icebergue e seria interessante que este caso se estendesse também aos responsáveis que nos serviços florestais foram coniventes com estas situações.

Ando há já um bom par de anos a apelar para que o Ministério Público tenha uma maior intervenção nos casos do imobiliário e de aprovações ao arrepio da lei e da justiça social. Espero bem que este caso não seja isolado e que mais intervenções sejam implementadas.

De qualquer modo, este processo tem, para mim, um gosto pessoal. Desde 1998, era eu o único arguido por causa de processos imobiliários em Benavente: fui processado por alegada difamação pelo presidente da autarquia por denunciar em artigos na GR e Expresso algumas negociatas da construçao civil naquele concelho, sobretudo na Herdade da Mata do Duque, em Vila Nova de Santo Estevão e também na Herdade da Vargem Fresca. No meu caso, o processo foi (obviamente) arquivado - confirmando assim que aquilo que escrevera era verdade; espero que este caso de Nobre Guedes, Abel Pinheiro e outros que mais (convém investigar as movimentações do Grupo Espirito Santo na Herdade da Comporta, junto ao Safo), não o seja.

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