ESTRAGO DA NAÇÃO

5/16/2005

Farpas Verdes CCXXII

Já começo a estar habituado, sempre que critico os meios ambientalistas (ONG e partido políticos nesta área), de me cairem em cima e de me acusarem de ter segundas intenções. Sobre a minha crítica à actividade do MPT na Assembleia da Repúlica, colocado no Farpas Verdes CCXX, o deputado Pedro Quartin Graça colocou um comentário (que me parece incompleto...), o qual reproduzo mais abaixo, em letra pequena.

Gostaria de fazer uns esclarecimentos sobre o meu post original e uns comentários ao deputado do MPT. Primeiro, os esclarecimentos: esperaria, de facto, uma maior actividade dos deputados do MPT, sim. Por um lado, porque existe a «necessidade» de mostrarem que possuem independência face ao partido que os elegeu (PSD), e por outro, porque necessitam urgentemente de criarem um estatuto de «trabalhadores incansáveis». Mesmo que muitas das iniciativas do MPT forem inicialmente ignoradas pela imprensa, é importante que mostrem trabalho. Por exemplo, se actualmente estivesse no activo no jornalismo e estivesse a fazer um trabalho sobre a seca, os fogos florestais, o litortal, os montados, os projectos urbanísticos, por que carga de água haveria de questionar os deputados do MPT se, consultando o seu site, não visse sequer uma referência a estes temas?

Em relação à questão do «folclorismo» das propostas. Aquilo que disse foi que as duas únicas propostas dos dois deputados do MPT «estão a milhas, a anos-luz das prioridades da política ambiental - a segunda é, sim, uma questão de segurança rodoviária - e, pior do que isso, facilmente são rotuladas de 'ecologismo folclórico'». Não era minha intenção rotulá-las, mas pensando melhor, pelo menos as rotulo de pouco ambiciosas e desajustadas. Por um lado, porque não propor menus biológicos nas cantinas escolares, sabendo até que actualmente está em curso uma campanha contra a obesidade infantil e dos adolescentes? E, por outro, em relação à questão dos peregrinos de Fátima, pareceu-me uma «ideia peregrina» fazer uma proposta deste género na véspera da aparição de Nossa Senhora em Fátima; até porque, repito, o que está em causa é sobretudo uma questão de segurança rodoviária (e se o MPT quer alargar o seu âmbito, que o faça, mas de forma mais ambiciosa, pois, por exemplo, em relação ao novo código da estrada, os utilizadores de bicicleta foram bastante prejudicados, por perderem sempre a prioridade em relação aos veículos com motor).

Por fim, um comentário mais político, como cidadão, ao deputado Pedro Quartin Graça. Diz-me ele que «Gostaria de assinalar, em primeiro lugar que, não sendo evidentemente um "crime", (muito longe disso...), creio não o ter tido contudo a felicidade de contar consigo entre aqueles que "em mim" votaram nas últimas eleições legislativas». E eu confirmo que não votei, de facto.

Acrescenta, depois, no seu racicínio que «a ser verdade (...) ainda que não lhe diminua a capacidade de fazer comentários públicos acerca da actuação de qualquer deputado, lhe retira contudo a legitimidade política de, enquanto eleitor (...), poder exigir responsabilidades em sede de promessas eleitorais a esse mesmo deputado no que diz respeito à sua actuação no Parlamento.». Ora, o deputado Pedro Quartin Graça, porventura, se esquece ser um deputado da Nação e, portanto, na minha opinião, qualquer cidadão pode pedir-lhe contas. Mas mesmo que assim não fosse, o deputado esquece-se de um lapidar pormenor: haverá sempre novas eleições e, por certo, os eleitores que não votaram neles podem sempre querer saber o que andaram eles a fazer. E eles devem mostrar o que fazem, nem que seja para «seduzir» os eleitores que neles não votaram antes. Por isso, o deputado Pedro Quartin Graça, das duas uma: ou não perecebe isso ou então não está a pensar que o MPT venha a poder eleger deputados nas próximas eleições.

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Comentário textual do deputado Pedro Quartin Graça

Meu Caro Pedro Almeida Vieira,

Creio que não nos conhecemos pessoalmente. Este facto não me impede de assinalar os valiosos contributos que V. tem dado, através dos seus escritos e intervenções, entre outras actividades, à "causa ambiental" em Portugal.

O mesmo tenho tentado fazer, dentro das minhas actividades políticas e profissionais correntes, nos últimos 25 anos.

Isto a propósito do seu comentário acerca daquilo que os deputados do MPT-Partido da Terra andam ou não andam a fazer no Parlamento, que, com o título "Farpas Verdes CCXX", foi inserido no seu blog pessoal, o qual acompanho com interesse.

Gostaria de assinalar, em primeiro lugar que, não sendo evidentemente um "crime", (muito longe disso...), creio não o ter tido contudo a felicidade de contar consigo entre aqueles que "em mim" votaram nas últimas eleições legislativas. O que, a ser verdade (e corrija-me se me enganei...) ainda que não lhe diminua a capacidade de fazer comentários públicos acerca da actuação de qualquer deputado, lhe retira contudo a legitimidade política de, enquanto eleitor (que não o foi), poder exigir responsabilidades em sede de promessas eleitorais a esse mesmo deputado no que diz respeito à sua actuação no Parlamento.

Nomeadamente, como é o caso presente,quando a ideia que resulta para os leitores do seu comentário é a de que os deputados do MPT andam no Parlamento "a dormir", sem nada fazerem. O que, digo-lhe é manifestamente injusto, por não verdadeiro.

É verdade que, no seu escrito, aplaudiu as propostas que fizémos sobre a introdução, quer nos três refeitórios do Parlamento, quer na creche da A.R., de um “menu biológico”, bem assim como a relacionada com os peregrinos que caminham para Fátima e a rede nacional de percursos pedestres e cicláveis. Mas também é verdade que as rotulou como não sendo revestidas de credibilidade em sede ambiental.

Devo dizer que entendo que labora em dois equívocos: o primeiro relacionado com o facto de entender que o MPT "apenas" está condenado a intervir em matérias estritamente ambientais, se é que estas matérias existem, o que eu duvido - É com hoje, tudo é AMBIENTE - ; o segundo
porque "exige" hoje aos deputados do MPT coisas que, semanas atrás, dizia ser vedado aos deputados do MPT sobre elas se pronunciarem, por terem "vendido a alma ao diabo".

Recordo o que escreveu em 30 de Dezembro de 2004: (...)«Por outro lado, a alegada independência dos futuros deputados do MPT é uma falácia completa. Na verdade, na prática eles terão que votar sempre em linha com o PSD, excepto em matérias de consciência; de resto, mesmo que estejamos perante questões políticas de índole ambiental em que o PSD mostre uma atitude contrária ao pensamento do MPT, os seus deputados terão de estar em sintonia, a menos que aleguem «objecção de consciência». Ora, um partido que se norteia pela consciência, não tem estrutura. Em suma, não existe.»

Posso-lhe garantir que se enganou rotundamente: não vendemos ne» (sic; NB: provavelmente o restante comentário não terá surgido por razões técnicas, ou seja, por ter sido ultrapassado o espaço permitido pelo HaloScan)

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