ESTRAGO DA NAÇÃO

2/07/2005

Derivações ambientais II

Causa-me alguma estranheza ver alguns «opinion makers» do país (vd. director do Expresso e, de forma mais suave, Helena Matos, no Público) a zurzir na alegada ignorância de Miguel Esteves Cardoso e Francisco Louçã pelo facto de ambos desconhecerem quem foi Candido dos Reis.

Não censuro ninguém por ignorar alguns acontecimentos particulares e personalidades que viveram há um século atrás, nem penso que seja um demérito pelo contributo que tenham tido para o país. Não somos uma enciclopédia histórica, nem convém que sejamos. Eu, ignorante confesso, admito que também não sabia a origem do nome da avenida, nem o seu papel na história(graças à maravilha da Internet sei agora quão lamentavelmente triste foi o fim de Cândido dos Reis, que se suicidou na véspera do 5 de Outubro de 1910 por pensar que a revolução iria fracassar).

E não me considero ignorante pelo simples facto de que também não vos considerarei por não saberem, por exemplo, aspectos do século XVIII que tenho estado a estudar afincadamente. Ou de muitos outros assuntos - de índole histórica ou ambiental. Tal como não me podem considerar ignorante por não saber muitas e muitas, imensas coisas.

Nos políticos acho grave sim que, por exemplo, não conheçam os problemas reais do país e ignorem as estratégias de desenvolvimento. Que caiam de paraquedas em ministérios para os quais não sabem sequer o abecedário (o do Ambiente tem sido pródigo nestes casos).

Em matérias de debates políticos que mostram, sim, uma atroz ignorância, recordo-me particularmente de um debate em 1999 entre Guterres e Portas em que o moderador lhes meteu uma folha de papel na frente com o símbolo @ e perguntou-lhes que sabiam o que representava. Ambos disseram que não sabiam!

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