ESTRAGO DA NAÇÃO

2/15/2005

Derivações Ambientais VI

Acabo de receber uma carta que no sobrescrito avisa: «Se não costuma votar, leia esta carta». Eu costumo votar, mas como sou curioso abri-a. Não dei o tempo gasto por mal empregue. O seu conteúdo é um hino ao delírio e o seu autor, Pedro Santana Lopes, deveria merecer um lugar na História.

Pede, logo na arrancada: «Não pare de ler esta carta». A «ameaça» - qual rede de mensagens que quebrada implica desgraças - é de que interromperemos, como o Presidente da República, um conjunto de medidas que beneficiam os portugueses e... claro, as portuguesas.

Para os absenticionistas, Santana Lopes dá-lhes a bênção: «Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar». E quem são eles?, queremos nós perguntar, mas que Santana também o faz. Eles, responde o próprio, são «alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma». Bolas, nós até gostávamos de saber um nomezito que fosse de entre eles.

Mas, pronto, eles, de qualquer modo, são uns maus. Diz Santana que os ditos eles «acham que eu (ele, Santana) sou de fora do sistema que eles querem manter». Caramba, ia jurar que Santana Lopes andava na política ainda eu era menor, além de que não sei a que sistema se refere.

Mesmo não sabendo de que raio de sistema estamos a falar, Santana Lopes está convicto de que não nos damos bem como ele (o sistema), nem ele (o Santana). Por isso, «provavelmente nos temos algo em comum».

Em seguida surge o acto de contrição e uma sacramental pergunta em tom de lamento: «Tenho defeitos como todos os seres humanos (chuiff), mas conhece algum político em Portugal que eles (mas quem são os gajos, raios...) tratem tão mal (buá buá...)?»

Mas calma, não há só injustiças para Santana Lopes. O próprio diz que «também o (a si e a todos, presumo, menos os eles) tratam mal a si», pelo que «já somos vários».

Portanto, lança Santana Lopes o apelo contra os maus que nos tratam mal: «Ajude-me a fazer-lhes frente».

E como»? Santana Lopes dá a receita: «Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!».

Oh, Pedro, menino guerreiro, quem é que lhe anda a dar conselhos para escrever cartas deste género?

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