ESTRAGO DA NAÇÃO

2/01/2005

Farpas Verdes CL

O Instituto da Água (INAG) veio ontem desdramatizar a situação de seca em Portugal, dizendo que, exceptuando a barragem do Arade, a situação ainda não é preocupante. Olhando para os números apresentados pelo INAG, de facto até parece que não existe motivo de alarme. Só que existe um pequeno pormenor que se deve ter em conta e que altera, no caso de imporantes albufeiras, a verdadeira situação das suas disponibilidades hídricas.

Passo a explicar. Os valores em percentagem que o INAG apresenta são em referência à capacidade máxima de armazenamento - ou seja, em situação em que a albufeira está completamente cheia. Contudo, quase nunca toda a água de uma albufeira se encontra disponível. Existe aquilo que se denomina por «volume morto», que é o volume que está, regra geral, no nível inferior aos orgãos de descarga. Essa água - a menos que seja bombeada (com enormes custos energéticos) - está assim indisponível.

Pois bem, o «volume morto» de uma albufeira é bastante variável - por exemplo, na barragem de Alqueva, cerca de 25% da sua capacidade da sua capacidade máxima de armazenamento. Noutras barragens pode ser mesmo inferior a 5%.

Por isso, seria sempre mais adequado fazer os cálculos através da capacidade útil (capacidade máxima de armazenamento menos o volume morto). Fiz estes cálculos para algumas albufeiras e verificam-se diferenças significativas. Eis alguns casos (a negrito destaco aquelas que apresentam uma variação superior a 10 pontos percentuais):

Situação actual do Alqueva
74,4% se se considerar a capacidade máxima de armazenamento (CMA)
65% se se considerar a capacidade útil de armazenamento (CUA)

Situaçao actual de Montargil
77,9% se se considerar a capacidade máxima de armazenamento (CMA)
74,5% se se considerar a capacidade útil de armazenamento (CUA)

Situação actual do Maranhão
65,8% se se considerar a capacidade máxima de armazenamento (CMA)
61,1% se se considerar a capacidade útil de armazenamento (CUA)

Situação actual de SantaClara
70,8% se se considerar a capacidade máxima de armazenamento (CMA)
41,1% se se considerar a capacidade útil de armazenamento (CUA)

Situação actual da Aguieira
68,4% se se considerar a capacidade máxima de armazenamento (CMA)
38,2% se se considerar a capacidade útil de armazenamento (CUA)

Situação actual do Arade
12,9% se se considerar a capacidade máxima de armazenamento (CMA)
8,4% se se considerar a capacidade útil de armazenamento (CUA)

Portanto, se repararem, a situação muda um pouco de figura se se usar - como, na minha opinião, se deveria fazer - a capacidade útil de armazenamento. E seria bom também que o INAG fizesse projecções para as albufeiras que ainda nem começaram a usar água de forma mais intensiva (como são, por exemplo, os casos das barragens hidrogrícolas do Maranhão e Montargil)




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