ESTRAGO DA NAÇÃO

10/24/2006

Acabem com a conservação da Natureza, se faz favor...

Portugal tem cerca de 8% do seu território classificado como áreas protegidas, a que acresce mais 12% se considerarmos o estatuto comunitário de sítio da Rede Natura. Ou seja, um quinto do país deveria beneficiar de investimentos que os distinguissem das outras áreas. Esses investimentos deveriam ser feitos em conservação da Natureza, nas suas diversas valências: biodiversidade, paisagem e população local. Sem apostas integradas e credíveis nestes três vectores não faz sentido exitirem áreas protegidas, parece algo de bom senso.

Gerir e conservar bem as áreas protegidas - ao contrário do que pensam, na sua ignorância, os detractores na aposta em investimentos de conservação da natureza -, tem enormes vantagens económicas, porque um país sem preocupações em biodiversidade, perde a sua paisagem, perde mesmo o seu interesse turístico. E eu já nem me queria referir o aspecto integeracional. Porém, nada disto se tem visto nos últimos anos em Portugal; diria mesmo nas últimas duas décadas.

Actualmente, as áreas protegidas não apenas estão ao abandono. São mais maltratadas do que as restantes áreas do país não protegidas - e estou a falar das pessoas ou daquilo que interessa às pessoas. Se não vejamos. Onde há mais atrasos no saneamento básico? Onde se bebe a pior água canalizada? Onde faltam mais escolas? Onde há mais falta de médicos? Onde há mais falta de actividades culturais? Onde a economia está mais depauperada? E, helas, onde são mais frequentes os incêndios florestais? Vejam e hão-de reparar que onde há menos de tudo isto é nas localidades situadas nas áreas protegidas.

E, claro, neste aspecto, os sucessivos Governos têm sido coerentes. Se não apoiam as populações humanas, seria criminoso apoiar os animais. De forma muito democrática, não apoiam nenhuns.

Por isso, já não me surpreende que o Orçamento para o próximo ano do Instituto de Conservação da Natureza diminua ainda 18% em relação a 2006. Por mim, reduzia-se 100%. Desse modo, acabava a palhaçada da pseudo-conversação da Natureza e o Governo português ,liderado por um antigo ministro do Ambiente, assumia claramente que se está borrifando para a conservação da Natureza, para a biodiversidade, para a paisagem, para as pessoas que ali vivem (e pela ordem inversa do que aqui escrito...).

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