ESTRAGO DA NAÇÃO

10/08/2006

Helena, não havia necessidade...

O artigo de opinião de Helena Matos no Público de sábado - «Os Verdocas» (ver aqui, mas apenas se for assinante) - contém aspectos que, não sendo inéditos na denúncia - por exemplo, quando assinala que «não é simples coincidência que a maior parte dos casos de corrupção envolvendo autarcas, ministros, governos... nos conduzem agora aos pelouros do ambiente» -, eu subscrevo inteiramente.

Porém, a abordagem geral parece-me redutora, simplista e injusta em muitos aspectos. E não havia necessidade. Que o país - ou seja, os portugueses - são na teoria muito ambientalistas mas desde que isso não afecte as suas vidinhas, é verdade. Que as associações de defesa do ambiente sejam hoje caricaturas de si mesmas, também é verdade. Mas, Helena Matos esquece-se de questionar o papel dos investigadores e professores universitários das áreas de ambiente que, quase sempre, se arredam das discussões com implicações políticas (e sabe-se, em muitos casos, as razões...). Aliás, na minha opinião, a actual situação das associações ambientalistas deve-se, em grande medida, aos constrangimentos de encontrar pessoas que possam dar-se ao luxo de ser independentes. O estado caricatural dos ambientalistas e do próprio modo como o ambiente é tratado em portugal são apenas os reflexos da nossa sociedade que Helena Matos até caracteriza bem.

Mas há uma passagem do artigo de Helena Matos que me parece extremamente incorrecto e injusto: ela acusa, generalizando, que «os dirigentes que deram protagonismo à Quercus e transformaram a LPN dum clube de biólogos numa associação interventiva declinaram os convites de Cavaco Silva para integrar os seus governos - mas entraram nos corredores do poder na companhia de António Guterres e, sobretudo, de José Sócrates».

Como fui dirigente regional da LPN, em Évora, e mais tarde, entre 1993 e inícios de 1995, dirigente nacional da Quercus (então com algum destaque, sobretudo nas áreas dos recursos hídricos e resíduos), posso assegurar que nunca declinei convites de Cavaco Silva nem entrei em corredores de poder na companhia de António Guterres nem de José Sócrates. Pode-se sempre contra-argumentar que não os recebi convites desse género - nem me «coloquei» à disposição para os receber -, mas o meu percurso dos últimos 10 anos (desde que me desliguei do associativismo ambiental) talvez me dessem o direito de não ficar incluído nesse limbo de supostos «vendidos ao poder» que actua(ra)m apenas com o objectivo de benefício pessoal.

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