ESTRAGO DA NAÇÃO

10/19/2006

E ele, com mais um beijo, volta a atacar... (com adenda)

A ignorância não tem limites, mas em casos concretos pode ter uma cara. O João Morgado Fernandes que há um par de anos confessava que «nada percebo de política florestal, muito menos de combate a fogos», lançou-se este ano a dizer, militantemente, disparates sobre estas matérias. Insiste e volta a insistir nas suas peregrinas teses, diz e desdiz-se, mete os pés pelas mãos e a cabeça pelo umbigo, não olha para o ridículo das suas opiniões. Ele consegue ser até mais exultante do que o ministro António Costa e o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. Ainda vai tirar o lugar ao seu ex-colega Duarte Moral.

Nem a sua viagem a Nova Iorque lhe fez cessar as estultas dissertações. Regressado às terras lusas, ataca de novo, com este post de ontem. É mais um must. Parece que ele agora ficou surpreendido por Viana do Castelo ser dos distritos que mais arde(u) em Portugal, embora seja das regiões menos secas (ou mais húmidas, como se queira) no Verão. Mas, pronto, ele também confessa que não sabe fazer contas. Mas mesmo esta sua carência não justifica que a sua cabecinha jamais consiga enxergar que exactamente por situações como as de Viana do Castelo (e também Braga e Évora), o Governo não pode estar de parabéns. Se o distrito de Viana do Castelo foi «lavrado» pelas chamas em 48% do seu território entre 2000 e 2006 (o que dá 8% ao ano, 16 vezes superior à taxa de deflorestação da Amazónia), somente por inépcia poderia arder, como ardeu, mais 7% no presente ano, mesmo chovendo o que choveu. Imaginemos, portanto, o que seria se não chovesse.

De resto, já nem me vou dar ao trabalho de lhe tentar explicar pela enésima vez como os mais de 900 mil hectares que destruíram as zonas de maior risco entre 2003 e 2005, bem como a precipitação intercalada e intensa que marcou este Verão, tiveram um efeito condicionador da formação de incêndios de grandes dimensões. Nem por que motivo o Alentejo, mesmo sendo mais quente e seco, arde menos do que a generalidade das regiões (embora a tendência de agravamento seja preocupanente). Somente lamento ter-lhe oferecido o livro que escrevi, pois parece que, além de não saber fazer contas, ele também não gosta de ler.

Nota 1: Além disso, João Morgado Fernandes parece que leu uma edição diferente do Público. Não consegui encontrar nenhuma parte do artigo de opinião do eng. José Pinto Casquilho em que expressamente dê os parabéns ao Governo. A única referência ao Governo apenas se encontra nesta frase: «Baixando drasticamente as áreas ardidas por ano, reconvertendo interesses e mentalidades na perspectiva do bem comum - o que aliás me parece ser o eixo do conjunto de medidas que o Governo tem estado a anunciar neste domínio -, consegue-se automaticamente aumentar muito o sequestro de carbono e assim compensar parte do excesso das emissões, nalguns milhões de toneladas de carbono por ano, de acordo com os meus cálculos». Interpretar que esta frase significa dar os parabéns ao Governo, é algo um bocadinho enviesado. Mas, enfim...
Nota 2: Cometi um lapso quando procurava o texto do eng. José Pinto Casquilho e, de facto, quem leu a edição errada do Público fui eu, pelo que a nota 1, que escrevi, não faz sentido. A citação que coloquei foi de um artigo do mesmo autor publicado no dia 16 de Agosto, e esse engano deve-se ao facto de ter acesso a todas as edições e ter feito a pesquisa pelo nome e veio-me logo aquele texto. E, portanto, não li o texto do dia 17 de Outubro onde ele escreve que «Está o Governo - e todos os agentes de boa vontade, do terreno e dos gabinetes - de parabéns, com o esforço e o resultado, ajudado pela bondade das chuvas de Agosto» (e eu acrescentaria de Julho e de Setembro). O artigo comete, porém, um erro, na minha perspectiva: faz uma análise muito simplificada em termos estatísticos não considerando que a floresta e os matos não são nenhuma fénix renascida. Ou seja, o que ardeu nos últimos 3-4 anos não poderia arder este ano e funcionava como tampão à progressão dos incêndios.
Nota 3: Isto não invalida que mantenha absolutamente tudo o que escrevi no post propriamente dito.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

Hiperligações para esta mensagem:

Criar uma hiperligação

<< Página inicial