10/22/2006

As nuances da electricidade

Na minha opinião, continua sem ser bem explicada, pela generalidade da comunicação social, as verdadeiras razões dos preços da electricidade dispararem este ano. Na verdade, o que está em causa não é bem a revogação de um diploma que impedia que a evolução do preço da electricidade ultrapassasse a taxa de inflação, decorrente da liberalização do sector eléctrico. Ou melhor, as coisas estão relacionadas, embora o que efectivamente aconteceu é que o Estado (ou seja, o dinheiro dos contribuintes) deixou de financiar a produção de electricidade. E, portanto, antes era o contribuinte a financiar os preços baixos; agora é o consumidor a pagar os preços. Parece confuso, não é?

No entanto, é de uma grande simplicidade - e eu ainda vou tentar simplificar mais. Até ao ano passado, as centrais de produção termoeléctrica funcionavam como uma espécie de padaria em que o Estado assegurava a matéria-prima. Ou seja, o Estado assumia as flutuações dos preços dos combustíveis primários, pelo que as empresas acabavam apenas por receber uma margem de lucro pela transformação de combustível primário em electricidade. Significava isso que o Estado é que estava a arcar com os aumentos do petróleo (e do resto dos combustíveis, por tabela), mas isso não era reflectido nos preços ao consumidor.

Ora, como esses contratos expiraram, as empresas têm agora que incorporar os custos
directamente aos consumidores, já que o Estado deixou de lhes dar a «almofada» para suportar os custos dos combustíveis. Daí que o aumento directo de cerca de 15% proposto pela ERSE. Ou seja, o Estado poupa dinheiro, mas os consumidores gastam mais dinheiro. Até aqui tudo justo, mas fica a questão pertinente: para onde irá agora o dinheiro que o Estado recebia antes dos contribuintes para que a electricidade não aumentasse?

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