ESTRAGO DA NAÇÃO

8/10/2006

Pelas televisões

Este ano julgo que as televisões generalistas estão a fazer uma cobertura melhor sobre os incêndios florestais, sem exageros e demasiados histerismos. Tirando o fim-de-semana em que a RTP «decidiu» que os fogos não mereciam quase referência, a cobertura parece equilibrada em termos de tempo de abordagem. No entanto, continua-se a cometer os mesmos erros: não há análise, não se ouvem especialistas independentes (faz-se o vox populi, ouvem-se os bombeiros e as entidades oficiais... a moda agora é ouvir os governadores civis), não se procura saber por que ficam tantas vezes os aglomerados urbanos em perigo (estou à espera de um jornalista a perguntar às pessoas e aos autarcas se fizeram as limpezas previstas na lei) e, enfim, não se procura questionar a eficácia dos bombeiros (ontem, na SIC estava-se a dizer que o fogo na serra de Ossa se encontrava circunscrito e viam-se por detrás chamas incontroladas)...

Por outro lado, as televisões continuam a «mandar» jornalistas sem qualquer preparação espcífica para as tarefas de cobertura. Anteontem, um jornalista da SIC perguntou em directo ao comandante nacional de operações, Gil Martins, se o aumento do número de fogos entre Julho e Agosto se devia ao cansaço dos bombeiros... Claro que, no meio disto, nenhum jornalista se apercebeu que este ano estão a arder concelhos que nos anos anteriores pouco ardiam. E que só não ardem os concelhos que ardiam muito por terem sido dizimados nos anos anteriores.

Também se continua a «heroicizar» os bombeiros em situações que são de completa irresponsabilidade. Ontem, julgo que também na SIC, foi filmada uma situação que esteve em vias de dar em catástrofe. Numa zona de encosta, perto de Oliveira de Azeméis, junto a uma IC, vários bombeiros viram-se em palpos de aranha com o fogo a subir porque foram fazer não sei bem o quê (é impossível e perigoso atacar um fogo a meia encosta, ainda por cima sem qualquer material) e tinham ainda por cima uma vedação entre a zona de matos e a estrada. Dois ou três «viram» o fogo lamber-lhes o rabo. O jornalista da SIC, em voz off, elogiou a sua coragem. Confunde-se coragem com imprudência.

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