8/10/2006

Por que não consigo dizer bem

Pede-me um leitor (vd. comentário do post anterior) que comece também apontar aspectos positivos quando abordo as questões dos fogos ou que aponte caminhos, de modo a que as minhas crítica sejam construtivas.

Confesso que a primeira tarefa - apontar aspectos positivos - se torna difícil de apontar e que em relação às correcções dos problemas, estas estão subjacentes às críticas: dever-se-ia fazer o contrário daquilo que o SNBPC está a fazer. Por exemplo, eu sinceramente acho que este ano, ao nível da informação ao público, através do site do SNBPC, tem aspectos que deveriam merecer elogios. E mereceriam se houvesse rigor: como já apontei, existem evidentes erros na identificação da localização das ignições e usa-se e abusa-se de terminologias de bombeirês (de que a classificação de fogo «circunscrito» é um paradigma).

Por outro lado, não vislumbro melhorias no combate nem na eficácia. Embora seja necessário ter mais dados estatísticos fiáveis, existem demasiados fogos com mais de 24 horas (alguns particularmente violentos e arrasadores, como o da serra de Ossa) e, mais grave ainda, incêndios relevantes em concelhos que anteriormente não eram incendiáveis. E isto é um aspecto gravíssimo, porque implica que os concelhos incendiáveis apenas não estão a arder devido à razia dos últimos três anos. Choca-me, aliás, que vários membros do Governo continuem a tentar tapar o sol com a peneira.

Em todo o caso, este espaço não é propriamente o mais adequado para expor longamente algumas sugestões de alterações (para isso escrevi o livro, que tem mais de 400 páginas), mas gostava de lembrar que no dia 12 de Julho coloquei aqui neste blog um dos capítulos do livro onde me debruço sobre a prioridades estratégicas no combate aos incêndios florestais, demasiado concentradas na protecção das casas em detrimento da floresta.

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